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09/09/2017

Outra face do Brasil


Cada vez mais  eu escrevo 
com menos palavras. Meu livro
melhor acontecerá quando
eu de todo não escrever.

Clarice Lispector in

Exposição: Clarice Lispector, Na Hora da Estrela, Fundação Calouste Gulbenkian, 2009




14/11/2015

La Mer

(Por vezes não há fronteiras entre o mar e o céu a não ser uma linha ténue no horizonte. )


Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou. 

Clarice Lispector, A Hora da Estrela. Lisboa: Relógio de Água, 2002, p. 13.



03/10/2014

Melancolia!

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, 2013


Cada vez mais eu escrevo
com menos palavras. Meu livro
melhor acontecerá quando
eu de todo não escrever.

Clarice Lispector - Esboço para um possível retrato, de Olga Borelli

01/10/2014

Quero...

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, 2013


Outono no Parque


No dia da música  Santa Cecilia suona la spinetta, c.1620 (da autoria de Orazio Gentileschi ou da sua filha Artemisia Gentileschi ?),


18/11/2013

Áureo - um enigma para mim...

O número de ouro ou as divinas proporções são para mim um enigma. Já admirei inúmeras vezes os seus resultados mas continua a ser um desafio. Quedei-me nesta questão ao pensar na perfeição.

A Perfeição
O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. Apesar da verdade ser exata e clara em si própria, quando chega até nós se torna vaga pois é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição. 
 Clarice Lispector, in A Descoberta do Mundo (Citador)

Em Busca da Beleza


Soam vãos, dolorido epicurista, 
Os versos teus, que a minha dor despreza; 
Já tive a alma sem descrença presa 
Desse teu sonho, que perturba a vista. 

Da Perfeição segui em vã conquista, 
Mas vi depressa, já sem a alma acesa, 
Que a própria idéia em nós dessa beleza 
Um infinito de nós mesmos dista. 

Nem à nossa alma definir podemos 
A Perfeição em cuja estrada a vida, 
Achando-a intérmina, a chorar perdemos. 

O mar tem fim, o céu talvez o tenha,
Mas não a ânsia da Coisa indefinida 
Que o ser indefinida faz tamanha. 


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" (Citador)

Leonardo Da Vinci, O Homem do Vitrúvio, 1485-1490, Galleria dell' Accademia, Veneza. Daqui
File:Da Vinci Vitruve Luc Viatour.jpg

\varphi = \frac{1 + \sqrt{5}}{2} \approx 1,61803398874989...

En 1509 el matemático y teólogo Luca Pacioli publicó De Divina Proportione (La Divina Proporción), donde plantea cinco razones por las que estima apropiado considerar divino al número áureo: La unicidad; Pacioli compara el valor único del número áureo con la unicidad de Dios. El hecho de que esté definido por tres segmentos de recta, Pacioli lo asocia con la Trinidad. La inconmensurabilidad; para Pacioli la inconmensurabilidad del número áureo y la inconmensurabilidad de Dios son equivalentes. La autosimilaridad asociada al número áureo; Pacioli la compara con la omnipresencia e invariabilidad de Dios. Según Pacioli, de la misma manera en que Dios dio ser al Universo a través de la quinta esencia, representada por el dodecaedro; el número áureo dio ser al dodecaedro. (Retirado da página acima assinalada)

 “La geometría tiene dos grandes tesoros: uno es el teorema de Pitágoras; el otro, la división de una línea entre el extremo y su proporcional. El primero lo podemos comparar a una medida de oro; el segundo lo debemos denominar una joya preciosa”
Johannes Kepler en Mysterium Cosmographicum (El Misterio Cósmico).

Albrecht Dürer  (cortesia google em pdf)

En 1525, Alberto Durero publicó Instrucción sobre la medida con regla y compás de figuras planas y sólidas donde describe cómo trazar con regla y compás la espiral áurea basada en la sección áurea, que se conoce como “espiral de Durero”.

