O regresso ao escritor Sándor Márai deve-se ao título: a ilha. Há algo de idílico no que representa uma ilha. Será aquele espaço finito o paradigma da libertação?
Ao chegar a casa, abriu uns livros atrás dos outros e começou a ler em voz alta. Eram livros antigos e bem conhecidos, e reparou com surpresa que essa surdez interna mudava conforme o texto: ao ler Platão, não ouvia nada, mas agarrou o jornal e começou a ler o editorial, um antigo grandíloquo sobre a missão cultural dos colonizadores franceses, e ouviu e entendeu cada som daquele texto fútil.
Sándor Márai, a ilha. Lisboa: D. Quixote, (traduzido do húngaro por Piroska Felkai) 2012, (2ª edição), p. 98.
Um livro estranho, intenso, de perdas e não de vitórias, nem fugas. Em síntese Carpe Diem:a escolha entre a felicidade esperada ou a ruptura e o abismo. O que valem as escolhas?