LIBERDADE (...) Sou livre, sou livre... Sinto-me limitado e impotente. Não durmo nem sonho. Queria ser livre para amar loucamente. Aqui, sinto-me asfixiar, estou incapaz, estou louco Queria gritar até se ouvir A minha voz nos céus: sou livre! Estou louco.
João Mattos e Silva, Sem Contorno. Lisboa: Edições Excelsior, 1968, p. 51.
Júlio Pomar para o levar na sua viagem, João.
Talvez seja polémica a minha homenagem por juntar dois rostos tão antagónicos. Contudo, o primeiro a quem presto aqui homenagem existiu e construiu-se a combater o segundo.
Dois homens que marcaram quatro décadas, influenciaram meio século e estiveram em actividade política exactamente 42 anos: contando ao primeiro (de forma livre) a partir de 1974 a 2017 e ao segundo a partir de 1926 (ministro das Finanças) a 1968. Dois rostos incontornáveis na História de Portugal.
Retrato presidencial de Mário Soares,
Júlio Pomar, 1992 (Wikipédia) António de Oliveira Salazar
(Wikipédia)
Felizmente, vivi mais tempo em democracia do que em ditadura. Contudo, lembro-me destes dois mundos, do que se estudava na escola, das mentalidades e da ruptura que constituiu viver num e noutro.
Cabe-me agradecer ao Dr. Mário Soares ter tido a coragem que teve, ter optado por construir a sua vida como a construiu e ter feito de Portugal uma democracia.
Júlio Pomar é um pintor com um longo percurso desde o neo-realismo ao expressionismo abstracto. Hoje lembrei-me dele e o título que poria à colagem representada seria: