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10/05/2015

O significado / liberdade

            A Miindo, 1825 daqui                (pintura coreana)               Miindo século XIX


"Nunca serás feliz se insistes em encontrar a felicidade,
Nunca viverás se procuras o significado da vida".

Albert Camus in, Iosif Landau, Memória Tumultuada 
(com a cortesia e amizade de Myra Landau)

O que sentiria a menina, desta história de caso de uma refugiada, sobre a citação de Camus?
Eu própria sinto que ela é a derrota dos sonhos...
A procura é o acto preciso de que somos vivos. Não quero entender este grito de Camus.


Temos o dever de partilhar para não esquecermos quão importante é a liberdade
e o respeito pelos direitos humanos.
Com um profundo agradecimento a Majo que me fez chegar o vídeo à mão.




23/05/2013

O vazio

A rosa brava desfocada exemplifica a sensação que restou após  ver o filme:
O substituto. Um filme horrível e não é por ser mau... muito pelo contrário. 
Numa palavra um filme sobre o vazio.


  De Tony Kaye com Adrian Brody.

uma fotografia de uma aluna oferecida ao professor [cortesia do Google]

Cortesia do Google


Um quadro sem título de uma pintora que conheci através do blogue Sobre o Risco e que liga bem com o filme: no sentido em que estende os braços à espera de melhores dias...
Bertina Lopes, 1974
Bertina Lopes -  Senza Titolo

28/09/2011

Camus e o Outono!

Folhas de Outono, Alviela, Alcanena

Na revista Única do Expresso li esta citação de Albert Camus:


O OUTONO É UMA SEGUNDA PRIMAVERA SE CADA FOLHA FOR UMA FLOR.

A citação abre um artigo sobre a arte de envelhecer composto pelos pensamentos de São José Lapa, Ana Bola, João Perry, Vitor Melícias, João Cutileiro, Maria Filomena Mónica, Celeste Rodrigues (fadista) e Manuel Sobrinho Simões (cientista).

Ora, ainda não me reconciliei com o Outono, para mim a Primavera é a estação eleita. Será que Camus fará mudar as ideias?
O 1º andamento de Vivaldi será o Outono de Camus e o 2º andamento, Adágio Molto, é o Outono para mim .


16/04/2011

Diálogos

A esperança que MJ Falcão descreveu no post: "Desistir de viver... ou mudar de rumo?" - levou-me até aos Cadernos de Camus mais precisamente ao:


Paolo Ucello, Esperança, retirado do blog O Falcão de Jade

CADERNO Nº 3

Abril de 1939

Fevereiro de 1942


Põe as quatro condições para a felicidade:

1) A vida ao ar livre 2) O amor a um ser 3) O desinteresse por qualquer ambição 4) A criação

Albert Camus, primeiros cadernos, Lisboa: Livros do Brasil, sd. p. 125

Através de palavras e de imagens (bonitas) MJ Falcão disse as quatro máximas de Camus.


E juntando ao delicioso café de Margarida das Memórias e Imagens,


António Soares, No Terrasse do café des Plaires, c. 1920-30. Museu do Chiado
que casa tão bem com Claudio Tesser,



Museo Nuovo Rinascimento


a leitura de um poema de Robert Frost, depois de ter visto um que o Luís colocou no Prosimetron e de JJ (Substante) me ter dado uma referência,


encontrei :


A MINOR BIRD


I have wished a bird would fly away, / And not sing by my house all day; / Have clapped my hands at him from the door / When it seemed as if I could bear no more. / The fault must partly have been in me. / The bird was not to blame for his key. / And of course there must be something wrong / In wanting to silence any song.


Robert Frost

18/06/2010

Encontrar...a inocência.

Albert Camus
Libertar-se de toda a preocupação de arte e de forma. Encontrar o contacto directo, sem intermediário, portanto a inocência. Esquecer a arte aqui é esquecer-me. Renunciar a si próprio não pela virtude. Pelo contrário, aceitar o seu inferno. Prefere-se aquele que quer ser melhor, prefere-se aquele que quer desfrutar. Somente, esse renuncia ao que é, ao seu eu, que aceita o que vem com as consequências. Esse encontra-se então em estado de captura directa.
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Albert Camus, O Primeiro Homem, Lisboa: Livros do Brasil, 1994, p.279

O Primeiro Homem.

Às vezes, um pequeno presente como um livro pode tornar-se um tesouro!
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Quando um livro não é propriedade mas o simples desejo de tocar o outro,
ele passa de mão em mão e aquece a alma de quem não o pode ter.
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«Toma é para ti », disse. Jacques recebeu um livro envolto em papel de embrulho e sem inscrição na capa. Mesmo antes de o abrir, sabia que era Les Croix de boix, o próprio exemplar que Monsieur Bernard lia na aula. «Não, não», respondeu. «É …»Queria dizer: é demasiado belo. Mas não encontrava as palavras convenientes. Monsieur Bernard abanou a sua velha cabeça. «Choraste no último dia, lembras-te? Desde então, este livro pertence-te».
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Albert Camus, O Primeiro Homem, Lisboa: Edição Livros do Brasil, 1994, p.141
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Da vida ou da morte o que importa?

Les croix de bois – 1931, Un film de Raymond Bernard,D’après le livre de Roland Dorgelés (Le livre de poche)

26/04/2010

Memórias da escrita 1 - Camus, Hoje, a mãe morreu...

A profundidade com que Camus escrevia sobre o "ser" humano foi um dos motivos para o incluir nas minhas escolhas literárias, há uns anos atrás. Hoje, revivi algumas dessas escolhas, de modo que início estas Memórias da escrita com O Estrangeiro.
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Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe falecida. Enterro amanhã. Sentidos pêsames". Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem. O asilo de velhos fica em Marengo, a oitenta quilómetros de Argel. Tomo o autocarro das duas horas e chego lá à tarde. Assim, posso passar a noite a velar e estou de volta amanhã à noite. Pedi dois dias de folga ao meu patrão e, com uma razão destas, ele não mos podia recusar. Mas não estava com um ar lá muito satisfeito. Cheguei mesmo a dizer-lhe: "A culpa não é minha". Não respondeu. Pensei então que não devia ter dito estas palavras. A verdade é que eu não tinha nada que me desculpar. Ele é que tinha de me dar os pêsames. Mas com certeza o fará, depois de amanhã, quando me vir de luto. Por agora, é um pouco como se a mãe não tivesse morrido. Depois do enterro, pelo contrário, será um caso arrumado e tudo passará a revestir-se de um ar mais oficial. Tomei o autocarro às duas horas. Estava muito calor. Como de costume, almocei no restaurante do Celeste. Estavam todos com muita pena de mim e o Celeste disse-me: "Mãe, há só uma". Quando saí, acompanharam-me à porta. Estava um bocado atordoado e tive que ir a casa do Manuel, para lhe pedir emprestados um fumo e uma gravata preta. O Manuel perdeu o tio, há meia dúzia de meses.Tive de correr para não perder o autocarro. Esta pressa, esta correria e, talvez, também os solavancos, o cheiro da gasolina, a luminosidade da estrada e do céu, tudo isto contribuiu para que eu adormecesse no caminho.

Albert Camus, O Estrangeiro, Lisboa: ed. Livros do Brasil, p.47-48. (Trad. Rogério Fernandes; pref. Jean-Paul Sartre)

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