Mostrar mensagens com a etiqueta René descartes (1596-1650). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta René descartes (1596-1650). Mostrar todas as mensagens

22/06/2010

Da Admiração... ou Paixão!

Quando algo nos surpreende, admiramo-lo. Aconteceu com as flores caídas do céu, acontece quando conhecemos alguém que alimenta a nossa curiosidade e nos fortalece com a sua luz e sabedoria.
x
Flores vindas do céu.
Londres, a caminho de Strafalgar Square, 2008.

ART. 53 - A admiração

Quando o primeiro contacto com qualquer objecto nos surpreende, e o julgamos novo ou muito diferente do que até então conhecíamos ou do que supunhamos que deveria ser, isso faz que o admiremos e nos surpreendamos com ele. E, isso pode acontecer sem que nada saibamos sobre a utilidade ou nocividade desse objecto, parece-me que a admiração é a primeira de todas as paixões, e não tem contrário, porque, se o objecto não tem em si nada que nos surpreenda, não somos afectados por ele, e consideramo-lo sem paixão.
x
Descartes, As Paixões da Alma, Lisboa: Sá da Costa, 2008, p.116 (trad. e notas Newnton de Macedo)

19/05/2010

A gargantilha de vidro!

São quase oito horas, Madalena penteia o cabelo, lentamente como se o pente não conseguisse tirar o enrodilhado que se tinha formado. Tem que se despachar, o tempo corre e Afonso vem buscá-la a casa!
Olha para o relógio, para o espelho e suspira... está calor, não lhe apetece apressar-se.
O jantar vai ser no S. Carlos, os convidados são de Afonso, ela não quer envergonhá-lo. Precisa de estar elegante. Após o jantar irão para o teatro, uma sessão especial a iniciar às 10:00 horas.
Sobre a cama está o livro: As Paixões da Alma, aberto ao acaso. Surpreendida lê:

"Quando a nossa alma se aplica a imaginar qualquer cousa que não existe, a representar, por exemplo, um palácio encantado ou uma quimera, e também quando se esforça por considerar qualquer cousa unicamente inteligível e não imaginável como por exemplo a sua própria natureza, as percepções que tem dessas cousas dependem principalmente da vontade que faz com que ela se aperceba."**


Depois de passar os olhos pelo texto, Madalena olhou para o estojo de veludo rosa velho que estava na mesa, abre-o e observa por algum tempo a gargantilha da avó. É bela, diz em voz alta, mas não a vou usar. Largou o vestido vermelho e pegou no preto mais simples que tinha, virou-se para o espelho e disse:
- Madalena a beleza não está na gargantilha nem no vestido, a beleza não se vê. Afonso que a procure!
x
*Gargantilha Gatos de René Lalique de rocha, ouro e diamantes,(5, 4 x 33, 8 cm), Museu Fundação Calouste Gulbenkian.
x
"Esta gargantilha é talvez das peças mais requintadas do artista na Colecção Gulbenkian, pois, apesar da sua aparente sobriedade e ausência de cor, constitui um verdadeiro prodígio da técnica aliado a uma criação artística excepcional. É constituída por um conjunto de pequenos quadrados de cristal de rocha gravados com decoração alternada de gatos e arbustos, ligados por uma malha quadriculada de ouro". (site do museu)
x
** Descartes, O Discurso do Método, As Paixões da Alma, (Trad e notas Newton de Macedo), Lisboa:Sá da Costa, 2010, p. 97

27/03/2010

À volta de um rosto...do Adão a Eva, do amor!

Ao passar pela Casa Improvável encontrei esta bela pintura. O pensamento corre... um homem, uma mulher, as paixões, as relações, o amor, o vazio, tudo contido neste quadro e no texto de Camus que pode ver se clicar em Antífona.
x

AS PAIXÕES DA ALMA

ART. 40 - Qual é o principal efeito das paixões

Porque é necessário notar que o principal efeito de todas as paixões nos homens é o incitarem e disporem a alma a querer as cousas, preparando para isso o seu corpo: de sorte que o sentimento do medo o incita a querer fugir, o da ousadia, a querer combater, e assim por diante.

Descartes, Discurso do Método & Paixões da Alma, Lisboa: Sá da Costa Editora, p. 106
X
Gostava de saber dominar este campo, o do amor!

Arquivo