A blusa romena é uma explosão de cor na forma ampla, generosa, excessiva, de um corpo de mulher, cujo rosto se rasga, parecia-me então, num sorriso luminoso. ( p.42)
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A História, assim mesmo: só os humanos a escrevem com letra grande, porque a investem de uma carga intemporal e metafísica que que ela não tem, pura e simplesmente porque não existe enquanto tal. Que outro vazio se esconde por detrás desta desmedida ambição de fazer História através da pequena história de acidentes e casualidades que é o destino de cada um?
António Mega Ferreira, A Blusa Romena. Lisboa: Sextante, 2008, p.45-46.