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23/04/2016

O Livro

“De los diversos instrumentos inventados por el hombre, el más asombroso es el libro; todos los demás son extensiones de su cuerpo… Sólo el libro es una extensión de la imaginación y la memoria.”
Jorge Luis Borges

James Charles, Reading Book, Pinterest

James Charles:

400 anos  da morte de William Shakespeare
[investigações mais recentes do historiador João Alves Dias referem que a morte do escritor ocorreu a 3 de Maio e não a 23 de Abril de 1616]
 Ler aqui.  Acrescentado às 8: 30 horas do dia 4 de Maio de 2016.

Uma coisa bela persuade por si mesma, sem necessidade de um orador.

Shakespeare, O Estupro de Lucrécia 
(citador)

26/11/2014

Uma exposição na BNP - Peregrinação

Visitei recentemente a Biblioteca Nacional de Portugal para ver três exposições: 9000 formas da felicidade: as edições Pulcinoelefante; A biblioteca do embaixador. D. García de Silva y Figueroa e Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu... O primeiro século de edições da Peregrinação (1614-1711). A segunda e última exposições estão a decorrer até 31 de Janeiro de 2015 e a primeira até 24 de Janeiro 2015.

Viajar ou viagens são sempre um sonho. Partir ao encontro de outras culturas é o mesmo que viver o "maravilhamento" que elas constituem.
Ontem numa viagem de Metro senti que há pessoas tão estranhas [Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu...]. Mas o estranho é relativo pois pode ser aquele que:
a) se diferencia do outro por ser louvável; 
b) ou por ser peculiar;
c) ou as pessoas que dói ver (falta de condições de vida);
d) ou as que têm outra cultura.

Centrei-me na última exposição referida pela mesma focar uma obra muito especial: fala de Muitas e muito estranhas cousas  - A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.


Ilustram e animam a exposição as doze gravuras abertas a buril, na Holanda, em Amesterdão, entre 1652 e 1671 e gradualmente impressas durante esse período nas edições em neerlandês e em alemão. Através delas, o texto de Fernão Mendes Pinto ganha alma. O leitor consegue ver e acompanhar a narrativa.*



«Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu... é um dos subtítulos da obra que Fernão Mendes Pinto construiu para nela narrar o muito que de extraordinário viveu e presenciou. 
















A Peregrinaçam se fosse escrita hoje, século XXI, continuaria a ser um livro polémico. Polémico porque nos mostra o descobridor português tal como ele foi: num momento aventureiro, num momento soldado, num momento ladrão, num momento mercante, num momento crente, num momento missionário, num momento embaixador, num momento homem... mas quase sempre diferente e distante daquela figura nobre e exemplar que todos gostaríamos que tivessem sido os descobridores. Fernão Mendes Pinto coloca na boca de Raja Benão, apresentado como um velho conselheiro e interlocutor do rei dos Tártaros, mas que não é mais do que um alter ego, esta apreciação sobre os portugueses: … homens que por indústria e engenho voam por cima das águas todas para adquirirem o que Deus lhes não deu, ou a pobreza neles é tanta, que de todo lhes faz esquecer a sua pátria, ou a vaidade e a cegueira que lhes causa a sua cobiça é tamanha, que por ela negam a Deus e a seus pais (cap. 122). É essencialmente por ser um livro polémico, que descreve a realidade que o Outro não conhece (ou em que não quer acreditar), conseguindo ironizar e criticar, que o seu autor recebe o ápodo de mentiroso! O próprio autor tem consciência dessa probabilidade: … que é muito para se recear contá-lo, ao menos a gente que viu pouco do Mundo: porque esta, como viu pouco, também costuma a dar pouco crédito ao muito que outros viram. (cap. 14). 

Mas não é a biografia de Fernão Mendes Pinto que nos interessa nesta exposição: 1614 nada representa na vida desse escritor que nasce em Montemor-o-Velho, circa 1510, e morre em Almada, no Pragal, a 8 de julho de 1583. O que hoje se evoca são os 400 anos que passam sobre a impressão da sua obra e o impacto, a fortuna, que a mesma teve em todo o Mundo. O que está presente é a aventura de uma obra, na vertente das suas muitas e diferentes edições ocorridas entre 1614 e 1725. O herói da exposição é o livro, enquanto livro.(...) »

*João Alves Dias, BNP


17/04/2013

Na Biblioteca Nacional - I

Mostra: Raúl Rêgo, Bibliófilo, Centenário do Nascimento 
15 de Abril a 25 de Maio 2013

Raúl Rêgo, republicano e democrata, combatente antifascista, frontal em todas as posições assumidas sem rodeios, ao longo de uma vida feita de batalhas e de coragem, foi jornalista e indiscutivelmente um dos símbolos da liberdade de imprensa...

Texto retirado da homenagem efetuada pela CML no Dia Mundial da Imprensa, 3 de Maio de 2005 


«Raúl Rêgo colecionava livros, era um dos grandes bibliófilos portugueses. Mas colecionar livros é diferente de ser bibliófilo; e ser bibliófilo também é diferente de ser um estudioso e um expert no assunto: é que um livro cerrado não traz cultura! Mas o bibliófilo não gosta apenas do livro pelo conhecimento (ou divertimento) que o mesmo lhe pode proporcionar... gosta do livro pelo cheiro, pelo formato, pela época em que foi feito, pelo autor que o escreveu, pela tipografia que o imprimiu e, também, pelo seu conteúdo. Enfim, gosta do livro pelo livro. E Raúl Rêgo era esse expert, esse bibliófilo, que se passeava de livraria em livraria na busca de saciar o seu prazer infinito. Depois de ter caçada a presa, anotava-a, estudava-a e, na maioria das vezes, escrevia sobre ela. A Biblioteca Nacional de Portugal organiza, neste momento em que passa o centenário do seu nascimento, uma mostra evocativa desse bibliófilo. Mostra que faz uma viagem entre alguns dos seus livros, objetos de estudo e de coleção – o que nos legou desses anos de investimento. A escolha incidiu entre os livros do século XVI, escolhendo daqueles apenas os que não existem nas coleções da própria BNP.»



Um dia profícuo e um fim de manhã bem passado antes da ida para a Torre do Tombo.

Encontrei Verdi na Biblioteca Nacional, onde voltarei para mostrar outras exposições, entre elas, 
Verdi & Wagner, 200 anos

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