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18/03/2017

Numa pequena janela

Numa pequena janela
está uma gata à espreita do sol.

A casa não se mede pelo tamanho
mas sim pela alegria que cabe lá dentro.



01/08/2016

Leituras

A Europa no século XVI, vista por um judeu provavelmente nascido em Portugal, descendente de judeus espanhóis. Samuel Usque passou a sua vida entre o ensino e o estudo, "e deve ter sido rabino"(p.25)*.  Morreu em Ferrara. 
O tempo avança mas nada muda... ou muda muito ligeiramente. Intolerância, poder, riqueza, economia-mundo, guerras...

Pois, Europa, Europa, (meu inferno na terra), que direi de ti, se de meus membros tens feito a mor parte de teus triunfos? De que te louvarei, viciosa e guerreira Itália? Em ti os famintos liões se cevarom, espedaçando as carnes de meus cordeiros. Viçosos prados franceses, peçonhentas ervas pascerom em vós minhas ovelhas. Soberba áspera e montanhosa Alemanha, em pedaços cairom do cume de teus fragosos Alpes minhas cabras. Ingresas [Inglesas], doces e frias águas, amargas e salobras beberagens bebeu de vós meu gado. Hipócrita, cruel e loba Espanha, rabazes [rapazes] e encarniçados lobos tragarom e inda tragam em ti meu veloso rabanho.

Samuel Usque, in Dial. I, I-II , do livro Consolaçam, as Atribulaçoens de Israel... 

*Prosadores Religiosos do século XVI, Samuel Usque, Fr. Heitor Pinto, Fr, Amador Arrais, Fr. Tomé de Jesus. (Selecção, prefácios e notas  de Alcides Soares e Fernando Campos)  Coimbra: Casa do Castelo, 1950, p. 44.

Este livro veio da livraria Lumière ainda situada na Travessa da Cedofeita.
Um livro para reflectir.

20/06/2015

Os céus de Cervantes

Os céus de Alcalá convidavam-nos  a observá-los e a perder o chão. A atmosfera medieval da cidade universitária, o romper do renascimento marcados pelos campanários, pelas letras e pela presença constante de Cervantes encantam o espectador. 

 A 29 de setembro de 1547 nasceu Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616) na casa número 2 de la calle de la Imagen, foi o segundo filho  de Rodrigo de Cervantes e de Leonor de Cortinas.

“En domingo, nueve días del mes de octubre de mil e quinientos e cuarenta e siete años, fue bautizado Miguel, hijo de Rodrigo de Cervantes e su mujer doña Leonor; fueron sus compadres Juan Pardo; baptizole el Reverendo Señor Bachiller Serrano Cura de nuestra Señora, testigos Baltasar Vázquez, Sacristán e yo que lo bapticé y firmé de mi nombre. Bachiller Serrano”.


Os céus de Cervantes, Alcalá de Henares







Edição pirata, uma publicação portuguesa de D. Quixote de La Mancha, século XVII (1605)

El Ingenioso Hidalgo Don Qvixote de la Mancha Lisboa, 1605 CE00356

El Ingenioso Hidalgo Don Qvixote de la Mancha
Lisboa, 1605

Segunda edición en castellano de esta obra cervantina, uno de los escasos ejemplares de esta edición pirata de Jorge Rodríguez. Con encuadernación de Brugalla (1975), su portada incluye un grabado con iconografía parecida a la usada en los libros de caballerías castellanos publicados en el siglo XVI, un caballero jinete al que acompaña su escudero.


http://www.museocasanataldecervantes.org/fondos-bibliograficos/


10/05/2015

O significado / liberdade

            A Miindo, 1825 daqui                (pintura coreana)               Miindo século XIX


"Nunca serás feliz se insistes em encontrar a felicidade,
Nunca viverás se procuras o significado da vida".

