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22/10/2014

"Quero..."

O jardim da Gulbenkian onde é bom repousar a vista.
Um dia de muito sol.

Exposição fotográfica no jardim. [Infelizmente não retirei a informação sobre elas]



  “Quero um erro de gramática que refaça"

Quero um erro de gramática que refaça
na metade luminosa o poema do mundo,
e que Deus mantenha oculto na metade nocturna
o erro do erro:
alta voltagem do ouro,
bafo no rosto.

Helder, Herberto, Poesia Toda, Lisboa: Assírio & Alvim, 1996. [Cortesia do Google]




Uma exposição a visitar. [Cheguei um dia mais cedo.]


A exposição é constituída por 141 obras de arte que pertencem à Casa Real de Espanha.

Obrigada Xilre. A interpretação de Cecilia Bartoli é magnífica.

20/06/2013

Herberto Helder através de Yvette Centeno

À medida que caminho o meu rio é cada vez mais sinuoso. Pergunto-me porquê?

***
Detalhe da aguarela  de Blake, The River of Life
Mexo a boca, mexo os dedos, mexo
a ideia da experiência.
Não mexo no arrependimento
pois que o corpo é interno e externo
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.

Herberto Helder  na folha de rosto de OFÍCIO CANTANTE (1953-1963) edição da antiga Portugália Editora. [Retirado do blogue Literatura e Arte cujo link assinalo no final].

Porque o mote que escolhi para o (IN)Cultura é "o que é ser rio e correr / o que é está-lo eu a ver". veja-se:

«Não se esconde aqui [no verso de Herberto Helder] o ser e não ser de um Fernando Pessoa, na plena consciência do que se é não é: " o corpo é interno e externo do seu corpo".Podia este verso ser remetido para o de Pessoa, em frente ao rio, e que Eduardo Lourenço tanto nos deu a ler, quando voltou a Portugal em 1974-1975, para um Seminário da Universidade Nova: " o que é ser rio e correr / o que é está-lo eu a ver"...(in ALÉM_DEUS). Aqui se reflectia sobre a questão do despertar da consciência de si, através da contemplação do mundo (era o rio, mas podia ser "o outro", o outro nele, o do permanente que se revelava do lado de lá das coisas e dos seres, e do eu em si mesmo.»

Yvette Centeno in Literatura e Arte

E ainda... porque ligo este mote a uma aguarela de Blake volto a colocar a sua imagem.

William Blake, The River of Life, c. 1805, Tate Britain, Londres


13/10/2010

Espaço cénico... Se houvesse degraus na Terra

Quem me dera que o tempo parasse! Que o relógio no farol batesse só as horas nocturnas. Um espaço cénico é o que vejo nesta tela, onde um sino toca e os pêndulos freneticamente se balançam.


Sergei Aparin, Betwen-time II
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Sergei Aparin, é um pintor russo. Vive em Belgrado. A sua pintura é descrita como enigmática, metafísica, fantástica, surreal, mágica, mística ou como um sonho.



Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Helder

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