Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741). Mostrar todas as mensagens

18/08/2023

Azul de Veneza para uma amiga!

Parabéns, Isabel!
Desejo que seja um dia muito feliz para recordar por muitos anos. 


De Veneza este azul de Rossi.

Gino Rossi, Marina - Douarnenez (c. 1910);  Venice, 
Galleria Internazionale di Arte Moderna Ca’ Pesaro




https://www.finestresullarte.info/en/exhibition-reviews/gino-rossi-the-ca-pesaro-rebel-on-display-in-venice

Beijinho com as palavras de um amigo sobre Veneza. :))

Não posso achar Veneza nem decadente nem triste.

É uma cidade que conheço como nenhuma, que amo especialmente.

Em nenhum outro lugar vivi tão intensamente. [...]

Veneza é uma cidade viva. Em Veneza, quando o incauto a julga a dormir, acontecem histórias das mil e uma noites.


Manuel Poppe no IN(Cultura) dia 24-4-2015 
(https://sonhar1000.blogspot.com/2015/04/dialogo-com-manuel-poppe-no-seu.html)

Vivaldi- Extravagância

16/03/2019

Transparência



Plano

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.


Retirado daqui: https://www.escritas.org/pt/t/1650/plano

 

23/02/2019

Pela noite dentro...



Pela noite dentro...


Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem 
E abandonei os jardins do paraíso 

Cá fora à luz sem véu do dia duro 
Sem os espelhos vi que estava nua 
E ao descampado se chamava tempo 

Por isso com teus gestos me vestiste 
E aprendi a viver em pleno vento 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'  (citador)


29/06/2018

Claro/ escuro

Claro/escuro de dentro para fora

(...)

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

(...)



7-11-1915
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). p. 83.



Larghetto & Andante Molto Ah, ch'infelice sempre Me vuol Dorilla ingrata, Ah sempre piú spietata, Mi stringe à lagrimar. Per me non v'è ristoro Per me non v'è speme. E il fier martoro e le mie pene Solo la morte può consolar. Counter-tenor: Andreas Scholl Ensemble 415 dir.: Chiara Banchini http://www.harmoniamundi.com/home?vie... Painting: Portrait of a Young Girl by Pietro Antonio Rotari

22/08/2017

Ginjinha!

O pecado da gula - o que resta da ginjinha, mas acreditem despareceu tudo.


O local do crime


Uma das entradas no Castelo de Ourém


O meu portal


Grafismos no portal aberto para o infinito.


A hora da partida... (?)


                              

É mais fácil com uma mão
dez estrelas agarrar
fazer o sol esticar
reduzir o mundo a grude
mas ginja com tal virtude
é difícil encontrar.

[Versos a decorar as paredes da Ginjinha do Rossio]
Gabriela Carvalho, A Baixa de Lisboa, Lisboa: Inapa, 2005

Solista -Mari Silje Samuelsen

05/08/2017

Barco(s)

Barco em terra

Barcos

Um por um para o mar passam os barcos
Passam em frente de promontórios e terraços
Cortando as águas lisas como um chão


E todos os deuses são de novo nomeados
Para além das ruínas dos seus templos


In «Mar», antologia com poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen (com “Nota” de Maria Andresen de Sousa Tavares e “Posfácio” – reedição da primeira recensão feita ao primeiro livro de Sofia, «Poesia», publicado em 1944 – da autoria de Francisco de Sousa Tavares), Editorial Caminho, Lisboa, Fevereiro de 2002 (4.ª edição).

Poema retirado daqui


Anderson & Roe's "A Rain of Tears" for two pianos, based on Antonio Vivaldi's "Sento in seno ch'in pioggia di lagrime" ("I feel within a rain of tears")

15/07/2017

A luz - "em sonho"

O que se procura é a luz!

Sagrada Família, Barcelona



A inacção consola de tudo.    [Será?]