Albert Camus in, Iosif Landau, Memória Tumultuada 
(com a cortesia e amizade de Myra Landau)

O que sentiria a menina, desta história de caso de uma refugiada, sobre a citação de Camus?
Eu própria sinto que ela é a derrota dos sonhos...
A procura é o acto preciso de que somos vivos. Não quero entender este grito de Camus.


Temos o dever de partilhar para não esquecermos quão importante é a liberdade
e o respeito pelos direitos humanos.
Com um profundo agradecimento a Majo que me fez chegar o vídeo à mão.




24/02/2015

Mariana e o Outro..., Manuel Poppe

Li num ápice a peça que Manuel Poppe escreveu sobre o amor de Mariana Alcoforado e o Marquês de Chamilly. Um presente magnífico que me levou a procurar Soror Mariana Alcoforado.
Henri Matisse, litografia da quinta carta de Mariana Alcoforado
A janela do Convento (franciscano) de Nossa Senhora da Conceição
de Beja, na capa do livro.
                     

Frontispício da 1ª edição das cartas portuguesas, 1669,
Daqui                                                                                                               Museu Regional de Beja 
Henri Matisse, litografia da segunda carta de Mariana Alcoforado
           


Paris, Versalles, 1668
De noite. Uma sala e, ao meio, uma grande mesa, papéis, jóias, medalhões, espalhados em cima da mesa, um candelabro de prata, com velas acesas, um cadeirão senhorial, de espaldar alto, com as armas de família. A parede de fundo deverá ser exageradamente alta e de um branco frio. Uma janela rasgada, que dá para o horizonte e prolonga a sala no exterior. Uma luz ao fundo da paisagem, acende, às vezes, as vezes que o encenador entender apropriadas mostrará a figura de Mariana Alcoforado.
p. 7
[Assim, se revela a cena que desvendará o amor de Mariana e de Noel Bouton, conde de Saint-Léger, futuro Marquês de Chamilly]

Mariana, irónica - Quando me deixavas, lembras-te?, dizias que já ias com saudades minhas... que eu te limpara a alma do lixo que trazias...do lixo da corte, de Versalhes..., e que a corte era um mundo de hipocrisia e que só aqui...

Noel, despeitado, furioso, como se a interrompesse - Pelintra! Aí na tua terra, em Beja, nesse país desgraçado, o que é que há?! O sol mata! O frio gela! À noite, na janela de Mértola, a que me chamavas...
p.13.

Manuel Poppe, Mariana e o Outro História do amor de uma freira portuguesa. Edição de Autor, 2013. Edição fora do mercado, assinado pelo autor e numerada de 1 a 40.
Exemplar nº 33. 

Obrigada, Manuel Poppe. Disse-me muito este presente e, talvez, por acaso, ou não, o nº que me calhou é o 33 o que simbolicamente me aqueceu o coração. Pois, 33 é o número que está intrinsecamente ligado à vida de Cristo.

18/11/2014

"Junto do mar"


Joseph Mallord William Turner, Storm Clouds, Looking Out to Sea, 1845, 
from the Ambleteuse and Wimereux sketchbook, Watercolour on paper. Tate Gallery

Num marcador de livros que a Bertrand me ofereceu:

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, Assírio e Alvim, 2014



***
O mar lava a alma e cauteriza as feridas.


13/11/2014

"Debaxo deste grande Firmamento"

Coimbra

Em louvor do robot Philae:

Debaxo deste grande Firmamento, 
Vês o céu de Saturno, Deus antigo; 
Júpiter logo faz o movimento, 
E Marte abaxo, bélico inimigo; 
O claro Olho do céu, no quarto assento,
E Vénus, que os amores traz consigo; 
Mercúrio, de eloquência soberana; 
Com três rostos, debaxo vai Diana.

Os Lusíadas, Canto X, 89


Luis Vaz de Camões

19/10/2012

"A morte saiu à rua". Homenagem a Manuel António Pina

Perplexa e em estado choque, confesso, foi como recebi a notícia da morte de Manuel António Pina.
Uma morte que saiu à rua  precocemente.

