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07/10/2017

Montanha Má[G]ica

Regresso à Montanha Magica.

G de garfo


«dilema da alma humana»a (...) Uma alma sem corpo é tão desumana e atroz como um corpo sem alma. O primeiro é, aliás uma rara excepção, e o segundo é regra. Regra geral é o corpo que tem supremacia, açambarca toda a vida, toda a importância, e emancipa-se da maneira mais repugnante.

Thomas Mann, A Montanha Mágica, ( Tradução de Herbert Caro). Lisboa: Livros do Brasil, s.d. p.106.




03/09/2017

Centauro atormentado por uma Ménade

Centauro atormentado por uma Ménade, 1770-1778
pintura de óleo em seda, Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid



A maldade feminina ou a ferida protectora?
O amor ou o ódio?
O que transmite esta pintura?


06/09/2015

Hino à Vida...

A chegada constante de refugiados, a morte de crianças e adultos, a destruição de escolas, as guerras, a fome, a falta de liberdade e tanta violência em nome do poder económico, político e religioso, torna o homem do começo do século XXI tão parecido ao homem do início do século XX e dos seus ancestrais. 
Qual foi a evolução? O que se aprendeu com o passado? 
Nada...

Renoir esculpiu um hino à vida. Um hino que me reconfortou quando visitei a sua 
casa-museu em Cagnes-Sur-Mer.

Pierre Auguste Renoir e Richard Guino -  Modelo de pêndulo: Hino à Vida 
Gesso com patine

Entrada para a Casa-Museu de Pierre Auguste Renoir em Cagnes-Sur-Mer
(Daqui ainda não se avista a casa)



03/07/2015

"Moral da história"

Myra Landau, Alucinação
 [Cavaleiro, intitulado por mim]
Poema do fecho "éclair"


Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.


Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da Terra,
foi senhor do Mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.

O que ele não tinha
era um fecho éclair.*


Moral da história: tenho o fecho, falta-me o Filipe. (p. 168)

*António Gedeão, "Poesias completas".[Lisboa: Sá da Costa, 1996] in Rita Ferro, Só se Morre uma Vez, Diário 2. Lisboa: D. Quixote, 2015, pp. 166-168.


Para o povo grego, com quem simpatizo, dedico The Fairy Queen e  [o Cavaleiro] a Alucinação de Myra: 
para que a consciência de um povo com passado glorioso: triunfe. 
A coragem, a atitude e o desafio ao paradigma financeiro da Europa actual merecem o meu aplauso.


Nota: tenho-me como pessoa de boas contas.

18/04/2015

No Dia Internacional dos Museus e Monumentos...

No Dia Internacional dos Museus e Monumentos um memorando: 
Museu do Holocausto distinguiu padre português. 

O padre Carreira salvou refugiados judeus em Roma durante a Segunda Guerra Mundial. A distinção do Museu do Holocausto, sediado em Jerusalém, foi entregue à família, numa cerimónia que teve lugar esta quarta-feira, na Sinagoga de Lisboa.
Sic Notícias

Pelas vítimas do Holocausto: malmequeres.  Melhor será  dizer bem-me-quer




Na Sinanoga de Lisboa: em memória do padre Joaquim Carreira, ver o link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2015-04-16-Museu-do-Holocausto-distingue-padre-portugues



01/10/2014

Quero...

Clarice Lispector, A Hora da Estrela, exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, 2013


Outono no Parque


No dia da música  Santa Cecilia suona la spinetta, c.1620 (da autoria de Orazio Gentileschi ou da sua filha Artemisia Gentileschi ?),


26/09/2014

"flui"



[...]
Assim o excesso das coisas para ti flui.
E como taças superiores das fontes
continuamente transbordam, como de madeixas de cor de cabelo solto, até à taça inferior,
assim cai a abundância nos vales dos teus montes,
quando coisas e pensamentos transbordam.

 Rainer Maria Rilke, O Livro de Horas. Lisboa: Assírio e Alvim, 2009, p. 207.

Frederick Leighton - The golden hours. (Commons-Wikimedia)

File:Frederick Leighton - The golden hours.jpg

Em reposição

23/06/2014

S. João Baptista

Na noite de São João
Mandei embora a tristeza
Houve sardinhas com pão
E muito vinho sobre a mesa

(quadra popular)

Andrea del Sarto, S. João Baptista, 1602
 Palazzo Pitti, Firenze (Wikipedia)


[Salomé] Pressionada pela mãe, disse: «Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Baptista»
Mt.14-8.