A inacção consola de tudo. Não agir dá-nos tudo. Imaginar é tudo, desde que não tenda para agir. Ninguém pode ser rei do mundo senão em sonho. E cada um de nós, se deveras se conhece, quer ser rei do mundo.
Não ser, pensando, é o trono. Não querer, desejando, é a coroa. Temos o que abdicamos, porque o conservamos, sonhando, intacto eternamente à luz do sol que não há, ou da lua que não pode haver.

s.d.


Bernardo Soares, Livro do Desassossego. Vol.I,(Organização e fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha.) Coimbra: Presença, 1990. p.221.


16/03/2017

O riso do Astro-Rei

« (…) O riso é o final do racional; o pranto é o uso da razão (…) 
Há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso:
 chorar com lágrimas é sinal de dor moderada, 
chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; 
e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva...»

O Pranto e o Riso ou as Lágrimas de Heráclito
Discurso integral do Padre António Vieira, 
em Roma no ano de 1674, a convite da Rainha Cristina da Suécia

Paulo Neves da Silva, Citações e Pensamentos de Padre António Vieira, Alfragide: Casa das Letras, 2010, p. 30.

O riso do Astro-Rei

Nasce a levante o Astro-Rei,
não há ruído senão o som da Natureza,
como o marulhar do mar que não está presente.

Contraste de cores, preto, amarelo - ocre,
paleta quase fauve com traço naturalista 
desenha-se no horizonte visível.

O livro aberto, as páginas escolhidas,
as letras sublinhadas resultam da leitura obrigatória,
esquecimento do sonho risível,
do diálogo entre o choro e o riso.

O choro dos tolos é fácil de brotar,
o riso dos fracos fortalece o pensamento,
constrói uma torre de Babel...
Chorar com riso é sinal que se vive sem viver.



15/01/2017

Do apolíneo ao dionísiaco

Do apolíneo ao dionísiaco

Salvator Rosa, La menzogna (1635-1673), 

Galleria Palatina di Palazzo Pitti a Firenze
daqui
Imagem relacionada
Apolo nasce virtuoso,
cumpre o destino luminoso.
Dionísio canta pela noite
a sombra e os gracejos do prazer.

Apolo transporta as pautas musicais,
o espanto perante a melodia.
Dionísio traz consigo as uvas e o mel,
a bebida do esquecimento.

Apolo beija as flores da manhã,
escuda com a luz a fragilidade humana.
Dionísio traz a máscara do teatro,
num esgar mostra a verdade e a mentira.

A máscara de Apolo é dourada,
a de Dionísio é negra, da cor do carvão.
Botticelli pintou Apolo
e Caravaggio pintou Dionísio.

Ergo o espelho do chão e vejo
Apolo transformar-se em Dionísio
e Dionísio transformar-se em Apolo.
Apolo e Dionísio são uma e a mesma pessoa.

ana

08/07/2016

Sem título* - GA

Um presente da minha amiga Graça, "pastinhas" da Casa de Infância Doutor Elísio de Moura com poemas que são vendidos na altura da queima das fitas. O dinheiro reverte para a casa que acolhe meninas desde a infância até aos 20 anos. O poema é da Graça.

Flores do campo

da minha janela vejo o vento
que tu não vês
gosto de navegar
no baloiço dos teus olhos
na liquidez das suas palavras
e rio-me
como uma criança inocente
à descoberta do mundo por abrir
sinto o aroma das searas
a entrar-me pelos poros
e escrevo a beleza dos dias tristes
recuso a calmaria das marés
sem gritos e sem pressas
a solidão disfarçada
esse andar devagar
o meu corpo é uma chama ardente
a clamar desesperos poéticos
a poesia é coração
o amor são rosas

Graça Alves 

*Ainda lhe quis colocar um título mas achei que era um abuso.


 

26/03/2016

"a Rosa que é o Cristo"

Quem dera que este lápis fosse o lápis de Leonardo Da Vinci e tivesse feito este esboço .
O templo em honra de Cristo
Boa Páscoa!

