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19/07/2014

Zimbório visto do céu

Vaticano, Basílica de S. Pedro

De estabilidade não tinha nenhum desejo; queria que à minha volta tudo permanecesse fluido e provisório, e só assim me parecia salvar uma estabilidade interior muito minha, que porém não seria capaz de explicar em que consistia.

Italo Calvino, A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina, (tradução José Colaço Barreiros). Lisboa: Teorema, 2001, p 25.

08/07/2010

O mundo é um livro...

Chris Peters é um pintor que vive em Los Angeles, Califórnia. Gostei desta tela por causa da sua simbologia:
- Os livros dão frutos e os frutos podem ser proibidos. Aprendi que não podemos saber todos os segredos do mundo.
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Chris Peters, Cobra, Maçãs e Livros


"O mundo é um livro onde o juízo eterno escreve os seus conceitos".

Tommaso Campanella in Italo Calvino, Porquê Ler os Clássicos?, Porto: Teorema, p. 81

04/07/2010

Gianmaria Ortes

Barahona Possolo, Alma Cativa


Era uma vez um homem que pretendia calcular tudo. Prazeres, dores, virtudes, vícios, verdades, erros: para cada aspecto do sentir e do agir humanos este homem estava convencido de que podia estabelecer uma fórmula algébrica e um sistema de quantificação numérica. Combatia a desordem da existência e a indeterminação do pensamento com a arma da «exactidão geométrica», ou seja, de um estilo intelectual todo contraposições claras e consequências lógicas irrefutáveis. O desejo do prazer e o temor da força eram para ele as únicas certezas das quais se pode partir para penetrar no conhecimento do mundo humano: só por esta via podia chegar a estabelecer que até valores como a justiça e a abnegação tinham qualquer fundamento.
O mundo era um mecanismo de forças impiedosas; «o valor das opiniões são as riquezas, sendo manifesto que estas permutam e compram opiniões»; «o Homem é um feixe de ossos ligados entre si por meio de tendões, músculos e outras membranas». É natural que o autor destas máximas tenha vivido no século XVIII. (...) Giammaria Ortes, assim se chamava, era um padre seco e escorbútico, que opunha a espinhosa couraça da sua lógica aos prenúncios dos terramotos que serpenteavam pela Europa e que também se repercutiam nos alicerces da sua Veneza.

Italo Calvino, Porquê ler os Clássicos?, Lisboa: Teorema, 1991, p.111-112.

13/06/2010

Se Numa Noite de Inverno Um Viajante

A transitoriedade de um momento, viver não é isso afinal?
Voar...Voar...
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«Aperta o cinto. O avião está a aterrar. Voar é o contrário de viajar: atravessas uma descontinuidade do espaço, desapareces no vazio, aceitas não estar em parte alguma durante uns momentos que são também uma espécie de vazio no tempo; depois reapareces, num lugar e num instante sem relação com o onde e com o quando em que tinhas desaparecido. Entretanto o que é que fazes? Como ocupas esta tua ausência em relação ao mundo e do mundo em relação a ti?»
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Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno um Viajante, Lisboa: Vega, s.d. p. 193 (trad. Maria de Lurdes Sirgado Ganho e José de Vasconcelos)

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