Jacopo dei Barbari Luca Pacioli e o duque de Guidobal, depois de 1516, 
Museu de Capodimonte,  Nápoles (Commons Wikimedia)
File:Jacopo de' Barbari - Portrait of Fra Luca Pacioli and an Unknown Young Man - WGA1269.jpg


09/09/2012

Mulheres - Irene Lisboa, Clarice Lispector e Ondina Braga

Charles Courtney Curran, Antes da Guerra, 1913


Por mão amiga recebi notícias de Irene Lisboa evocada por Luísa Dacosta e por Paula Morão. Obrigada Maria João do blogue "O Falcão de Jade".
Após a leitura das notícias, lembrei-me de duas mulheres mais novas, mas ainda assim contemporâneas, que se notabilizaram seguindo a mesma escrita intimista: Clarice Lispector (1920-1977) e Maria Ondina Braga (1932-2003).
Com estilos de vida diferentes, pertencendo a gerações diferentes, a vida destas três mulheres cruza-se através da palavra portuguesa: solidão.
Ter-se-ão conhecido?
Nada sei sobre uma possível ligação. O mais provável é nem se terem conhecido.
Todavia, em locais dispersos, com realidades peculiares, as três mulheres têm, a meu ver, algo em comum. O que me fez refletir que em cada canto do mundo, sem que as pessoas se apercebam, a fonte da vida é a mesma, as energias são iguais, os anseios são os mesmos, não importa a religião, o poder político ou o poder económico. Quero com isto dizer que as sombras são as mesmas, todos temos uma caverna e é dela que partimos para traçar os dias.

IRENE LISBOA 
Irene Lisboa , com 24 anos, fotografia retirada do
Quinzenário Literário:Educação Feminina, 1 de Abril, 1913, nº I
«...
Gostava de escrever com um fio de água.
um fio que nada traçasse
Fino e sem cor, medroso...»
Irene Lisboa

[Irene Lisboa]
Morreste em Novembro de 1958 e para mim tinhas nascido tão tarde! Só em 1956 - Lembras-te? Foi António Sérgio que nos apresentou, num concerto. (...) A natureza foi o teu espelho e exaltação. criaste-lhe uma alma, sentias a água a chorar, e o impossível corporizava-se, sob os teus olhos, na rapariga de pedra.

Luísa Dacosta, "Um Perfil e Uma Obra. Irene Lisboa in Vida mundial. Lisboa. Nº 1636 (16 Out. 1970), p. 41-52.

Segundo Paula Morão, Irene Lisboa no livro, o pouco e o muito, descreve a chuva violenta que cai lá fora ordenada em três linhas de fuga: o tema do isolamento (corolário da solidão); a metáfora da linguagem e a auto-análise, «eu que faço?», «eu que escrevo o quê?» e em «eu quem sou?».
Paula Mourão interliga a escritora com o intersecionismo modernista, nomeadamente, com Álvaro de Campos de "Tabacaria" pelo recurso comparativo e pelo tema da solidão; e no tema da chuva aproxima-a à "Chuva Oblíqua" ou de "Chove?" de Fernando Pessoa.; perfila-a na sombra de Cesário Verde de "Contrariedades"; e ainda, enquadra-a na escrita de Camilo Pessanha. Concluiu que era "interessante notar como em todos os casos se trata de poetas que estiveram à frente do seu tempo, suscitando problemas de avaliação crítica e de reconhecimento, como veio acontecer com Irene Lisboa".

Paula Morão, "Notas sobre o estilo de Irene Lisboa", Irene Lisboa: 1892-1958 [catálogo], pp.31-38, Lisboa: Biblioteca Nacional, 1992 .

CLARICE LISPECTOR

Carlos Scliarp (1920-2001), Retrato de Clarice Lispector, 1972. Daqui



Apenas isso: chove e estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva.
Clarice Lispector

ONDINA BRAGA
Maria Ondina Braga, Cortesia do Google
Chovia a potes. Muito pretendido, àquela hora, muito requisitado, o condutor: tlim-tlim! Grosseiro, o condutor? Dava-se-lhe um desconto. Pang-yau de manhã à noite a pedalar de costas curvadas, que ganhava o pobre que lhe sobrasse para cortesia? Elas pelo menos assim o entenderam, pulando uma atrás da outra para dentro do coche, rápidas, encharcadas, a abrigar-se, a enxugar o rosto molhado. Para onde quer ir?, perguntou então a professora da Escola Chinesa. Ora, para onde quero ir!... Num domingo de chuva em Macau tudo quanto se podia desejar era um sam-lun-ché, não era? Riram, radiantes, e não só por terem conseguido transporte como pelo encontro, pela convivência. Abotoavam as bandas do oleado que as cobria da cabeça aos pés. Diga-lhe que nos leve sem destino, queremos é matar o tempo!, propôs Ester. Sem destino? Xiao franzia o sobrolho. Não. Isso sem destino o homem não compreendia.

Maria Ondina Braga, Nocturno em Macau. Lisboa:Editorial Caminho, 1991.

O vídeo clip é surreal e a meu ver comunga com a solidão, o fio condutor desta postagem

 

25/11/2011

"Com ela era «assim»". (Pelo Fado 4)

Há dias em que nos sentimos Outono...






