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27/03/2015

Do vazio...



V
A
Z
I
O

***

Haverá quem não partilhe este fascínio pelo facto de alguns terem arriscado a vida para manterem aberta uma escola secreta e uma Biblioteca clandestina em Auschwitz-Birkenau. Haverá quem pense que foi um acto de coragem inútil num campo de extermínio, quando há outras preocupações mais prementes: os livros não curam doenças, nem podem ser usados como armas para derrotar um exército de verdugos, não enchem o estômago nem matam a sede. É verdade: a cultura não é necessária para a sobrevivência do homem, bastam o pão e a água. É verdade que com o pão para comer e a água para beber o homem sobrevive, mas só com isso morre a humanidade inteira. Se o homem não se emociona com a beleza, se não fecha os olhos e põe em marcha os mecanismos da imaginação, se não é capaz de interrogar-se e vislumbrar os limites da sua ignorância, é homem ou é mulher, mas não é pessoa; nada o distingue de um salmão, de uma zebra ou de um boi-almiscarado.

Antonio G. Iturbe, Nota final in A Bibliotecária de Auschwitz. Lisboa: Planeta, 2014, pp. 370-71.


Em nome dos que partiram precocemente e dos que pereceram espoliados do seu ser: 
Ne me quitte pas 


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