Lucrécia Bórgia foi o último livro que li. É uma biografia interessante escrita por Funck-Brentano. Lucrécia faleceu com 39 anos. O escritor revelou uma mulher com sentido do dever sempre que este lhe foi exigido.
Lucrécia Bórgia, desenho de Leonardo da Vinci (cortesia do Google)
Lucrécia Bórgia casou três vezes, o terceiro casamento foi com Alfonso d'Este, duque de Ferrara. O casamento, de teor político, favorecia o poder do pai, papa Alexandre VI. A duquesa de Ferrara nunca mais voltaria a Roma. Ironia do destino em Ferrara, na Universidade, estaria o humanista que iria combater a ostentação, a riqueza e a luxúria do Papa. Refiro-me naturalmente a Savonarola.
Em Ferrara nascera o sombrio e fogoso Savonarola, grande homem, grande coração, alma inflamada que achava que a vida não é feita para o divertimento e que atacou o fausto e a luxúria de Alexandre VI com tamanho encarniçamento e aspereza que o Papa, excomungando-o, acabara por o fazer morrer na fogueira.
Funck- Brentano, Lucrécia Bórgia. Porto: Livraria Tavares Martins, 1947, p. 167.
Pinturicchio ou Bernardino di Betto, possível Retrato de Lucrécia Bórgia, 1492-94
Apesar de Donizetti contribuir para espalhar uma Lucrécia frívola, e alastrar a sua má reputação, achei pertinente colocar esta ária pois é o testemunho da sua importância.