Numa rua em que a árvore pereceu nasceram cogumelos!



Não chorava por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido outros modos de vida, aceitara que com ela era «assim». Mas também adivinhava creio que chorava porque, através da música, adivinhava talvez que havia outros modos de sentir, havia existências mais delicadas e até um certo luxo da alma.

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, Lisboa: Relógio d’Água, 2002p. 55-56.




Pelo Fado


A (minha) Diva do Fado


20/10/2011

A verdade?

Cais das colunas, rio Tejo



- Você, Macabéia, é um cabelo na sopa. Não dá vontade de comer. Me desculpe se eu lhe ofendi, mas sou sincero. Você está ofendida?
- Não, não, não! Ah por favor quero ir embora! Por favor me diga logo adeus!

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, Lisboa: Relógio d’Água, 2002, p. 66


26/09/2011

Das flores - Clarice Lispector

Do apontamento no meu caderninho sobre a dolencia das flores, frase que já referi, fui à procura do texto de Clarice e encontrei-o no Pensador.

Rosas de Outono

Agora vou falar da dolencia das flores para sentir mais a ordem do que existe. Antes te dou com prazer o néctar, suco doce que muitas flores contém e que os insetos buscam com avidez. Pistilo é o orgão feminino da flor que geralmente ocupa o centro e contém o rudimento da semente. Pólen é pó fecundante produzido nos estames e contido nas anteras. Estame é o orgão masculino da flor. É composto por estilete e pela antera na parte inferior contornando o pistilo. Fecundação é a união de dois elementos de geração - masculino e feminino - da qual resulta o fruto fértil.
“E plantou Javé Deus um jardim no Éden que fica no Oriente e colocou nele o homem que formara”(Gen.11-
Quero pintar uma rosa.
Rosa é flor feminina que se dá toda e tanto que para ela só resta alegria de se ter dado. Seu perfume é mistério doido. Quando profundamente aspirada toca no fundo íntimo do coração e deixa o interior do corpo inteiro perfumado. O modo de ela se abrir em mulher é belíssimo. As pétalas tem gosto bom na boca - é só experimentar. Mas a rosa não é it. É ela. As encarnadas são de grande sensualidade. As brancas são a paz do Deus. É muito raro encontrar na casa de flores rosas brancas. As amarelas são de um alarme alegre. As cor de rosa são em geral mais carnudas e tem a cor por excelência. As alaranjadas são produto de enxerto e são sexualmente atraentes.
Preste atenção e é um favor: estou convidando voce a mudar-se para um reino novo.
Já o cravo tem uma agressividade que vem de certa iritação. São ásperas e arrebitadas as pontas de suas pétalas. O perfume do cravo é de algum modo mortal. Os cravos vermelhos berram em violenta beleza.
Os brancos lembram o caixão de criança defunta: o cheiro então se torna pungente e a gente desvia a cabeça para o lado com horror. Como transplantar o cravo para a tela?
O girassol é o grande filho do sol. Tanto que sabe virar sua enorme corola para o lado de quem o criou. Não importa se é pai ou mãe. Não sei. Será o girassol flor feminina ou masculina? Acho que é masculina.
A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca seu perfume.Violeta diz levezas que não se podem dizer.
A sempre-viva é sempre morta. Sua secura tende à eternidade. O nome em grego quer dizer: sol de ouro.
A margarida é florzinha alegre. É simples e à tona da pele. Só tem uma camada de pétalas. O centro é uma brincadeira infantil. A formosa orquídea é exquise e antipática. Não é expontânea. Requer redoma. Mas é mulher esplendorosa e isto não se pode negar. Também não se pode negar que é nobre porque é epífita. Epífitas nascem sobre outras plantas sem contudo tirar delas a nutrição. Estava mentindo quando disse que era antipática. Adoro orquídeas. Já nascem artificiais, já nascem arte.
Tulipa só é tulipa na Holanda. Uma única tulipa simplesmente não é. Precisa de campo aberto para ser.
Flor dos trigais só dá no meio do trigo. Na sua humildade tem a ousadia de aparecer em diversas formas e cores. A flor do trigal é bíblica. Nos presépios da Espanha não se separa os ramos de trigo. É um pequeno coração batendo.
Mas angélica é perigosa.Tem perfume de capela. Traz êxtase. Lembra a hóstia. Muitos tem vontade de come-la e encher a boca com o intenso cheiro sagrado.
O jasmim é dos namorados. Dá vontade de por reticências agora. Eles andam de mãos dadas, balançando os braços, e se dão beijos suaves ao quase som odorante do jardim.
Estrelícia é masculina por excelência. Tem uma agressividade de amor e de sadio orgulho. Parece ter crista de galo e o seu canto. Só que não espera pela aurora. A violencia de tua beleza.
Dama-da-noite tem perfume de lua cheia. É fantasmagórica e um pouco assustadora e é para quem ama o perigo. Só sai de noite com seu cheiro tonteador. Dama-da-noite é silente.
E também da esquina deserta e em trevas e dos jardins de casas de luzes apagadas e janelas fechadas.
É perigosíssima: é um assobio no escuro, o que ninguém aguenta. Mas eu aguento porque amo o perigo. Quanto à suculenta flor de cáctus, é grande e cheirosa e de cor brilhante. É a vingança sumarenta que faz a planta desértica. É o explendor nascendo da esterelidade despótica.
Estou com preguiça de falar da edelvais. É que se encontra à altura de tres mil e quatrocentros metros de altitude. É branca e lanosa. Raramente alcançável: é a aspiração.
Gerânio é flor de canteiro de janela. Encontra-se em São Paulo no bairro do Grajaú e na Suiça. Vitória-régia está no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Enorme até quase dois metros de diametro. Aquáticas, é de se morrer delas. Elas são o amazônico dinossauro das flores. Espalham grande tranquilidade.
A um tempo majestosas e simples. E apesar de viverem no nível das águas elas dão sombras. Isto que estou te escrevendo é em latim: de natura florum. Depois te mostrarei o meu estudo já transformado em desenho linear.
O crisântemo é de alegria profunda. Fala através da cor e do despenteado. É flor que descabeladamente controla a própria selvageria.
Acho que vou ter que pedir licença para morrer. Mas não posso, é tarde demais. Ouvi o Pássaro de Fogo - e afoguei-me inteira.
Tenho que interromper porque - eu não disse? eu não disse que um dia ia me acontecer uma coisa? Pois aconteceu agora mesmo.”