Esboço retirado do capítulo X Arquitectura e Planeamento, p. 206, do livro 
Os Apontamentos de Leonardo da Vinci
organizado por  H. Anna Suh, Lisboa: Centralivros, Lda., 2007

Quinto

O ENCOBERTO

Que símbolo fecundo
Vem na aurora ansiosa?
Na Cruz Morta do Mundo
A Vida, que é a Rosa.

Que símbolo divino
Traz o dia já visto?
Na Cruz, que é o Destino,
A Rosa, que é o Cristo.

Que símbolo final
Mostra o sol já desperto?
Na Cruz morta e fatal
A Rosa do Encoberto.

s.d.


Fernando Pessoa, Mensagem. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972). p. 87.



01/12/2015

É possível que todos os livros sejam inúteis...


Leituras e livros  em homenagem ao poeta maior:

80 Anos da morte de Fernando Pessoa, dia  30 de Novembro de 2015

A escultura “Hommage a Pessoa”, de Jean-Michel Folon, foi inaugurada no 120º aniversário de nascimento do poeta, Largo Teatro S. Carlos


É possível que todos os livros sejam inúteis, se lemos para nos esquecermos de nós, para debelarmos a ferida de existir. Se formos previdentes, os livros também nunca nos magoam. Salvem-se de ler Kafka de madrugada, ou Virgínia Woolf se estiverem internados com uma prancreatite. As pesssoas, sim, essas magoam-nos: são uma dádiva mas também agravam a nossa ferida, escarafuncham nela e fazem-na sangrar.


[sublinhado por mim].

João Tordo, O Paraíso Segundo Lars D. Lisboa: Companhia das Letras, 2015, p. 15


Comecei a ler o Paraíso Segundo Lars D. de João Tordo sem ler duas obras que a antecedem: Biografia involuntária dos amantes e Luto de Elias Gro
Talvez fosse importante ter lido os outros livros mas estou a ter um imenso prazer e deleite na leitura deste Paraíso. 
Como primeiro livro que leio não sinto a falta dos outros. A narrativa prende, as palavras tocam-me profundamente porque são cheias de conteúdo. As ideias não são novas mas estão escritas pela primeira vez como súmula categórica.

João Tordo é filho do cantor Fernando Tordo, é licenciado em Filosofia e estudou escrita criativa em Londres e Nova Iorque. Venceu o Prémio Literário José Saramago (2008) com a obra: "Três Vidas".

Vou ler mais livros deste escritor pois estou a gostar da amostra. 





1º de Dezembro - outrora era feriado em nome dos 40 conjurados que restauraram a independência nos idos de 1640.
Recorde-se assim, a data mesmo sem festa. 

20/10/2015

Gemido de Outono

Gemido de Outono,
Museu Picasso, Antibes 
Escultura de Arman


Voz de Outono

Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
— «Mais te valera, nú e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima soidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel
deveza, Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visionária
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,

(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com ódio e raiva e dor... que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!» —


Antero de Quental, in "Sonetos" (Citador)

15/03/2015

"E a única inocência é não pensar..."

Anthony van Dyck, Self Portrait With a Sunflower (after 1633)
Trinity College, Cambridge
Anthonyvandyckselfportrait.jpeg

II - O meu olhar é nítido como um girassol.

II

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

8-3-1914
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993), p. 24.


16/02/2015

A chave


 
Comprei um livro para a minha colecção intitulada Principezinho. Não é de Saint-Exupéry mas foca-se na sua história. Perguntei-me se o discurso seria lamechas... A consideração é já a imperfeição da minha mente.


O que é um problema? (...)
- Um problema é como uma porta para a qual não temos chave.
- E o que se faz quando se encontra um problema? - perguntou o jovem, cada vez mais interessado na conversa.
- Bem - refleti -, a primeira coisa a fazer é ver se o problema é mesmo nosso, ou seja, se está a bloquear o nosso caminho. (...)
- E se o problema for mesmo nosso? - continuou, virando-se para mim.
- Então temos que encontrar a chave adequada e introduzi-la corretamente na fechadura.
- Parece simples - observou o jovem, acenando mais uma vez.
- Nem por sombras - respondi. - Há pessoas que não conseguem encontrar a chave, não por falta de imaginação mas porque não querem experimentar duas ou três vezes as chaves  que têm ao se dispor, às vezes nem uma só. 

