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25/02/2026

Viajar com...

Pequenas histórias e retratos do país sob o olhar literário de Luís de Camões. A viajem começa na companhia do Professor Doutor José Carlos Seabra Pereira que relaciona a obra poética de Camões com o Norte de Portugal.
Assim, encontramos a alma portuguesa: ligada à terra, marcada pela história e inspirada pelo desejo de ir sempre mais longe.



Para mim a literatura de viagens reaviva as memórias, reacende o gosto pelo país e o encontro, neste caso, com a poesia camoniana. 

Olha estoutra bandeira, e vê pintado
O grão progenitor dos Reis primeiros.
Nós Húngaro o fazemos, porém nado
Crem ser em Lotaríngia os estrangeiros.
Depois de ter, os Mouros, superado
Galegos e Leoneses, cavaleiros,
À CasaSanta passao o santo Henrique,
Por que o tronco dos Reis se santifique.

(in Lusíadas, Canto VIII, estância 9)

Viajar com... Luís de Camões, os caminhos da Literatura.Guimarães, Opera Omnia, p.29.

Erik Satie, Gymnopédie nº1



11/09/2017

Regresso à infância

Imagem relacionada
Ilustrações de José A. Cambraia, 2ª edição do livro em Portugal, 1971


As leituras de férias já voaram. Agora, talvez, porque regressar ao trabalho custa; pensamos sempre, não podemos ficar mais um bocadinho?...
Então decidi re-re-reler um livro de infância. Um livro da grande Senhora Enid Blyton, "Uma Casa da Árvore Oca". 
Escusado será dizer que o gosto com que o leio é o mesmo de outrora.
Não é um livro para a menina ou para o menino, é um livro para jovens, com a idade escolar da 4ª classe, no passado, do 2º ciclo, no presente. Ele desperta a curiosidade, a interpretação, a moral, a justiça, o afecto, a camaradagem e as vicissitudes do ambiente social que nem sempre é o mais favorável. 
Já aqui foi focado quando a Cláudia Ribeiro, da Lumière, mo arranjou.

Blyton era genial!

Todavia, também o trouxe a pensar num amigo que hoje faz anos, que leu alguns títulos que eu li porque todos os pais ou amigos ofereciam os livros da Colecção Azul, ou os livros da Enid Blyton...

Parabéns, João Mattos e Silva!
Tenha um dia feliz.

Fazer anos é também fazer uma viagem à infância.

Nunca tive uma casa na árvore, o mais semelhante, foi ter um navio realizado com cadeiras e um sofá, na casa da avó. Acreditem que as viagens eram fantásticas.




30/11/2016

Não quero ir onde não há a luz

Brilho duplo.
Joana Vasconcelos (casamento) no Palácio da Ajuda

Não quero ir onde não há a luz
verso título do poema de

Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1930-1935).  (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990), p. 109.

25/11/2016

Numa visita ao museu

A arte abstracta nasceu em 1910, por oposição à arte concreta e real, por oposição à fotografia que captava a realidade tal como se apresentava.

Tela de António Charrua,
numa exposição temporária no Museu Nacional Machado de Castro

Gostei da citação de Raquel Henriques da Silva pois, na tentativa de explicação fica sempre algo por dizer.

23/08/2016

Homenagem A. H Oliveira Marques

Em memória do historiador A. H. Oliveira Marques que influenciou e influencia gerações de jovens.

Eis a História de Portugal por onde aprendi no liceu, embora a minha tenha capas duras pretas, com as letras gravadas a dourado. Contudo, tinha estas capas por fora. Com o uso as capas tiveram que ser dispensadas pois, estavam gastas e com os cantos rasgados. 
Hoje, nos liceus, os alunos carecem desta leitura e de outras. Talvez os manuais sejam demasiado ligeiros para os ligar aos livros. 
Responsabilidade?
De todos e principalmente de quem gere os programas e currículos.


O historiador nasceu a 23 de Agosto de 1933.

(imagem retirada da net, preço justo)




06/08/2016

Mãos

Mãos
amassam
retorcem
o barro

como a mãe,
a avó,
a bisavó,
a trisavó,

amassam
a dádiva da terra
criam da mesma forma
as taças, os objectos...
diferentes pois um nunca é igual ao outro

semelhantes,
não são inovadores,
de tradição em tradição
passam de pais para filhos,
focam a sensibilidade de uma família.

Mãos que à noite
acarinham os filhos
lavam a louça, a roupa
e moldam o amor,
este não de barro,
pelo menos assim o anseia esta mulher.

ana

 

06/02/2016

Da amizade

A papoila é a alegria inebriante da Natureza. Não existe no Inverno. As acácias sim, começam a despontar, no seu brilho amarelo solar, mas ainda é ténue a sua luz.
Não sinto a alegria da flor vermelho-sangue, mas um gesto amigo fez lembrar que, mesmo não estando na Primavera, elas podem existir. Às vezes vale mais um gesto que mil palavras.


À minha amiga obrigada pelo gesto e palavras de amizade!

Agradeço a todos a presença nesta casa e peço desculpa pela ausência.