A minha homenagem:

Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro,
tu não tenhas morrido
e talvez nesse livro não escrito
nem tu nem eu tenhamos existido

e tenham sido outros dois aqueles
que a morte separou e um deles
escreva agora isto como se
acordasse de um sonho que

um outro sonhasse (talvez eu),
e talvez então tu, eu, esta impressão
de estranhidão, de que tudo perdeu
de súbito existência e dimensão,

e peso, e se ausentou,
seja um sonho suspenso que sonhou
alguém que despertou e paira agora
como uma luz algures do lado de fora.

Manuel António Pina, Livros. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003, p. 32.

16/11/2010

My tears! ... Memories

Já fiz uma postagem com a canção deste poema em Agosto, na vinheta que contemplava as tapeçarias de Pastrana. Encontrei uma versão mais bonita da música, desta vez, no blogue "Feira das Vaidades".
Hoje não choveu, mas é como se chovesse na materialização destas lágrimas.
As lágrimas podem expressar alegria quando algo nos toca e maravilha, ou tristeza quando nos lembramos da dor que nos causaram pela descrença em nós.
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Rogier Van der Weyden, Detalhe de Cristo Descendo da Cruz, Rosto de S. João Evangelista onde manifesta a sua dor (acrescentado a 25 de Novembro 2010)
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Acho-o lindo por isso o usei, ele ilustra bem esta canção.
Esta imagem já foi utilizada no Prosimetron.

Flow My Tears

Flow, my tears, fall from your springs!
Exiled for ever, let me mourn;
Where night's black bird her sad infamy sings,
There let me live forlorn.

Down vain lights, shine you no more!
No nights are dark enough for those
That in despair their lost fortunes deplore.
Light doth but shame disclose.

Never may my woes be relieved,
Since pity is fled;
And tears and sighs and groans my weary days
Of all joys have deprived.

From the highest spire of contentment
My fortune is thrown;
And fear and grief and pain for my deserts
Are my hopes, since hope is gone.

Hark! you shadows that in darkness dwell,
Learn to condemn light
Happy, happy they that in hell
Feel not the world's despite.

John Dowland

Andreas Scholl

20/08/2010

Vinheta 11 - A Invenção da Glória.

A partir de hoje e durante a próxima semana a vinheta lembra Invenção da Glória: D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana.
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A Glória de uns é sempre a derrota de outros... O que é a glória?
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A INVENÇÃO DA GLÓRIA: Assalto a Arzila, em 1471, pelas tropas de D. Afonso V (pormenor) Lã e Seda
Pastrana (Guadalajara), Colegiata de Nuestra Señora de la Asunción
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imagem da capa do catálogo em pdf do MNAA

A exposição A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana’ reúne pela primeira vez em Portugal os quatro monumentais panos, tecidos em Tournai por encomenda de D. Afonso V, conservados na Colegiada de Pastrana desde o século XVI e recém-restaurados sob o patrocínio da Fundação Carlos de Amberes.

in MNAA

As tapeçarias Pastrana são quatro monumentais panos de seda e lã. Representam a Conquista de Tânger, o Desembarque, o Cerco e o Assalto a Arzila. São documentos que podem auxiliar o estudo sobre as conquistas no Norte de África, as tácticas e a visão dos vencedores.

D. Afonso V aparece identificado pelo seu estandarte, um rodízio que asperge gotas, pela mais bela das armaduras e ricamente vestido de panos brocados. A conquista de Tânger é a única tapeçaria em que o rei não aparece.

Para saber mais sobre o assunto será melhor visitar a exposição que decorre no Museu Nacional de Arte Antiga até 12 de Setembro. No site do museu tem alguma informação.

Nota - a música não é contemporânea de D. Afonso V

Flow my tears" by John Dowland, Valeria Mignaco, soprano & Alfonso Marin, lute


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