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02/08/2023

Thank You For Hearing Me!

Um voto de pesar a Sinead O' Connor, nunca a compreendi muito bem! 

Todavia, as canções dela são lindas e a voz uma dádiva.

Penso que quando se nasce numa cultura e se rejeita essa cultura, algo não está bem.

O Homem é resultado do seu passado histórico...





https://revistabica.com/natureza-viva-paisagem-e-sustentabilidade/

José Malhoa s/ título

Não consegui encontrar esta pintura que me encanta. Está exposta na exposição:
Natureza Viva, Paisagem e Sustentabilidade,
uma parceria entre o MNAA e o Santander. Está patente até janeiro de 2024.
(Uma exposição que gostava de visitar).

Se alguém souber mais sobre ela agradece-se a sua história.


11/09/2015

Ícones na arte contemporânea

Fotografia do trabalho de 
Diogo Muñoz, patente na Exposição Factotum que decorreu de 7 de Junho a 14 de Setembro de 2014 na Fundação Dom Luís, Centro Cultural de Cascais.

Diogo Muñoz, Audrey Hepburn, sd



«Já afirmado a nível internacional, Diogo Muñoz pode ser definido como um artista completo, capaz de dominar a pintura em todas as suas formas e géneros. Grande retratista e pintor hiper-realista ocasional, a arte de Diogo é ainda, e sobretudo, génio criativo.
Falar da sua obra é falar de um mundo à parte, de um universo quase literário, feito de protagonistas e figurantes, de cor, imagens e símbolos, que remetem tanto à realidade histórica como ao imaginário colectivo, tanto à memória como à criatividade pura do artista. Aquela de Diogo Muñoz é uma pintura culta, refinada e extremamente atenta a todos os detalhes. A sua maturidade artística é facilmente reconhecível quer no seu virtuosismo pictórico que consente que jogue com ilusões hiper-realistas dignas de um mestre tardo-barroco -seja na fantasia inventiva, através da qual dá sinal de uma liberdade intelectual e expressiva, que torna a sua arte única e fortemente reconhecível.
Na sua produção mais recente Diogo desenvolveu um percurso de procura, que o levou a atingir um repertório de temáticas e imagens que remetem à cultura Pop assim como a ícones da história da arte. É aqui que, no espaço da tela, se sucedem cenários e personagens que trasladados da realidade histórica entram no presente da tela, no presente do pintor. Mestres do passado como Velasquez e Picasso dialogam com os ícones pop do nosso tempo, aqueles da BD e das revistas ilustradas, criando um vórtice temporal no qual a cultura alta se mescla com aquela das massas, da televisão, do espectáculo, gerando um "pastiche" de anacronismos imagéticos.»

Florença, Setembro de 2012
Giada Rodani, curadora e crítica de arte. [Retirado de um panfleto da exposição].

Audrey foi sempre um ícone para mim, quer no que diz respeito à elegância quer como ser humano, este último reforçado com o desempenho de embaixadora (*) da Unicef.

Um momento delicioso.


* Cargo que exerceu a partir de 1987.

27/05/2015

Porto, ecos de uma geração. Porto Sentido e "Goa"

A ida ao Porto teve como objectivo ver esta  exposição: 
ecos de uma geração, o homem e a cidade, no Museu Soares dos Reis mas primeiro que tudo conhecer o João Menéres.


João Menéres um dos fotógrafos dos ecos de uma geração junto das suas fotos.


Uma das fotos  do João que me encantaram. Do catálogo.

A Paula Rêgo podia ter pintado uma tela inspirada nesta fotografia

Sala de exposição, panorama geral.

Um dia bem passado, um dia entre amigos.

Obrigada João, Cláudia, Alexandra e M.

Estive com as minhas amigas Cláudia e Alexandra Ribeiro. Conheci a M.
A malandra da Alexandra escondeu-se. A Cláudia também tentou mas eu ainda a apanhei.:))
Livraria Lumière

Ao almoço estivemos três mulheres a saborear a deliciosa comida portuense com um copo de vinho branco verde para nos refrescarmos dos 29 graus, mas desse momento não tenho registo.


Porto, o Casario.


