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14/05/2015

a ilha

O regresso ao escritor Sándor Márai deve-se ao título: a ilha. Há algo de idílico no que representa uma ilha. Será aquele espaço finito o paradigma da libertação? 


Ao chegar a casa, abriu uns livros atrás dos outros e começou a ler em voz alta. Eram livros antigos e bem conhecidos, e reparou com surpresa que essa surdez interna mudava conforme o texto: ao ler Platão, não ouvia nada, mas agarrou o jornal e começou a ler o editorial, um antigo grandíloquo sobre a missão cultural dos colonizadores franceses, e ouviu e entendeu cada som daquele texto fútil.

Sándor Márai, a ilha. Lisboa: D. Quixote, (traduzido do húngaro por Piroska Felkai) 2012, (2ª edição), p. 98.

Um livro estranho, intenso, de perdas e não de vitórias, nem fugas. Em síntese Carpe Diem: a escolha entre a felicidade esperada ou a ruptura e o abismo. O que valem as escolhas?



05/12/2010

Será o destino pertença de cada um ?

Peste vista de Buda, Budapeste, Húngria

Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com acções o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu carácter.

Sándor Márai, As Velas Ardem Até Ao Fim, Lisboa: D. Quixote, 2001

Ler um livro é viajar daí o meu regresso a Budapeste.,Húngria que é a pátria de Sándor Márai. Voltei a lembrar-me dele por causa da palavra destino que surgiu na leitura de um outro livro. Será o destino pertença de cada um?

Brahms, sinfonia nº 3


01/11/2010

Ainda a chuva... leituras

Ao sabor da chuva veio-me à memória um livro que li em 2001, quando foi publicado pela D. Quixote, As Velas Ardem Até Ao Fim, de Sandór Marái. Estive para o levar para a Hungria para reler durante a minha estadia naquelas paragens. Não o levei. A chuva, a melancolia, as constantes perguntas sobre o que é a vida levaram-me ontem, ao seu encontro, numa tarde de Domingo.
Qual é o significado da vida?
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Claude Monet, Cliffs at Pourville, Rain, 1896


A chuva bate oblíqua na minha janela...
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Cry Me a River. [Nota - a vida é como um rio que corre]
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«Eros está no fundo de todos os afectos, de todas as relações humanas. (...) Li e reli Platão também várias vezes, porque na escola ainda não o tinha percebido. A amizade, pensava eu - e tu, que andaste mais perto pelo mundo fora, certamente sabes mais e melhor que eu, aqui na minha solidão campestre - , é a relação humana mais nobre que pode haver entre os seres humanos. É curioso, os animais conhecem-na também. Existe amizade, altruismo, solidariedade entre os animais».
p.81
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«Pensas também que o significado da vida não seja outro senão a paixão, que um dia invade o nosso coração, a nossa alma e o nosso corpo, e depois arde para sempre até à morte? Aconteça o que acontecer? E que se nós vivemos essa paixão, talvez não tenhamos vivido em vão? É assim tão profunda, tão maldosa, tão grandiosa e desumana a paixão?... E talvez não se dirija a uma pessoa em concreto, mas apenas ao desejo do mesmo? ... Essa é a pergunta. Ou dirige-se a uma pessoa em concreto, desde sempre e para sempre à única e mesma pessoa misteriosa, que pode ser boa ou má, mas cujas acções e qualidades não influenciam a intensidade da paixão que nos une a ela?»
p.152
ee as velas arderam até ao fim...
Sándor Márai, As Velas Ardem Até Ao Fim, Lisboa: D. Quixote, 2001, p.81 e 152.

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