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17/07/2011

A beleza da nudez, ou o nada...

A beleza da nudez, ou o nada... "nada".


Henrique Pousão, Modelo Masculino, 1881


Desenho a lápis sobre papel, Museu da Faculdade de Belas Artes, da Universidade do Porto daqui


Para ser grande, sê inteiro: nada

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


14-2-1933


Ricardo Reis, Odes de Ricardo Reis Lisboa: Ática, (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.), 1994, p. 148.


11/10/2010

Morte Prematura e um poema de amor!

Com agradecimento a bibliofilia entre parênteses que me deu a conhecer a poetisa cubana Dulce María Loynaz. Procurei a escritora, li vários poemas e escolhi Amor es para acompanhar o nu de Henrique Pousão.
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Henrique Pousão, Modelo, 1880

Henrique Pousão nasceu em Vila Viçosa, em 1859, e morreu em 1884 com tuberculose, tendo apenas 25 anos. Lamento imenso a sua morte prematura. Na minha perspectiva ele era um pintor arrojado e inovador, transcendendo os seus contemporâneos.
A posição cénica que ele escolheu para o modelo e a roupagem azul e branca cortam o rosa-lilás do fundo. A cor da tela encaixa bem com o poema de amor.


AMOR ES...Amor es...

Amar la gracia delicada
del cisne azul y de la rosa rosa;
amar la luz del alba
y la de las estrellas que se abren
y la de las sonrisas que se alargan...
Amar la plenitud del árbol,
amar la música del agua
y la dulzura de la fruta
y la dulzura de las almas dulces....
Amar lo amable, no es amor:

Amor es ponerse de almohada
para el cansancio de cada día;
es ponerse de sol vivo
en el ansia de la semilla ciega
que perdió el rumbo de la luz,
aprisionada por su tierra,
vencida por su misma tierra...

Amor es desenredar marañas
de caminos en la tiniebla:
¡Amor es ser camino y ser escala!
Amor es este amar lo que nos duele,
lo que nos sangra bien adentro...

Es entrarse en la entraña de la noche
y adivinarle la estrella en germen...
¡La esperanza de la estrella!...

Amor es amar desde la raíz negra.
Amor es perdonar;
y lo que es más que perdonar,
es comprender...
Amor es apretarse a la cruz,
y clavarse a la cruz,
y morir y resucitar ...

¡Amor es resucitar!

Dulce María Loynaz

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