Quando cheguei a casa tinha uma surpresa do Amigo Henrique Antunes Ferreira 
à minha espera:
Goa chegou até mim. Obrigada. Um dia destes a rã voltará aqui.


Também trarei mais apontamentos do Porto.
PORTO  SENTIDO

Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, san-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
num rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

[refrão]
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa


Carlos Tê e Rui Veloso


07/03/2015

Friendship is Love without his wings!

O Museu do Oriente apresenta “Fragmentos (i)materiais”, uma exposição individual da artista japonesa Noriko Yanagisawa dedicada à temática do corpo - fragmentado, descontextualizado e em crise -, de 19 de Fevereiro a 29 de Março de 2015.


Friendship is Love without his wings!
Lord Byron

AMITIE EST L'AMOUR SANS AILES in: "The Works of Lord Byron: Including the Suppressed Poems." Also a Sketch of His Life,página 742*; Por George Gordon Byron Byron; Publicado por J. B. Lippincott & co., 1856; 764 páginas


Noriko Yanagisawa,  Homem com Asas ou Ícaro? [Título meu], 

水邊の庭 I ’01 / Garden at the Waterfront I ’01, 2001
Mixed 02

Led Zeppelin - Uma edição especial 40 anos do lançamento do álbum Physical Graffiti.

26/11/2014

Uma exposição na BNP - Peregrinação

Visitei recentemente a Biblioteca Nacional de Portugal para ver três exposições: 9000 formas da felicidade: as edições Pulcinoelefante; A biblioteca do embaixador. D. García de Silva y Figueroa e Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu... O primeiro século de edições da Peregrinação (1614-1711). A segunda e última exposições estão a decorrer até 31 de Janeiro de 2015 e a primeira até 24 de Janeiro 2015.

Viajar ou viagens são sempre um sonho. Partir ao encontro de outras culturas é o mesmo que viver o "maravilhamento" que elas constituem.
Ontem numa viagem de Metro senti que há pessoas tão estranhas [Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu...]. Mas o estranho é relativo pois pode ser aquele que:
a) se diferencia do outro por ser louvável; 
b) ou por ser peculiar;
c) ou as pessoas que dói ver (falta de condições de vida);
d) ou as que têm outra cultura.

Centrei-me na última exposição referida pela mesma focar uma obra muito especial: fala de Muitas e muito estranhas cousas  - A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.


Ilustram e animam a exposição as doze gravuras abertas a buril, na Holanda, em Amesterdão, entre 1652 e 1671 e gradualmente impressas durante esse período nas edições em neerlandês e em alemão. Através delas, o texto de Fernão Mendes Pinto ganha alma. O leitor consegue ver e acompanhar a narrativa.*



«Muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu... é um dos subtítulos da obra que Fernão Mendes Pinto construiu para nela narrar o muito que de extraordinário viveu e presenciou. 
















A Peregrinaçam se fosse escrita hoje, século XXI, continuaria a ser um livro polémico. Polémico porque nos mostra o descobridor português tal como ele foi: num momento aventureiro, num momento soldado, num momento ladrão, num momento mercante, num momento crente, num momento missionário, num momento embaixador, num momento homem... mas quase sempre diferente e distante daquela figura nobre e exemplar que todos gostaríamos que tivessem sido os descobridores. Fernão Mendes Pinto coloca na boca de Raja Benão, apresentado como um velho conselheiro e interlocutor do rei dos Tártaros, mas que não é mais do que um alter ego, esta apreciação sobre os portugueses: … homens que por indústria e engenho voam por cima das águas todas para adquirirem o que Deus lhes não deu, ou a pobreza neles é tanta, que de todo lhes faz esquecer a sua pátria, ou a vaidade e a cegueira que lhes causa a sua cobiça é tamanha, que por ela negam a Deus e a seus pais (cap. 122). É essencialmente por ser um livro polémico, que descreve a realidade que o Outro não conhece (ou em que não quer acreditar), conseguindo ironizar e criticar, que o seu autor recebe o ápodo de mentiroso! O próprio autor tem consciência dessa probabilidade: … que é muito para se recear contá-lo, ao menos a gente que viu pouco do Mundo: porque esta, como viu pouco, também costuma a dar pouco crédito ao muito que outros viram. (cap. 14). 