Bernardino Luini,  Salomé com a Cabeça de S. João Baptista, s/d., 
Museum of Fine Arts, Boston


Troquei a musica por esta ser mais alegre. 
A anterior escolha prendeu-se à tela de Bernardino Luini 
(24-06-2014, 9:22h )

João Menéres,
Não sei se gosta mais de S. João Baptista ou de S. João Evangelista. Contudo, hoje é dia de se festejar o primeiro.
Como João que é, e a todos que por aqui passem, desejo um dia Feliz.

08/05/2014

Varandas no Rossio

Varandas no Rossio


10 de Novembro [1942]

Cheguei ontem à noite a Lisboa, depois de nove dias passados em Espanha. Segundo o meu hábito, vivi tão totalmente a paisagem, a língua e a cultura do país em que estive, que me sinto um estranho no regresso. Tenho de fazer novamente um esforço para reencontrar o eu Portugal.

Mircea Eliade, Diário Português [1941-1945]. Lisboa: Guerra e Paz Editores, 2008, p. 83.


03/05/2014

Hino ao entardecer

Nostalgia...
Hino ao entardecer

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via. 
s.d.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982, p. 266.


14/03/2014

Où allons-nous?


D' où venons-nous?
Que sommes-nous?
Où allons-nous? [...]

Paul Gauguin, in  [clicar no link]
André Comte- Sponville, Pensées sur la sagesse
Paris: Carnets de philosophie/Albin Michel, 2000, p. 64-65.

21/02/2014

Torre de Menagem

Torre de Menagem, Bragança

Torre de Névoa

Subi ao alto, à minha Torre esguia,
Feita de fumo, névoas e luar,
E pus-me, comovida, a conversar
Com os poetas mortos, todo o dia.

Contei-lhes os meus sonhos, a alegria
Dos versos que são meus, do meu sonhar,
E todos os poetas, a chorar,
Responderam-me então: “Que fantasia,

Criança doida e crente! Nós também
Tivemos ilusões, como ninguém,
E tudo nos fugiu, tudo morreu! ...”

Calaram-se os poetas, tristemente ...
E é desde então que eu choro amargamente
Na minha Torre esguia junto ao céu! ...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas" (link)


19/02/2014

Oxigenação

Um passeio ao sol no parque da cidade foi o bastante para oxigenação. 


Após o dilúvio...

O Inverno sereno à espera do manto primaveril

Flores  centenárias (?)

Acácias na sua luminescência profusa

Acácias no leito do rio

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!

AH! QUEREM uma luz melhor que a do Sol! 
Querem prados mais verdes do que estes! 
Querem flores mais belas do que estas 
que vejo! 
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me. 
Mas, se acaso me descontentam, 
O que quero é um sol mais sol 
que o Sol, 
O que quero é prados mais prados 
que estes prados, 
O que quero é flores mais estas flores 
que estas flores - 
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos (citador)

11/02/2014

Flowers

As flores fazem dos nossos dias um dia melhor. A sua beleza são afecto e poesia.

 Maria Van Oosterwijck, Flowers in a Decorative Vase, c. 1670-75,
 Royal Picture Gallery Mauritshuis, [Holanda]

File:Still Life with Flowers in a Decorative Vase, Oosterwijck.jpg

Para uma amiga: um dia feliz. :))

Maria Van Oosterwijck, Roses and Butterfly, Crocker Art Museum

File:Maria van Oosterwijk Still Life with Flowers after.jpg

Comprei esta flor, um pequeno nada, que me trouxe contentamento.


Fantasia. 

01/01/2014

Viva

VIVA 2014
que seja FELIZ para todos.

Prato ratinho, 1860, Museu Nacional Machado de Castro 
(legado por José Alberto Reis Pereira filho do coleccionador, 
pintor  e poeta respectivamente JúlioSaúl Dias)

Que a subida e a contemplação sejam profícuas.

Katsushika Hokusai, Boy in front of Fugiama



Em reposição porque está frio, é Inverno e quero que o ano  inicie com beleza. 

30/12/2013

Livros, o deleite da alma - I

O Natal contribuiu para o enriquecimento da minha biblioteca graças a mãos amigas.
Os livros são o deleite da alma... o  repouso da vista.  O tempo deixa de ter importância e os ponteiros perdem o significado. 

A Torre do Tombo  e os seus Tesouros 
de Martim de Albuquerque

Começa assim:

Auto de inauguração do novo edifício do A.N.T.T., 
iluminura, ainda incompleta, de João Paulo de Abreu e Lima

O primeiro documento

Uma rosa ...