16/06/2015

Sob os céus de Madrid - Picasso no Prado

Sob os céus de Madrid, o Picasso no Prado.


Los diez picassos que integran la exposición son sin duda las obras más destacadas del artista en las colecciones del Kunstmuseum y constituyen diez ejemplos excepcionales de la evolución de su producción, desde el verano de 1906 –su período “ibérico”, previo a las investigaciones que derivarían en el cubismo– hasta las obras libérrimas y un tanto melancólicas del Picasso final, de 1967, conformando así una suerte de pequeña exposición retrospectiva.
[Site do museu]

A obra do Picasso que me encantou e a qual elegi para primeira, entre as 10 telas apresentadas.

Arlequin sentado, Pablo Picasso, 
Oil on canvas, 130.2 x 97.1 cm, 1923, Kunstmuseum Basel,  1923

Seated Harlequin (Arlequin assis), Pablo Picasso, Oil on canvas, 130.2 x 97.1 cm, 1923, Kunstmuseum Basel, on permanent loan from the City of Basel 1967

O arlequim sentado representa um amigo do pintor Jacinto Salvado vestido de arlequim com um traje que deliciou Jean Cocteau que com ele criou a Ballet Parade De 1901 a 1927  Picasso produziu mais de 50 pinturas com este tema da Comedia della'arte italiana.

 Es una obra del periodo neoclásico de Picasso (1917-1924), en el que vuelve a la representación figurativa tradicional.

... E ainda outras 4 telas que escolhi por mais me agradarem, entre as dez, do Kunstmuseum de Basel.

Los dos hermanos (Les deux frères), Pablo Picasso, Óleo sobre lienzo, 141,4 x 97,1 cm, Gósol, comienzos del verano de 1906, Kunstmuseum Basel, depósito permanente de los ciudadanos de Basilea, 1967, © Sucesión Pablo Picasso, VEGAP, Madrid, 2015.Hombre, mujer y niño (Homme, femme et enfant), Pablo Picasso, Óleo sobre lienzo, 115,7 x 88,9 cm, París, otoño de 1906, Kunstmuseum Basel, regalo del artista al cantón Ciudad de Basilea; depósito permanente de los ciudadanos de Basilea, 1967, © Sucesión Pablo Picasso, VEGAP, Madrid, 2015.

Mujer con sombrero sentada en un sillón (Femme au chapeau assise dans un fauteuil), Pablo Picasso, Óleo sobre lienzo, 130,5 x 97,5 cm, 1941-42, Kunstmuseum Basel, adquirido con una aportación de la Fundación Max Geldner y una contribución extraordinaria del Gobierno en 1967, © Sucesión Pablo Picasso, VEGAP, Madrid, 2015.La pareja (Le couple), Pablo Picasso, Óleo sobre lienzo, 195 x 130 cm, 10 de junio de 1967, Kunstmuseum Basel, regalo del artista al cantón Ciudad de Basilea; depósito permanente de los ciudadanos de Basilea, 1967, © Sucesión Pablo Picasso, VEGAP, Madrid, 2015.

1 - os dos hermanos,  Pablo Picasso, 1906, Kunstmuseum, Basel, d, 1967, 2- Hombre, mujer y niño (Homme, femme et enfant), Pablo Picasso, 1906, 3 - Mujer con sombrero sentada en un sillón, 1941-1942. 4 . La pareja (Le couple), Pablo Picasso, 1967.

Bailado com música de Satie e coreografia de Jean Cocteau

Erik Satie Parade.jpg

Costume design by Pablo Picasso for Serge Diaghilev's Ballets Russes performance of Parade at Théâtre du Châtelet in Paris 18 May, 1917


Youtube: Diaghilev's "Ballets Russes" Ballet "Parade" - 1917, Sets and costumes - Pablo Picasso; Music - Erik Satie;  Scenario - Jean Cocteau; Choreography - Leonide Massine



Boa noite. :))

29/05/2015

Rodei maçanetas...

«Primeiro bati a algumas portas, rodei maçanetas, depois perdi-me nos corredores, passando por ateliers fechados, subi e desci escadas.
Ainda ouço a minha passada, vejo o vapor da minha respiração no edifício gelado, transformado em frigorífico de vários andares. Não quero esmorecer e devo ter travado um diálogo comigo mesmo, para dar coragem: Não desistas, aguenta! Pensa no teu camarada Joseph, que disse: "A Graça divina não nos cai do colo...", quando de repente, ia eu já a caminho de regresso, dou de caras com a arte na figura de um velho homem que igualava a imagem de um pintor que passava nos tempos do cinema mudo. (...) 
Um momento só para lembrar-me, para agarrar na cebola. Afinal, naquele minuto do destino tratava-se de fazer ou não fazer, mais decisivo ainda: de ser ou não ser. O que é que ela diz na camada que transpira?
(...) Ainda hoje ouço na íntegra o aviso decepcionante do professor de arte: "Estamos fechados por falta de carvão."»

