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06/10/2010

Um Auto-retrato que Brinca Connosco !

Escher com a sua arte ilusória brinca connosco. O seu trabalho é apaixonante!
Dedicado a todos os que me visitam e em especial a Presépio no Canal por viver na Holanda, país deste ilustrador.
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M. C. Escher, Auto-retrato

Escher
"(...) apesar de não possuir qualquer conhecimento ou treino nas ciências exactas, sinto muitas vezes que tenho mais em comum com os matemáticos do que com os meus colegas artistas..."

(1967, cit. in APM, 1998, p.9)

Um globo reflector está na mão do artista. Neste espelho ele pode ter uma visão muito mais completa do ambiente onde está, através da observação directa - quatro paredes, o chão e tecto do seu quarto - está comprimido, embora torcido, dentro deste pequeno disco. A sua cabeça, ou para ser mais preciso, o ponto entre os olhos dele, entra no centro absoluto. O ego é o caroço inabalável do seu mundo .
Retirei do link assinalado,
FCUL

28/04/2010

Poema, (A plenitude do silêncio)

M. C. Escher,''Still Life with Spherical Mirror'', Lithograph, 1934.


POEMA

Nunca gozei a plenitude do silêncio,
esse estado de alma que nos faz
reverter à pureza virginal
como um pássaro pousado no infinito.

No limiar de cada passo,
de cada gesto, de cada verso,
há um íntimo rumor de vozes
a acordar a quietude azul do céu.

Se eu pudesse isolar esse murmúrio
descobriria o viso que demarca
o silêncio casto, a liberdade,
do metal opressivo das palavras.

António Arnaut, As noites Afluentes, Coimbra: Coimbra Editora, 2001, p. 151

21/04/2010

Alegoria, Nuno Júdice!

Escher, Ambidextrous Peeled Faces




ALEGORIA


Mudança: chave de tantas figuras
que construíram o poema, moldaram a
sua forma, abriram à sonoridade do
crepúsculo os versos inúteis, a passagem das
sombras que procuram o abrigo do tempo,
sonhando o destino perecível do humano,
não as expulses de dentro da esperança,
condenando-as à imobilidade da treva;
abre-lhes a porta luminosa do fim -
revelando, num parêntesis de eternidade,
o rosto mortal que enuncia o instante.


Nuno Júdice, As Regras da Perspectiva, Lisboa: Quetzal, 1990, p.7

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