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08/02/2016

Não fora...

Não fora as minhas flores sorrirem ao sol fugidio, não sentiria o Carnaval. 
Tal como a Colombina de Stuart Carvalhais a lembrar o Carnaval romântico de Veneza, a folia e a tristeza, o amor e a desgraça.
Carnaval o que é?
Um dia de esquecimento, a tragédia final em troca do êxtase fabricado, ...a ilusão, 
das luzes,
das taças de champagne,
dos papelinhos
e serpentinas
             que jazem no chão
                      ao bater a meia noite para
                                   a quarta-feira de cinzas.


Stuart Carvalhais, Capa da Ilustração Portuguesa nº 524, de 6 de Março de 1916 
(Hemeroteca Digital.)



Bom Carnaval!


05/10/2010

Da "República" - Carrilho, Mattoso, Oliveira Marques

No centenário da República, sublinham-se quatro pensamentos, um iconográfico, que captaram a minha atenção.
Subsiste a pergunta, o que somos para onde vamos?
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Stuart Carvalhais, ilustração para um bilhete postal de propaganda ao jornal República.
Década de 1910.

Que República?

Quando hoje olhamos para o 25 de Abril de 1974, o que vemos? Que balanço fazemos? Que sucessos, que fracassos, que impasses identificamos nós? Nos sucessos, há dados quase indiscutíveis: a estabilização da democracia, depois de quase cinco décadas de ditadura. O fim do colonialismo, depois de muitos anos de cegueira política e 13 anos de guerra. A abertura ao desenvolvimento, em contraste com a letargia do Estado Novo. Os fracassos são, naturalmente, mais controversos. (...)

No plano da democracia, o fosso entre a sua dimensão representativa e as exigências participativas tem aumentado, sem que se consiga responder com eficácia à degradação dos partidos, à descredibilização dos políticos ou ao desinteresse dos cidadãos."

Manuel Maria Carrilho, E Agora? Por uma nova República, Porto: Sextante Editora, 2010, p.61.
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"Por influência do meu pai e do ambiente familiar, confesso que a [I] República tomou uma atitude inaceitável para com a Igreja e os católicos. Teria sido muito mais inteligente se tivesse encontrado uma via de entendimento."
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José Mattoso, Revista Ler "Ao Sabor da História", nº 94 ,II Série, Livros & Editores, p.32
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Sobre o livro, o historiador escreveu:
" Tentou debruçar-se sobre os acontecimentos com esse máximo de imparcialidade que a condição humana do historiador permite. Se conseguiu ou não, o leitor dirá. Acaso a ausência de uma ideologia vulgarmente reconhecível fará destes sete pequenos capítulos uma obra de tendência "burguesa" a olhos marxistas e um livro com cheiro socialista a olhos burgueses. Oxalá assim seja, porque nada melhor aspira o autor do que a fugir aos rótulos ideológicos com que se costumam etiquetar as pessoas".
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A. H. Oliveira Marques, A Primeira República Portuguesa, Texto Editores, 2010, (2ª edição), Prefácio.

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