Mas não é a biografia de Fernão Mendes Pinto que nos interessa nesta exposição: 1614 nada representa na vida desse escritor que nasce em Montemor-o-Velho, circa 1510, e morre em Almada, no Pragal, a 8 de julho de 1583. O que hoje se evoca são os 400 anos que passam sobre a impressão da sua obra e o impacto, a fortuna, que a mesma teve em todo o Mundo. O que está presente é a aventura de uma obra, na vertente das suas muitas e diferentes edições ocorridas entre 1614 e 1725. O herói da exposição é o livro, enquanto livro.(...) »

*João Alves Dias, BNP


27/10/2014

A sala de espera

Na sala de espera da Assembleia da República antes da visita guiada à exposição Portugal e a Grande Guerra. 
A espera convida à reflexão e à contemplação.
Numa sala meticulosamente limpa, sentado/a numa cadeira de pele, observe-se o chão e veja-se a beleza da pedra num xadrez preto e branco. Um tabuleiro cortado por uma coluna em forma de cunha de um navio. Simbolismo? 
Jogam-se as peças ao sabor de quem governa. Nas bancadas a força é menor. Escudam-se os cavaleiros e os bispos, as torres estremecem mas quem morre primeiro são sempre os peões...
A oligarquia governativa que impera no país bem podia naufragar.







Marcel Duchamp, Jogadores de Xadrez, 1911.
 Louise & Walter Annenberg Coll., Philadelphia
  WikiArt

Portrait of Chess Players - Marcel Duchamp

Qual é a interpretação que mais gostam ?
Da de Delphine Galou


ou de Damien Guillon

03/10/2014

Melancolia!

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, 2013


Cada vez mais eu escrevo
com menos palavras. Meu livro
melhor acontecerá quando
eu de todo não escrever.

Clarice Lispector - Esboço para um possível retrato, de Olga Borelli

12/07/2014

" o Tempo"


Mário Vitória, Semeando Espelhos no Escuro da Perspectiva- Alice na Cidade.                     (Sem título)
Edifício Chiado, Museu da Cidade, Coimbra



Os relógios e os calendários não existem para nos recordar o Tempo que esquecemos, mas para regulamentar o nosso relacionamento com os outros - na verdade, com toda a sociedade -, e é nesse sentido que os usamos.

Orhan Pamuk, O Museu da Inocência (tradução de Miguel Romeira). Lisboa: Editorial Presença, 2010, p. 354.

O tempo sempre ele a recordar-nos que há passado, presente e futuro...
No livro de Pamuk, o tempo é a chave do linear, do improvável provado...  desfecho? 
O futuro é tangível.

23/04/2013

Na Biblioteca Nacional - (III) Verdi & Wagner

Intróito em detrimento do Dia do Livro



A Biblioteca Nacional é guardiã de livros portugueses e estrangeiros e de documentos de várias tipologias. 
Ao visitá-la, para nos recolhermos na leitura ou no estudo, encontramos exposições que, para além do livro, nos relatam contextos tornando o espécime visível.

Verdi e Wagner: 200 anos.
Uma mostra interessante.
«No ano em que se celebra o bicentenário do nascimento de dois dos maiores nomes da história da música dramática, Giuseppe Verdi (1813-1901) e Richard Wagner (1813-1883), a Biblioteca Nacional de Portugal associa-se ao Centro Histórico do Teatro Nacional de São Carlos para assinalar a dupla efeméride. Nesta mostra evocativa dos dois compositores, são apresentados documentos manuscritos e impressos e materiais utilizados nas produções de algumas das suas óperas, pertencentes às coleções da BNP e ao Arquivo do TNSC.» 
BNP
Projetos do Cenário

Verdi, Aida


Wagner

Parsifal, projeto de cenário de Peter Busseger, 1973

Parsifal, Prelude, I Acto

Verdi, La Traviata

La Traviata, Ouverture

Cartão perfurado da ópera Aida para ser ouvida mecanicamente

Perspetiva geral de uma parte da exposição

Traje de Cena, La Traviata (Verdi), 2002

Trajes de Cena Tannhäuser (Wagner), figurinista Toni Businger,1993

Maqueta usada no TNSC para a Trilogia o Anel do Nibelungo

À entrada da exposição somos recebidos com cenografia da Aida

21/04/2013

Na Biblioteca Nacional - II

Literatura de Cordel no Brasil. Outra exposição na Biblioteca Nacional de Portugal que merece uma visita.
Reparem nos títulos, são deliciosos. 
Desconheço este tipo de literatura e tenho pena de não poder pegar num livrinho, folhear e ler.



