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16/06/2014

Na música... Será que há género?


Tiziano Vecellio, Sísifo, 1548-49, 
Museu do Prado (wikipedia)

... Na música, a mulher ainda por cima tem um papel secundário. Quero dizer, na realização musical criadora, na composição. A mulher tem um papel secundário. Ou será que conhecem alguma compositora célebre? Uma única? Estão a ver! Já alguma vez tinham pensado nisso? Mas deviam. Pensemos... O feminino na música. Vejamos: o contrabaixo é um instrumento feminino. Apesar do seu género gramatical é um instrumento feminino e, contudo, extremamente sério; aliás como a própria morte que é feminina na sua crueldade salvadora, isto falando em termos associativos; ou como se queira, na sua inevitável função maternal surge também, por outro lado, como complementaridade no princípio da vida, como fertilidade, terra-mãe, etcetera, tenho razão? E nesta função, falando agora outra vez em termos musicais,  o contrabaixo como símbolo da morte luta contra o Nada absoluto que ameaça simultaneamente afundar Música e Vida. Nós, os contrabaixistas, somos neste contexto os Cerbéros [sic.] nas catacumbas do Nada, ou, por outras palavras, Sísifo que carrega aos ombros, a montanha acima, a carga sensual de toda a música, ora, façam favor de reter esta imagem!

Patrick Süskind, O Contrabaixo. Lisboa: Difel, 2001, p.31



Patrick Süskind nasceu em Ambach, próximo de Munique, em 1949. O escritor não toca contrabaixo mas piano. O livrinho (66 páginas) é notável, trouxe-o da Biblioteca Municipal.

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