À medida que caminho o meu rio é cada vez mais sinuoso. Pergunto-me porquê?
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Detalhe da aguarela de Blake, The River of Life
Mexo a boca, mexo os dedos, mexoa ideia da experiência.
Não mexo no arrependimento
pois que o corpo é interno e externo
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.
Herberto Helder na folha de rosto de OFÍCIO CANTANTE (1953-1963) edição da antiga Portugália Editora. [Retirado do blogue Literatura e Arte cujo link assinalo no final].
Porque o mote que escolhi para o (IN)Cultura é "o que é ser rio e correr / o que é está-lo eu a ver". veja-se:
Yvette Centeno in Literatura e Arte
E ainda... porque ligo este mote a uma aguarela de Blake volto a colocar a sua imagem.
William Blake, The River of Life, c. 1805, Tate Britain, Londres