Günter Grass, Descascando a cebola. Autobiografia 1939-1959. Cruz-Quebrada: Casa das Letras, 2007, p. 228-229.
Maçanetas com estilo


Estadio de noche

Lentamente ascendió el balón en el cielo.
Entonces se vio que estaba lleno el graderío.
En la portería estaba el poeta solitario,
pero el árbitro pitió fuera de juego

Günter Grass,
Textos traducidos por Miguel Sáenz, Poemas seleccionados de lo libro  "Las ventajas de las gallinas de viento" de 1956. Daqui.

 

02/12/2014

Flor do quotidiano

 Passou o 1º de Dezembro, um dia em que Portugal se afirmou, nos idos de 1640. Passou um dia com sol e com amanheceres assim...
Nada mas mesmo nada é mais belo do que a Natureza, mesmo quando chora como o vulcão da ilha do Fogo.


Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.

(Dezembro de 1968)

Carlos Drummond de Andrade in Poemas de Dezembro (Link)

03/03/2012

Pessoanas II

Fernando Pessoa na Gulbenkian até 29 de Abril.


O movimento modernista: desenho de Santa-Rita Pintor


Quem sou?


Na penumbra

Espreitar um pouco de cor

Jogo de espelhos: da Alma



16/12/2011

A Avó

Em memória da avó de quem tenho saudades.



Rembrandt van Rijn, (Details) Portrait of an Old Woman, 1654




Pushkin Museum of Fine Arts Moscow Russia


A Avó

Tinha ao colo o gato velho
cansadamente passando
a sua branca mão pelo
pêlo dele preto e brando

Sentada ao pé da janela
olhando a rua ou sonhando-a
todo o passado passando
a passos lentos por ela

Dormiam ambos enquanto
a tarde se ia acabando
o gato dormindo por fora
a avó dormindo por dentro

Manuel António Pina, Os Livros, Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 33




01/12/2011

Recital de Harpa

Ontem assisti a um recital de harpa na Biblioteca Joanina. A beleza da música aliada aos livros e ao espaço cénico referido tornou a noite sublime!

Não tirei mais fotografias porque não gosto de incomodar os outros e porque, apesar de não utilizar flash, faz-me impressão.


Biblioteca Joanina (em especial para o Pedro)


Gymnopedie de Erik Satie foi uma das músicas executadas por Beatrix Scmidt (húngara, professora do Conservatório de Coimbra) e Salomé Matos (professora da classe de harpa da Fundação Amigos das Crianças).






«La musique, c’est du bruit qui pense. »



Victor Hugo (daqui)

21/10/2010

Da escrita e da fotografia...

Ainda da exposição da Gulbenkian Res Publica Face a Face, 1910-2010
x
Nelson Aires, Filho meu que estás na Terra.
x

André Romão, Modelo para Escultura Retórica
O Estado a partilha de Hyperion, 2009 (nota- o texto está riscado deixando só ver o que está a vermelho, observe a imagem)

PARA CONDUZIR O MEU POVO
AO OLIMPO DO BELO DIVINO, ONDE
DE FONTES PERENEMENTE JOVENS
BROTA O VERDADEIRO COMO TUDO
O QUE É BOM, AINDA NÃO TENHO HABILIDADE
SUFICIENTE. MAS APRENDI A USAR
A ESPADA
E PARA JÁ DE NADA MAIS
PRECISO. A NOVA ALIANÇA DOS ESPÍRITOS
NÃO PODE VIVER NO AR. A SAGRADA
TEOCRACIA DO BELO TEM DE HABITAR
NUM ESTADO LIVRE E ESSE PRECISA DE
ESPAÇO NA TERRA E NÓS CONQUISTAREMOS
ESSE ESPAÇO
COM CERTEZA

A escrita profunda sobre o Estado e os homens... para deglutir com Satie

Erik Satie Gymnopédie nº 1.

11/07/2010

A fisionomia da pintura!

E. M. Cioran é um filósofo céptico e amargo, irónico e solitário. Hoje escolhi a sua afirmação sobre a arte e o fim dela, anunciada pela falta de ânimo do homem, e por este ter esgotado "os meios de expressão". Não creio nesta sua ideia mas faz-nos pensar na mediania e lutar para ir mais além. Os poetas e os pintores renovam-se. Juntei-o a Max Ernst que também sofreu com o desespero das guerras e o revelou em algumas das suas obras.
x
Max ERNST. Le Punching Ball ou l'Immortalité de Buonarroti
Colagem

A fisionomia da pintura, da poesia, da música, daqui a um século? Ninguém é capaz de a imaginar. Tal como após a queda de Atenas ou de Roma, uma longa pausa interpor-se-á, devido ao esgotamento dos meios de expressão, bem como ao esgotamento da própria consciência. A humanidade para se reconciliar com o passado, ver-se-á obrigada a inventar uma segunda inocência, sem a qual nunca conseguirá renovar as artes.

E. M. Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Lisboa: Letra Livre, 2010, p. 43

Max Ernst, Aquis submersis 1919

54 cm × 43.8 cm
Städelsches Kunstinstitut und Städtische Galerie, Frankfurt

Escolhi Satie para trazer tranquilidade e serenidade.

Erik Satie - Gymnopédie No.1


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