A Primavera bateu levemente à minha porta.
Deixei-a entrar...
para depositar no meu regaço
pétalas de uma rosa que ainda não nasceu.
[Hino (atrasado) à Primavera e ao Dia da Poesia]
John William Waterhouse, Ofélia, 1894 [Wikimedia Commons]
De Caeiro, o heterónimo predilecto caiu esta pétala:
Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo.
Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo.
Apanho-te do chão e, de perto, contemplo-te de longe.
Não há rosas no meu quintal: que vento te trouxe?
Mas chego de longe de repente. Estive doente um momento.
Nenhum vento te trouxe agora. Agora estás aqui.
O que foste não és tu, se não toda a rosa estava aqui.
12-4-1919
Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994. p. 115.
De Eugénio de Andrade todas as rosas:
Hoje roubei todas as rosas dos jardins
Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.
Eugénio de Andrade (cortesia do Google)
