Mostrar mensagens com a etiqueta Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Mostrar todas as mensagens

31/12/2022

"A história nega as coisas certas" - Feliz Ano Novo!


Columbano Bordalo Pinheiro, Natureza morta,  1899, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/pecas/ver/376

A história nega as coisas certas. Há períodos de ordem em que tudo é vil e períodos de desordem em que tudo é alto. As decadências são férteis em virilidade mental; as épocas de força em fraqueza do espírito. Tudo se mistura e se cruza, e não há verdade senão no supô-la. 

s.d.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.

  - 410.
"Fase confessional", segundo António Quadros (org.) in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol II. Fernando Pessoa. Mem Martins: Europa-América, 1986. 
http://arquivopessoa.net/textos/327 
                                                Enfim, que o futuro seja melhor!
                            Desejo a todos um Feliz Ano Novo!


Onde me apetecia estar...


Incontornável com esta canção!

Cortesia do youtube.


 

03/11/2015

Para a Margarida

Para a Margarida um dia muito Feliz!
Parabéns com muita luz.


William Orpen, Sunlight, 1925, Leeds Art Gallery

A luz e a sombra brincam com a musa,
incandescem os olhos do pintor num atelier sem cavalete.

Columbano a quem a Margarida dedicou uma parte da sua vida. :))

15/07/2012

A arte do Retrato para a Margarida!

Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Ida Bordalo Pinheiro e Virgínia Lopes de Mendonça (1910) 



[Columbano] Mostra-nos uma sobrinha sentada, virada de frente, concentrada sobre a leitura de um livro, enquanto atrás de si, espreita a outra sobrinha, encarando furtivamente o espectador. A que está a ler é provavelmente Virgínia (1881-1969), que foi escritora de contos infantis. As duas estão elegantemente vestidas, em traje de passeio, denotando a efemeridade do momento captado, o que é comum a muitos retratos de mulheres na obra de Columbano (...).
O quadro foi pintado de uma forma larga, sem detalhe, num estilo vaporoso que recorda os retratos de Besnard ou de Sargent, que Columbano admirava. (...) Na obra de Columbano não havia a mesma leveza mundana que existia nas obras de outros artistas (Sargent ou Boldini, por exemplo), e os seus retratos são geralmente ensombrados pelo peso da realidade. 

Margarida Elias, Columbano no seu Tempo (1857-1929), Tese de doutoramento apresentada na Universidade Nova, Lisboa,.  p.319-20


Margarida Elias, na sua tese, defendeu brilhantemente as influências internacionais e a especificidade da pintura de Columbano Bordalo Pinheiro.
Sendo apenas uma apaixonada pela arte deixo, à Margarida, uma visão sobre pintores do crítico de arte Fernando Flórez que julgo se pode aplicar a Columbano.
Gosto muito deste retrato de Ida e de Virgínia pois tem uma atmosfera tão interessante!
Obrigada Margarida pelo barco de Papel. :)


István Orasz, Horror vacui (horror ao vazio), 2006*

El artista avanza, retrocede, se inclina, entorna los ojos, se comporta con todo su cuerpo como um accesorio de su ojo, se convierte entero en órgano de visión, enfoque, regulación e puesta a punto.

Fernando Castro Flórez (crítico de arte), El dibujo como forma de pensamiento,Catálogo da exposição nulla dies sine, Dibujo Español Contemporáneo, Madrid:Ministerio da Cultura, 2010, p.17. 





* Juntei a ilustração de István porque joga com as palavras de Flórez.

29/02/2012

Espelho com auto-retrato

Um auto-retrato suis generis do outro lado do espelho, em especial para a Margarida!


Retrato de D. José Pessanha, 1885


Óleo sobre madeira, 35 x 27 cm
Museu do Chiado - Museu Nacional Arte Contemporânea, Lisboa (Matriznet)



«A maior influência na obra de Columbano vem da arte do século XVII, sobretudo da pintura espanhola e nomeadamente de Velásquez. (...) a sua pintura liga-se bem com o tenebrismo seiscentista. (...). Na pintura tenebrista, o claro escuro define as formas, recria volumes, deixando iluminado apenas aquilo que se quer deixar em evidência Devemos assinalar que o tenebrismo, criado por Caravaggio, iria dominar grande parte da pintura seiscentista, desde Espanha até aos Países Baixos.»