Alejandro Guillermo D. Roemmers, O Regresso do Jovem Príncipe. (Tradução de Elsa Vieira). Alfragide: Leya, (Ilustração da capa de Laurie Hastings), 2011, p. 22-23.

A Chave com que a Rainha Beatriz da Holanda "abriu" o Rijksmuseum após as obras de restauro
Material polished bronze, rosewood dimension 70 x 175 x 50 cm, edition unique piece collection Rijksmuseum, Amsterdam.


Alejandro Guillermo Roemmers nasceu em Buenos Aires em 1958. Tem várias obras publicadas.

A. G. Roemmers esteve na Universidad Pontifícia de Salamanca em 14-05-2014. Um excerto sobre o autor:

D. Alejandro Guillermo Roemmers (Buenos Aires, 1958), autor de las obras ‘El regreso del Joven Príncipe’ o ‘España en mí’ entre otras, acude mañana a la Universidad Pontificia de Salamanca para ofrecer una ponencia sobre ‘El nacimiento de una nueva consciencia universal: éxito, felicidad y espiritualidad’.
Roemmers (íntimo amigo de Jorge Mario Bergoglio) visitó al Papa Francisco en el Vaticano en 2013 y le entregó un poema dedicado especialmente a él titulado ‘Un regalo para Francisco’, que forma parte de su libro ‘La memoria impar’.
Mecenas de las artes, Roemmers se confiesa como absoluto defensor de valores como el amor y la fraternidad e intenta ayudar a mejorar la realidad que nos rodea a través de la educación y la cultura porque, según defiende “no hay nada que cambie más la vida de las personas que los libros”.

Un regalo para Francisco

Quise encontrar un obsequio,
el más sencillo, el más humilde,
el que en su pequeñez
pudieras aceptar sin ofenderte.

Pensé que podría comprarlo y fui a la tienda
pero ningún objeto me conformaba.
Entonces escuché una voz santa que me dijo:
“…a quien tiene a Dios, nada le falta,
sólo Dios, basta.”

Creí ser poeta para ofrecerte palabras:
pero las hallé superfluas, pomposas, gastadas…
Hui de mí y perseverante
busqué en la tierra
pero hasta una semilla me pareció excesiva
pues podría albergar un árbol.

Cuando divisé la pradera
mi corazón vibró alegre,
pero intuí al momento que tú no aprobarías
que le restara una sola de sus flores silvestres.

Busqué entonces en el mar
y no hallé un confín
que tu nombre no hubiera alcanzado
y en toda su inmensidad
sólo tenías amigos.

Desafiante, me atreví hasta el abismo
y como un cielo vuelto al revés
lo encontré poblado de estrellas marinas.
Pero cuando tuve una en mis manos
creí que no podrías ser feliz
sabiendo que cada noche al cielo marino
le faltaría esa estrella…

Busqué entonces en el aire
respetando las abejas, luciérnagas, mariposas
y todas las criaturas vivientes,
pues tú no querrías detener sus alas
ni perturbar su vuelo.

Procuré traerte el aroma
sosegado y puro de las hierbas,
del hogar encendido y los jazmines…
pero no pude conservarlos.

Quise igualar el canto de la alondra,
el murmullo del río, el silbido del viento
cuando exhala en los campos profundos…
pero mi voz fue demasiado torpe.

Por un largo instante logré retener,
resbalando por mis dedos,
unas gotas del rocío temprano…
pero frescas y transparentes retornaron al aire.

Quedé entonces en silencio, desconsolado,
bajo el azul infinito
que mis ojos no podrían reflejar…
¿Francisco, pensé, en tu amorosa humildad,
es que no hallaría nada que pudiera agradarte…?

