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05/04/2016

Um poema por lembrança

A Maria João enviou-me um poema muito bonito de Camilo Pessanha. Associei-o ao trabalho de Myra Landau que intitulo Jardim de Inverno e às fotografias: tímida Primavera e lento acordar primaveril.

Tímida Primavera

Myra Landau, Jardim de Inverno

Passarito assustado com o lento acordar primaveril 

Floriram por engano as rosas bravas

Floriram por engano as rosas bravas 
No Inverno: veio o vento desfolhá-las... 
Em que cismas, meu bem? Porque me calas 
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!... 
Onde vamos, alheio o pensamento, 
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento 
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve, 
Surda, em triunfo, pétalas, de leve 
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu! 
Quem as esparze – quanta flor! – do céu, 
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha


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