«Os folhetos que em Portugal, na Espanha e na América latina são ditos de cordel, porque outrora eram suspensos - para exposição e venda - de cordéis, apareceram em Portugal, como noutros países da Europa, poucas décadas depois da descoberta da imprensa, e foram até meados do século XX um poderoso meio de comunicação popular. Levados por emigrantes para o Brasil, aqui começaram alguns a ser reeditados pouco depois de D. João VI ter criado a primeira tipografia, em 1808; imitados ou recriados, permitiram que antes do final do século Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima e outros poetas populares, sobretudo da Paraíba e de Pernambuco, fixassem os modelos do folheto de cordel brasileiro, que como regra ainda se mantêm, apesar das transformações sociais e tipográficas: papel mais ou menos ordinário, formato raramente afastado dos 15x12 ou 16x11 centímetros, simplicidade gráfica, capa ilustrada, com privilégio da xilogravura, impressão rudimentar, enunciação oralizante e narrativa, linguagem concreta, popular e coloquial, fixação quase exclusiva na expressão poética, com preferência pelo verso setissílabo e pela sextilha, gosto do cómico e da crítica social, abertura temática mas com atracção por certos “ciclos”…»
Arnaldo Saraiva


Cordel: Feira de São Cristóvão

São Cristóvão é nos domingos
O ponto mais brasileiro
Encontro dos nordestinos
Que estão no Rio de Janeiro
Lá passam horas saudosas
Comendo coisas gostosas
E ouvindo um bom violeiro.

O nordestino que fez
O grande Rio crescer
Construindo arranha-céus
Se arriscando a morrer
Comandado pelos gringos
Tem direito aos domingos
Ter seu lugar de lazer.

O Campo de São Cristóvão
É palco de tradição
Dos primeiros nordestinos
Que deixaram seu torrão
Sua família querida
Vieram tentar a vida
Viajando em caminhão.


João José dos Santos
Cadernos do CNLF, Vol. XVI, Nº 04, t. 2, pág. 1717.

28/03/2012

Pessoanas III - numa simples caixa de areia: "Louco"

O último apontamento sobre a exposição na Gulbenkian, em torno de Fernando Pessoa intitulada Plural como o Universo, é para partilhar a surpresa que foi ver a escrita nascer numa caixa de areia como se fosse a maré a trazer as letras.

01/03/2012

Pessoanas I

A Pessoa com paixão!


Como é sabido por todos, para mim Fernando Pessoa e as suas múltiplas facetas ocupam o lugar cimeiro entre um conjunto alargado de poetas portugueses.


É digamos Magno Pessoa.


Desde que iniciei o blogue o mote foi sempre um fragmento, um verso, do insigne autor.


Foi mudando consoante o que mais me dizia no momento.


Hoje visitei a exposição de Fernando Pessoa patente na Fundação Calouste Gulbenkian: Plural como o Universo.





Vim encantada.


O maravilhamento foi tão grande que resolvi chamar os posts de Pessoanas dedicados ao escritor, ensaísta, poeta, filósofo, ocultista, politólogo...


Poderei ter uma grande lata e espero não ofender ninguém com esta apropriação do nome de Pessoa.

Entrei na sala e deparei-me com vários Pessoas.

Caculada é a escuridão da sala e propositado o aparecimento da escrita:

- a luz surgindo em fundo negro anulando as palavras o vazio.

Assim, num dos espaços fotografei a grafia que vai surgindo ao acaso e que aos poucos vai construindo a face de Fernando Pessoa.

Comecei por aqui, pela escrita sensitiva, que outros fazem dele, com as suas palavras.

E
aos poucos
surge-nos mais nítida a imagem do escritor.

Esta é uma introdução breve ao que irá por aqui aparecer.


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