Clarice Lispector, Água Viva (1973)


Gostava de megulhar num mar de flores... e adormecer.

19/09/2011

Flores

Agora vou falar da dolencia das flores para sentir mais a ordem do que existe.


Clarice Lispector in Água Viva (escrito no meu caderninho).


Castelo de Alicante, Espanha


As flores são surpresas e a coisa mais bonita que conheço.

09/09/2011

"O faz de conta"

Pieter Brueghel, o velho, detalhe de "Provérbios Flamengos", 1599
(A capa da falsidade) A minha leitura aqui é faz de conta

Óleo sobre madeira, 117 x 163 cm, Museu de Berlim, Alemanha





Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Lisboa: Relógio de Água, 1999, p.12.

06/09/2011

Leitura de férias - 4, Clarice Lispector

On the road in Spain



O silêncio é a profunda noite secreta do mundo. Não se pode falar de silêncio como se fala da neve: sentiu o silêncio dessas noites? Quem ouviu não diz. Há uma maçonaria do silêncio que consiste em não falar dele e de adorá-lo sem palavras.




Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Lisboa: Relógio de Água, 1999, p.31

15/05/2011

O vento é ira, ira é vida - cidade de Lorca

A pensar nos habitantes de Lorca que padecem da ira da natureza


Marc Chagall, Orfeu. 1913-1914.




Óleo sobre tela, 42.5x56.2 cm. Colecção privada.

Silêncio

Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento.
O vento é ira, ira é a vida.

Clarice Lispector, Contos de Clarice Lispector, Lisboa: Relógio de Água, 2006, p. 264.

12/05/2010

Olhar perdido numas bolas de sabão!

Não conhecia Thomas Couture. Ao procurar bolas de sabão na pintura por gostar da transparência e da luz que elas podem retratar encontrei este pintor francês. Neste quadro o que me intrigou foi a melancolia do jovem rapaz que parece olhar para o vazio, perdido em pensamentos, em vez de sorrir para a transparência que se desfaz!
x
Thomas Couture Bolas de Sabão,c.1859

Óleo sobre tela, 130.8 x 98.1 cm

O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.



4 versos do Poema Sonho de
Clarice Lispector

10/05/2010

Faltam as palavras...


"Há muita coisa a dizer que não sei como dizer. Faltam as palavras. Mas recuso-me a inventar novas: as que existem já devem dizer o que se consegue dizer e o que é proibido. E o que é proibido eu adivinho. Se houver força. Atrás do pensamento não há palavras: é-se. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Nesse terreno do é-se sou puro êxtase cristalino. È-se. Sou-me. Tu te és."

Clarice Lispector, Água Viva, Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998. p. 27

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