16/11/2013

Para o João Menéres

Parabéns, João.
Um dia muito feliz. :)
Aqui com Robert Doisneau e Henri Cartier-Bresson


«Se ao fazer um retrato, o que se espera é captar o silêncio interior de uma vítima anuente, é muito difícil introduzir-lhe a máquina fotográfica entre a camisa e a pele...»
18-1-1996

Henri Cartier-Bresson, in O imaginário segundo a natureza. Barcelona: Editorial  Gustavo Gili, 2004, (Tradução de Renato Aguiar) p. 95.

Robert Doisneau, Danse, Serge Lifar, 1944 (link)*


João Menéres Ballet, 1 de Agosto de 2012 (Grifo Planante)

Robert Doisneau, Danseuse, 1950 *


Henri Cartier-Bresson fotografia retirada daqui.
(www.henricartierbresson.org)


15/10/2013

"Sagesse"


Tactear a câmara


Bien penser: la qualité supême.
Et la sagesse: dire le vrai et agir suivant la nature, à l'écoute.

Heráclito, in André Comte-Sponville,
"Carnets de Philosophie", Pensées sur la Sagesse. Paris: Albin Michel, 2000, p. 18.








Uma reposição do bailado, com o tema Cold Song, da ópera Rei Artur de Henry Purcell.
Voz de Klaus Nomi

16/06/2013

Histórias de Telavive, histórias de amizade

Porquê esta tela?
Porque o pintor não teve oportunidade de ir para Telavive...

Félix Nussbaum, Dreierporträt, (1944)
Daqui

Félix Nussbaum nasceu em Osnabrück em 1904 e morreu em Auschwitz em 1944.


Ao Manuel Poppe agradeço a ternura com que o ouvi falar para um conjunto de jovens. 


"...a fazer o que nunca fizera: a coleccionar pintura e antiguidades. De início, porque abriu uma pequena loja em Verona, da qual se ocupava a mulher do filho mais velho, Rosalinda, estudante de Belas-Artes, e dessa maneira ajudava o marido, Gustavo o menos ambicioso. "Um sonhador...", desculpava-o Glória ... E explicava: " Era o meu velho sonho! O Roberto é que nunca me deixou gastar dinheiro em coisas destas... Só havia dinheiro para o que ele queria... A arte não era o seu género, como sabes...". 
Manuel Poppe, página 39 do livro identificado.

Histórias de Mulheres de Maria João Falcão são contos que narram o que o título sugere: histórias de mulheres que partilham afectos, vivências e  amizade.



"Em Telavive, tudo é muito rápido. O efémero ronda por ali e a efemeridade das coisas, dos lugares e das pessoas sente-se mais. E também os cafés abrem e fecham, mudam, renovam-se enquanto as pessoas vão e vêm.
Ao contrário de Jerusalém, que tem o peso de várias culturas e religiões, o ritmo é outro, lento, e, por vezes meditativo." 
Maria João Falcão, Histórias de Mulheres (s/nº página)

Ao Manuel e à Maria João,
Grata pela partilha sobre Israel, mais propriamente Telavive, pois preencheram as muitas lacunas que tenho sobre aquela cultura. 

28/05/2013

Les fenêtres

Parce que j' aime les fenêtres
William Coldstream, Window in Hampstead 1981
Les fenêtres
Celui qui regarde du dehors à travers une fenêtre ouverte, ne voit jamais autant de choses que celui qui regarde une fenêtre fermée. Il n’est pas d’objet plus profond, plus mystérieux, plus fécond, plus ténébreux, plus éblouissant qu’une fenêtre éclairée d’une chandelle. Ce qu’on peut voir au soleil est toujours moins intéressant que ce qui se passe derrière une vitre. Dans ce trou noir ou lumineux vit la vie, rêve la vie, souffre la vie. Par-delà des vagues de toits, j’aperçois une femme mûre, ridée déjà, pauvre, toujours penchée sur quelque chose, et qui ne sort jamais. Avec son visage, avec son vêtement, avec son geste, avec presque rien, j’ai refait l’histoire de cette femme, ou plutôt sa légende, et quelquefois je me la raconte à moi-même en pleurant. Si c’eût été un pauvre vieux homme, j’aurais refait la sienne tout aussi aisément. Et je me couche, fier d’avoir vécu et souffert dans d’autres que moi-même. Peut-être me direz-vous : «Es-tu sûr que cette légende soit la vraie?» ce que peut être la réalité placée hors de moi, si elle m’a aidé à vivre, à sentir que je suis et ce que je suis?

Charles Baudelaire - Le Spleen de Paris, Petits Poèmes en prose, édition posthume 1869.

Klaus Nomi

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