11/03/2014
Leituras em dia - II, cansaço e outras coisas
12/12/2012
12-12-12 com Botticelli
Desejo a todos boa fortuna com Sandro Botticelli
Sandro Botticelli,The Mystical Nativity,c.1500–1501, National Gallery in London.
12 anjos vestidos com a cor da fé, esperança e caridade.
12 = anjos dançam no céu (Zodíaco)
3 = anjos sentados no telhado (Ar, Fogo, Água)
7 = 4 figuras à esquerda e 3 do lado direito (Planetas)
6 = anjos e pessoas (Terra)
David Bowman, Mystical Revelation by Botticelli, daqui
16/06/2012
"Deslumbramento"
10/09/2011
Congratulemo-nos! Jorge Luís Borges
c.1485-87.
Galleria degli Uffizi, FlorençaO prémio Champalimaud visão 2011, no valor de um milhão de euros, atribuído ao Programa Africano de Controlo da Oncocercose (APOC), é o reconhecimento dado pelos notáveis resultados na prevenção e combate à cegueira dos rios. Esta doença afecta 18 milhões de pessoas.
Para desenvolver mais a notícia ver aqui
Associei esta boa novidade com Jorge Luís Borges que viveu na sombra e cegueira e foi um grande homem de letras e sabedoria.
ELOGIO DA SOMBRA
A velhice (tal é o nome que os outros lhe dão)
pode ser o tempo de nossa felicidade.
O animal morreu ou quase morreu.
Restam o homem e sua alma.
Vivo entre formas luminosas e vagas
que não são ainda a escuridão.
Buenos Aires,
que antes se espalhava em subúrbios
em direção à planície incessante,
voltou a ser La Recoleta, o Retiro,
as imprecisas ruas do Once
e as precárias casas velhas
que ainda chamamos o Sul.
Sempre em minha vida foram demasiadas as coisas;
Demócrito de Abdera arrancou os próprios olhos para pensar;
o tempo foi meu Demócrito.
Esta penumbra é lenta e não dói;
flui por um manso declive
e se parece à eternidade.
Meus amigos não têm rosto,
as mulheres são aquilo que foram há tantos anos,
as esquinas podem ser outras,
não há letras nas páginas dos livros.
Tudo isso deveria atemorizar-me,
mas é um deleite, um retorno.
Das gerações dos textos que há na terra
só terei lido uns poucos,
os que continuo lendo na memória,
lendo e transformando.
Do Sul, do Leste, do Oeste, do Norte
convergem os caminhos que me trouxeram
a meu secreto centro.
Esses caminhos foram ecos e passos,
mulheres, homens, agonias, ressurreições,
dias e noites,
entressonhos e sonhos,
cada ínfimo instante do ontem
e dos ontens do mundo,
a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,
os atos dos mortos,
o compartilhado amor, as palavras,
Emerson e a neve e tantas coisas.
Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro,
a minha álgebra e minha chave,
a meu espelho.
Breve saberei quem sou.
Jorge Luis Borges, Elogio da sombra, 1969
Tenho os quatro volumes: Obra Completa de Jorge Luís Borges mas neste momento está inacessível por isso agradeço a gentileza do Google.
Gracías a la Vida de Joan Baez é uma canção que gosto mais de ouvir em espanhol. A versão mais actual é interessante. Em especial para a Isabel!
28/06/2011
Adão e Eva, de Almada Negreiros a Botticelli?
Almada Negreiros, Adão e Eva, 1936Museu Abade de Baçal
Adão e Eva, duas personagens que me encantam pela carga simbólica que encerram.
Almada terá bebido a sua inspiração na Vénus de Botticelli?

Galleria degli Uffizi, Florença
Por outras palavras, fez Deus do homem e da mulher dois animais selvagens que não podem ser domados isoladamente. Fez o isolamento ainda pior -do que era, tornou a solidão ainda mais amarga do que devia ser e indicou a direcção única da colaboração entre ambos: 1+1=1.
Mas por causa das dúvidas, e não estando completamente seguro dos resultados por causa deles, não fossem eles estragar-lhe a sua obra, (Deus sabe muito bem e que faz), arranjou as coisas de tal maneira que a Humanidade se multiplicasse e continuasse pelos séculos ainda mesmo naqueles casos em que não fosse possível o entendimento entre a mulher e o homem.
Isto é, a direcção única haveria de ser eternamente a mesma, ainda que em toda a História da Humanidade não se fizessem senão disparates.
Tudo o que se está contando passou-se nos primeiros dias do mundo à sombra de uma árvore. E daqui vem porem agora todas as culpas à árvore. Chamam-lhe a árvore do bem e do mal. Pois sim, agora chamem-lhe nomes! É desta maldita mania que temos de pôr sempre a culpa aos outros. E quando, como nesse dia não há mais ninguém a quem se possa pôr as culpas, pomo-Ias ao que está mais à mão, – à árvore!
