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04/12/2013

Triste tempo e pequenas alegrias

O sol... 
O sol...
outonal prolonga-se numa primavera fria. 
Anoitece mais cedo.
Desnudam-se as árvores.
O vento...
deposita as folhas no meu regaço.
Triste tempo...






Figueira da Foz



Kondrashov Sergey (1957),  "Sad time", 1994
Painting for sale 'Sad time'  painting art sale realism subject composition paintings

Um livro que caiu do céu para alegrar os caminhos da alma. 
Pousei as Fugas de Alice Munro e peguei em Jerusalém.
A minha gratidão mais profunda. :))


Começa assim:
Ernst Spengler estava sozinho no seu sótão, já com a janela aberta, preparado para se atirar quando, subitamente o telefone tocou. Uma vez, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove dez, onze, doze, treze, catorze, Erns atendeu.

Gonçalo M . Tavares, Jerusalém. Lisboa: Caminho, 2005, p. 7.


12/12/2011

"o amor humano completou o esforço leve da Natureza"

Artur Loureiro, Ciganos, Roma



Museu Nacional Soares dos Reis, Porto


Para a Rainha dos Vurdóns e as cinco meninas um trecho de um escritor português que de certa forma aprendeu a ver o caminho debaixo das estrelas.

A minha gratidão.

CANTO IX

56



Árvores de fruto bem organizadas
mostram que o amor humano completou
o esforço leve da Natureza.
Laranjeiras carregadas desses frutos,
que na mão parecem perdoar os pecados do homem,
mostram-se numa invulgar proporção com o que escondem.
Árvores tímidas, mas que ensinam.
Uma das mulheres, por exemplo, pega numa laranja
e quase fica infantil.

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia, Lisboa: Caminho, 2011, p. 367 (Prefácio de Eduardo Lourenço)

05/10/2011

"A vida pressupõe dois pés, duas pernas"

Simetria, obeliscos naturais


Rua Sá da Bandeira, Coimbra




121
A vida pressupõe dois pés, duas pernas,
dois olhos, dois braços, e até cérebro
tem duas partes: a direita e a esquerda.
Só o amor quando é forte não tem lado
esquerdo e direito. É um sentimento central;
qualquer acontecimento quotidiano, ou extraordinário,
parece ocorrer nas suas vizinhanças.

in Canto III, estrofe 121

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia, Lisboa:, Caminho, 2010,p. 158.

Gonçalo M. Tavares ganhou o Prémio Literário Fernando Namora, Estoril-Sol 2011, com este livro de poesia.

30/06/2011

Viagem à Índia - Gonçalo M. Tavares

Estive a folhear e a ler o livro: Viagem à Índia de Gonlçalo M. Tavares. Todas as críticas são positivas e todas referenciam uma analogia com os Lusíadas por causa da estrutura da obra. Com este título, Gonçalo Tavares, recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores, em conjunto com o Ministério da Cultura.
... Mais um livro para a pilha de leituras.



A caminho da Colva, Goa, Índia



66



O certo é que de entre os diversos materiais do mundo,
a alma é de longe um dos mais antigos,
porém se o cérebro que inventa e escreve versos
é apenas uma víscera de boas proporções,
eis que desde já Bloom desiste de olhar para o céu
à espera de acontecimentos humanos ou divinos.
Do céu nada virá que não seja natural e dispensável.



Praia da Colva, Goa, Índia



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Diga-se que pensar não é assim tão fácil.
Certos homens, estando sentados,
esforçam-se tanto por esboçar uma ideia
que acabam banhados em suor.
E entretanto cá fora: nada,
nem a carcaça do mais efémero indício
de inteligência. Cada ideia parece estar nesses cérebros
como um labirinto de que só raramente
consegue sair. Bloom pensa naquele pai e nos três filhos.
Que família coerente, murmura.

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à India, Alfragide: Caminho, 2010, Canto I , p. 52-53.

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