De pronto un árbol dejó caer una de sus hojas
que se depositó frente a mí en el suelo.
Luego otra, que llegó meciéndose en la brisa
hasta mis manos que la recibieron sin querer.

Luego otra, otra, y otra más,
hasta que sentí que el árbol, compasivo,
estaba dispuesto a entregarse por entero
y desnudar sus ramas
con tal de consolarme.

Tanto era su amor
que brotaron mis lágrimas
como un manantial redentor y agradecido.
Las hojas del árbol
continuaron descendiendo generosas
en una bendición inacabable…

Entonces pude comprender… y sonreí.
Y sonrieron conmigo los campos, las aves y los arroyos.
La brisa se detuvo
y ya no volvieron a caer más hojas…
El regalo que produjo la sensibilidad de aquél árbol
es el que ahora quiero ofrecerte:
el amor de una sonrisa.

Un obsequio humilde y efímero
que puedes multiplicar y compartir sin miedo
como los panes y los peces,
hasta que todos unidos a Jesús
habitemos finalmente el Reino de Dios.

Alejandro Guillermo Roemmers, Ciudad del Vaticano, 18/09/13



A perfeição não é alcançada quando não há mais nada a ser incluído, mas sim quando não há mais nada a ser retirado.
Antoine de Saint-Exupéry (Wikipedia)
Inverno

12/02/2015

Poème pour un enfant lointain

Para as crianças da Ucrânia


Poème pour un enfant lointain

Tu peux jouer au caillou :
Il suffit de ne pas bouger,
Très longtemps, très longtemps.

Tu peux jouer à l’hirondelle,
Il suffit d’ouvrir les bras
Et de sauter très haut, très haut.

Tu peux jouer à l’étoile :
Il suffit de fermer l’œil,
Puis de le rouvrir,
Beaucoup de fois, beaucoup de fois.

Tu peux jouer à la rivière :
Il suffit de pleurer,
Pas très fort, pas très fort.

Tu peux jouer à l’arbre :
Il suffit de porter quelques fleurs,
Qui sentent bon, qui sentent bon.

Alain Bosquet

Anatole Bisk, também conhecido por Alain Bosquet , nasceu em  Odessa  (Ucrânia ), a 28 de Março de 1919 e morreu em Paris a 8 de Março de 1998. Viveu em Bruxelas e obteve a cidadania francesa em 1980 (Wikipedia)


05/02/2015

"tratar de la luz dignamente"

Leonardo da Vinci, S. João Baptista, c. 1514, Louvre

Firma de Leonardo Da Vinci.svg


Quiera el Senõr, luz de toda cosa, 
esclarecerme a fin de que me sea dado tratar de la
 luz dignamente.

Leonardo de Vinci, Tratado de La Pintura. ( Tradución y prefacio de Manuel Abril) Buenos Aires: Espasa-Calpe Argentina SA, 1947, p. 16.

Um agradecimento à Cláudia da Livraria Lumière que mo reservou.



06/12/2014

Não se pode confiar...

... nos homens, principalmente no Homo politicus.



Todo el estudio de los políticos se emplea en cubrirle el rostro a la mentira para que parezca verdad, disimulando el engaño y disfrazando los designios. 

 Diego de Saavedra Fajardo

24/09/2014

Azul + cobre: Outono

Azul e cobre



As folhas caem ao acaso fiéis à renovação anual.
Choram as árvores e as flores em sinfonia desigual...
Só os pintores as sagram em perpétua melopeia.


06/09/2014

Merveille

Será a oitava maravilha?



Vi- a numa noite doce,
Em que o rouxinol cantava:
E todo o céu se estrelava,
Luminoso pavilhão:
Era Sintra! Sinto ainda
O doce correr das fontes,
E a sombra nas nossas frontes
Das árvores do Ramalhão.


Eça de Queiroz,  A Tragédia da Rua das Flores. Lisboa: Moraes Editores, 1980, p. 134
[Sublinhado meu]

Arquivo