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05/06/2013

A cor em diálogo

Apesar do sol há dias de mar agitado. O dia começou assim como o vê Caspar Friedrich.

Caspar David Friedrich, Wanderer above the Sea of Fog, 1818
The Hamburger Kunsthalle, Hamburgo, Alemanha [wikipedia]


Porém, no desenrolar do dia, com a chegada da noite, olhei para a minha câmara e encontrei estas flores que me levaram até Cézanne, à sua pintura e ao seu pensamento.


A pintura começa por ser uma óptica. Naquilo que os nossos olhos pensam esta é  a matéria da nossa arte... Quando a natureza é respeitada, desenvencilha-se sempre para dizer o que significa. [Cézanne]

Paul Cézanne, Still Life with Blue Pot, c. 1900-1906,J. Paul Getty Museum, Los Angeles.
Watercolor and graphite on paper, 













Eu [Joachim Gasquet] - Para si, ela significa então qualquer coisa? Não será por se meter dentro dela? 
Cézanne - Talvez... E muito no fundo até tem razão. Quis copiá-la, à natureza, e não consegui. De nada me valia procurar fazê-lo, agarrá-la por todos os lados. Irredutível.  Em todos os seus lados. Mas fiquei contente comigo próprio quando descobri que o sol, por exemplo, embora não fosse reprodutível tínhamos de representá-lo por outra coisa... pela cor. Tudo o resto, as teorias, o desenho são à sua maneira uma lógica, uma lógica bastarda entre a aritmética, a geometria e a cor... (...) Só há uma estrada para transmitirmos, para traduzirmos tudo: a cor.

Paul Cézanne, por Élie Faure seguido de O que ele me disse... por Joachim Gasquet (tradução de Anibal Fernandes). Lisboa: Sistema Solar, 2012, p. 78-79.

Cézanne viveu acima de tudo para a cor. Nesta convivência encontramos também Myra Landau que em perfeito diálogo comunga com  o seu trabalho (Blue). 
Um dia gostaria de ver juntas uma tela de Myra ao lado de uma de Cézanne, aproximar-me e sentir o cheiro de ambas.

Myra Landau , Azul


17/11/2011

Diálogos I - "A Perspectiva das Coisas"

A Perspectiva das Coisas, II Parte, A Natureza-Morta na Europa, Séculos XIX e XX (1840-1955) é a exposição temporária que a Fundação Calouste Gulbenkian apresenta até 8 de Janeiro de 2012.
A tela que gostei mais de ver foi a de Paul Gauguin que a Margarida apresentou no blog Memórias e Imagens. Porém, houve outra tela que me prendeu o olhar: Ramo de Dálias e Livro Branco de Matisse que eu intítularia "instante". O copo da água e o livro aberto dão a impressão que o leitor saiu por breves momentos. Foi a transitoriedade que me tocou.


Henri Matisse, Natureza-Morta, Ramo de Dálias e Livro Branco, 1923



The Baltimore Museum of Art

« Il y a des fleurs partout pour qui veut bien les voir. » Matisse



E ainda outra obra que me causou boa impressão foi a de James Ensor, o pintor das máscaras que ao de leve deixa a sua marca. As máscaras, as cores, as flores, o pote, o leque e o pormenor do bordado encantaram-me.


James Ensor, Natureza-Morta com Pote Chinês, 1929.



Finalmente, uma tela minúscula mas interessantíssima e na qual perdi/ganhei algum tempo foi a de Cézanne, "Sete Maçãs".



Paul Cézanne, Sete Maçãs, 1877 (?)



«Quand la couleur est à sa richesse, la forme est à sa plénitude,» Cézanne

Pogues é bom para ouvir mas não para ver - uma máscara para James Ensor

19/01/2011

Fiz alguns progressos.

Homenagem a Cézanne:
Fiz alguns progressos. Porquê tão tarde e penosamente?
Seria a arte, de facto, um sacerdócio que exige dos puros
que lhe pertençam inteiramente?
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Carta de Cézanne a Vollard, 9 de Janeiro de 1903
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Frank Elgar, Paul Cézanne, Lisboa: Editorial Verbo, 1987, p.211
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Paul Cézanne, Pierrot and Harlequin, 1888.
Oil on canvas. The Pushkin Museum of Fine Art, Moscow, Russia

Leoncavallo, Pagliacci, Canio Luciano, Pavarotti, Teresa Stratas as Nedda, Juan Pons as Tonio, 1994

09/01/2011

nobody told the flowers to come up ...

Ikkyu Sojun (1391-1481) era um mestre Zen do século XV. Os haiku que escreve são de uma beleza e simplicidade tocante.
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nobody told the flowers to come up nobody
will ask them to leave when spring's gone

Ikkyu Sojun, Crow with No Mouth, Copper Canyon Press, 1989, p.25
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Paul Cezanne, Flowers in a Vase, 1885

(colecção privada)

Detalhe, a flor caída na mesa.

Pete Seeger Where Have All The Flowers Gone

07/01/2011

Paisagem de Inverno!

Repousar a vista no Inverno de Cézanne para esquecer os dias de chuva cinzentos.
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Paul Cézanne, Paisagem de Inverno
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Óleo sobre tela, colecção particular


Charlotte Gainsbourg (filha de Jane Birkin e de Serge Gainsbourg)
Just Like a Woman cover de Bob Dylan

29/10/2010

...Como defender uma experiência estética?

"15/9/49
(Eu leio respeitosamente, obedientemente, plasticamente!...)
Pacificadores:
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Cézanne:
Vaso de Túlipas - 1890-4
(Verdes)
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Monte Saint-Victoire -1900
(azul, branco, amarelo, rosa)

Ainda este fascínio infantil com a minha caligrafia... E pensar que tenho sempre este potencial de sexualidade ardente entre os meus dedos!
27/9/49
... Como defender a experiência estética? Mais do que prazer, porque não se podem avaliar obras de arte pela quantidade de prazer que dão - mas isso mesmo é melhor - Não, isto é ilógico...

... Como ocorrem as operações mentais?

... Qarteto de Beethoven versus teorema de Euclides
necessidade de ordem "
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Susan Sontag, Renascer Diários e Apontamentos 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, p. 68-69.
No Diário apenas estão as indicações dos quadros de Cézanne. Ainda pensei jogar só com as palavras ... mas é tão bom entrarmos em simbiose com as cores

14/07/2010

Do Amor...

Paul Cézanne, O Amor em gesso (estudo para o amor em gesso). Gosto imenso deste estudo sobre Cúpido, de Cézanne

British Museum, Londres

De l’amour, de Stendhal:

O amor é como aquela a que no céu chamamos a Via Láctea, um montão brilhante formado por pequenas estrelas, cada uma das quais muitas vezes é uma nebulosa. Os livros anotaram quatrocentos ou quinhentos dos pequenos sentimentos sucessivos que compõem esta paixão, e só os mais grosseiros, errando com frequência e tomando o que é acessório por principal.

Italo Calvino, Porquê ler os Clássicos?, Lisboa: Teorema, 1991, p.118 [retirado do livro De l’amour, Premier essai de préface Ed Cluny 1938 p. 26]


Vissi d'arte ária do II Acto de Tosca, Giacomo Puccini, Soprano - Angela GHEORGHIU

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