Mas a verdade do que se passou é a seguinte:
O par... Ah! agora me lembro de como se chamavam os dois: Adão e Eva!»
José de Almada Negreiros, Direcção Única, Lisboa, UP, 1932. Ler o texto na íntegra.
*Conferência realizada em Lisboa no Teatro Nacional de Almeida Garrett, a convite de Amélia Rey-Colaço, repetida em Coimbra no Salão Nobre da Associação Académica, a convite da revista «Presença» e editada pelas Oficinas Gráficas UP de Lisboa
Julho de 1932.
17/05/2011
"Deixai-me o Êxtase"
Sandro Botticelli, Lamentação sobre o Cristo morto, 1490-1492,
detalhe Maria Madalena e o Cristo.
Têmpera sobre painel de madeira, 107 cm x 71 cm, Alte Pinakotheck, Munique, Alemanha
1640
Tirai-me tudo, mas deixai-me o Êxtase
(...)
Emily Dickinson, Poemas e Cartas, Lisboa: Cotovia, 2000, p. 147.
03/02/2011
Perturbação...

Têmpera sobre tela, 172,5 × 278,5 cm, Galleria degli Uffizi, Florença
O livro levou-me a esta canção-poema de Léo Ferré
17/12/2010
Il Silenzio
Il Silenzio
Conosco una città
che ogni giorno s’empie di sole
e tutto è rapito in quel momento
Me ne sono andato una sera
Nel cuore durava il limio
delle cicale
Dal bastimento
verniciato di bianco
ho visto
la mia città sparire
lasciando
un poco
un abbraccio di lumi nell’aria torbida
sospesi
Giuseppe Ungaretti (surripiado da internet )
14/12/2010
"...melodia clara".
Não foi por um Anjo ter entrado (faz essa ideia tua)
que ela se sobressaltou. Tão pouco como outras,quando
um raio de sol ou à noite a lua
nos seus quartos se vão instalando,
se sobressaltam, ela não tinha o hábito de se indignar
à vista da figura do Anjo assumia;
ela mal sabia que este ali ficar
para os anjos é laborioso. (Oh se fosse possível saber como ela era pura. Não foi uma cerva que, a salvo,
deitada na floresta, dela se apercebeu,
equivocando-se de tal modo que concebeu,
sem sequer ser coberta, o Licorne mais alvo
o animal feito de luz,o mais puro de conceber.)
Não por ele entrar, mas o Anjo inclinar
para ela, tão de perto, o rosto que vinha anunciar,
tão jovem; e que de ambos o olhar se entrechocasse
quando um outro se encontrasse,
como se em volta tudo vazio parecesse
e que milhões de seres olhavam, faziam, suportavam,
nela se concentrasse: ela e ele apenas ali se encontravam;
Olhar e ser olhado, olhos e deleite para a vista
em mais nenhum lugar senão aquele: repara
isso sobressalta. E o susto de ambos era coisa prevista.
Então entoou o Anjo a sua melodia clara.
Rainer Maria Rilke, A Vida de Maria, Lisboa: Portugália Editora, 2008, p.41 (Trad. e pref. Maria Teresa Dias Furtado)
Antonello Messina - Annunciation
J. S. Bach - Magnificat
20/05/2010
LA BELLA DONNA DELLA MIA MENTE!
Têmpera sobre tela, 172,5 × 278,5 cm, Galleria degli Uffizi (Florença)
LA BELLA DONNA DELLA MIA MENTE (Lovely Lady of My Memory)
Y limbs are wasted with a flame,
My feet are sore with travelling,
For, calling on my Lady's name,
My lips have now forgot to sing.
O Linnet in the wild-rose brake
Strain for my Love thy melody,
O Lark sing louder for love's sake,
My gentle Lady passeth by.
She is too fair for any man
To see or hold his heart's delight,
Fairer than Queen or courtesan
Or moonlit water in the night.
Her hair is bound with myrtle leaves,
(Green leaves upon her golden hair!)
Green grasses through the yellow sheaves
Of autumn corn are not more fair.
Her little lips, more made to kiss
Than to cry bitterly for pain,
Are tremulous as brook-water is,
Or roses after evening rain.
Her neck is like white melilote
Flushing for pleasure of the sun,
The throbbing of the linnet's throat
Is not so sweet to look upon.
As a pomegranate, cut in twain,
White-seeded, is her crimson mouth,
Her cheeks are as the fading stain
Where the peach reddens to the south.
O twining hands! O delicate
White body made for love and pain!
O House of love! O desolate
Pale flower beaten by the rain!
Oscar Wilde "La Bella Donna Della Mia Mente" was originally published in Kottabos, 1876. It was revised for Poems, 1881.
17/05/2010
Botticelli e Flora!
Tempera 203 x 314 cm Galleria degli Uffizi