Margarida Elias, Columbano Bordalo Pinheiro, Pintores Portugueses, Matosinhos: QN- Edição de Conteúdos, S.A., p. 49-50.


Michelangelo Merisi da Caravaggio, Auto-retrato [provável?]

16/10/2010

"Galope furioso através da Vida e do Sonho"

Uma das mensagens do livro de Margarida Elias fez-me chegar a esta conclusão: Portugal não é pequeno. A abertura ao mundo, as influências e reciprocidades entre pintores tornaram este país igual entre os seus pares.
O papel de Fantin-Latour, Rembrandt, Zurbarán, Chardin, Goya, Courbet, Henner, Manet, Degas, Palmaroli, Carolus-Duran, Ribot, Deschamps, Carrière, Blanche, Whistler, El Greco, Caravaggio ... na arte de Columbano tornaram-no universal. A influência de alguns destes pintores foi para mim reveladora porque nunca fizera tal associação. Hoje vejo Columbano com outros olhos, com olhos de ver! Obrigada Margarida.
x
No final de 1898, Raul Brandão asseverou que " a pintura de Columbano, como certos poentes, como saudades, torna-nos contemplativos: é a sensação de uma beleza grave, harmónica. Os seus quadros têm a cor das velhas catedrais, o tom do granito envelhecido ao Sol..., *p. 71

Columbano Bordalo Pinheiro, Auto-retrato, ca. 1929

Óleo sobre tela, 92 x 69 cm, Museu do Chiado, Lisboa


«... quem via a obra "do grande pintor" tinha a impressão de ver um

"galope furioso através da Vida e do Sonho". »
Raul Brandão, p. 68*

*Margarida Elias, Columbano Bordalo Pinheiro, Pintores Portugueses, Matosinhos: Quidnovi, 2010, p. 68 e 71

13/10/2010

Um Retrato

Com os meus parabéns a Margarida Elias. Foi um prazer ler este livro e descobrir novas facetas em Columbano Bordalo Pinheiro.
x
Retrato de Maria Cristina Bordalo Pinheiro, 1912
(detalhe)
Óleo sobre tela 150 x 130 cm, Museu do Chiado, Lisboa


"O Retrato de Maria Cristina Bordalo Pinheiro corresponde a uma tentativa de Columbano conferir maior claridade à sua paleta e maior graciosidade aos seus modelos, seguindo o conselho de Batalha Reis de dar mais "variedade à sua obra variando nos retratos". A alusão ao lento ritual do chá bem como à sereniddade da pose constituem valores estáticos que contrastam com certos elementos do trajo que indiciam a sua ruptura iminente. Com efeito, o chapéu sobre a cabeça e a sombrinha na mão indicam que ela estava entre dois tempos, tendo acabado de entrar ou estando prestes a sair, sendo que o pintor a cristalizou num momento de fruição doméstica, anterior ou posterior a uma experiência de mundaneidade".
x
Margarida Elias, Columbano Bordalo Pinheiro, Pintores Portugueses, Matosinhos: Quidnovi, 2010, p. 77.

UM MONGE PINTOR
"Em Portugal , Columbano vai aumentar o número dos seus admiradores, criando-se uma mitificação em torno da sua personalidade que era alimentada pela crítica. O seu nome era associado com vocábulo religioso, relacionado com a natureza monacal da sua vida (18/3/1912)".

Margarida Elias, p. 78-79 ob. cit.

Depois de ler este trecho compreendi melhor Columbano. Viajei num período da História portuguesa conturbado e pude apreciar a evolução cromática do pintor.
Há uma tela de Columbano de que gosto especialmente: Inês de Castro, de 1902, que está no Museu Militar. Um dia destes colocá-la-ei.
Obrigada Margarida!

Arquivo