17/04/2013

Na Biblioteca Nacional - I

Mostra: Raúl Rêgo, Bibliófilo, Centenário do Nascimento 
15 de Abril a 25 de Maio 2013

Raúl Rêgo, republicano e democrata, combatente antifascista, frontal em todas as posições assumidas sem rodeios, ao longo de uma vida feita de batalhas e de coragem, foi jornalista e indiscutivelmente um dos símbolos da liberdade de imprensa...

Texto retirado da homenagem efetuada pela CML no Dia Mundial da Imprensa, 3 de Maio de 2005 


«Raúl Rêgo colecionava livros, era um dos grandes bibliófilos portugueses. Mas colecionar livros é diferente de ser bibliófilo; e ser bibliófilo também é diferente de ser um estudioso e um expert no assunto: é que um livro cerrado não traz cultura! Mas o bibliófilo não gosta apenas do livro pelo conhecimento (ou divertimento) que o mesmo lhe pode proporcionar... gosta do livro pelo cheiro, pelo formato, pela época em que foi feito, pelo autor que o escreveu, pela tipografia que o imprimiu e, também, pelo seu conteúdo. Enfim, gosta do livro pelo livro. E Raúl Rêgo era esse expert, esse bibliófilo, que se passeava de livraria em livraria na busca de saciar o seu prazer infinito. Depois de ter caçada a presa, anotava-a, estudava-a e, na maioria das vezes, escrevia sobre ela. A Biblioteca Nacional de Portugal organiza, neste momento em que passa o centenário do seu nascimento, uma mostra evocativa desse bibliófilo. Mostra que faz uma viagem entre alguns dos seus livros, objetos de estudo e de coleção – o que nos legou desses anos de investimento. A escolha incidiu entre os livros do século XVI, escolhendo daqueles apenas os que não existem nas coleções da própria BNP.»



Um dia profícuo e um fim de manhã bem passado antes da ida para a Torre do Tombo.

Encontrei Verdi na Biblioteca Nacional, onde voltarei para mostrar outras exposições, entre elas, 
Verdi & Wagner, 200 anos

14/04/2013

Diálogos da escrita

Há livros que nos tocam profundamente. "Quando eu era uma obra de Arte" é sem dúvida um livro singular e marcante. 

Miguel Ângelo, David, Galleria dell' Accademia, Florença (daqui)


Diálogos da escrita

A arte é feita para o homem, pelo homem, mas a arte não é certamente um homem.

Eric-Emmanuel Schmitt, Quando eu era uma obra de arte. Porto: Ambar, 2003, p.176.

(...) Há em olhos humanos, ainda que litográficos, uma coisa terrível: o aviso inevitável da consciência, o grito clandestino de haver alma.

Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, Vol.I. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982, p. 138.


Não há nada que a Arte não possa exprimir, e reconheço que todo o trabalho que realizei desde que conheci Dorian Gray é um trabalho de qualidade, é a melhor obra da minha vida.

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, Lisboa: Edital Estampa, 1995, p.10.

[Após a leitura do livro mencionado perceberão o conjunto de ideias].

Porque há acasos ou coincidências hoje revi o filme:
O Homem da Máscara de Ferro

12/04/2013

Sob o céu de chumbo: duas esferas

Coimbra, Cimo das Escadas Monumentais


Houve um tempo em que vivíamos a uma grande e respeitável distância do céu. O céu era uma grande taça azul invertida, uma ampla tenda, ou, de acordo com a Bíblia, um grande prato metálico arqueado sobre a terra (EoR, 13:346).  Era o lar de Deus ou era a grande deusa Nut curvando-se, protegendo o mundo. O céu era tão vasto, tão alto, tão distante, que apenas as aves e as montanhas o podiam alcançar.

Imagem e texto retirado de O Livro dos Símbolos, Reflexões Sobre Imagens Arquetípicas, Taschen, Katthleen Martin, p. 56.

10/04/2013

Legendary sea

Itō Shinsui - The Fragrance of a Bath [1930]
Fotografia de  Gandalf's Gallery

Itō Shinsui - The Fragrance of a Bath [1930] by Gandalf's GalleryThe hair ornament of the sun
has sunk
into the legendary sea.

Mitsuhashi Takajo (1879-1972),   Women Poets of Japan. New Directions Publishing,  1977, (editado por Kenneth Rexroth), p.80.

08/04/2013

Cardo- folhas espinhosas

Barbara Regina Dietzsch (1706-1783), Cardo com Insectos.
Guache sobre velino, Alemanha


Cardo 
Os contornos das suas folhas espinhosas espetam e rasgam como pequenos picos, desencorajando o toque. No entanto, a vistosa flor que coroa a haste tem uma doce fragrância, atraindo borboletas, insectos, abelhas e pássaros. (...) Na mitologia, o cardo não cresceu  no Jardim do Éden; pelo contrário, os cardos e os espinhos apareceram como castigos depois do Pecado, em oposição à bênção dos figos e das uvas do Paraíso. (...) na crença popular ele é visto como uma oferta do Diabo. No entanto, o cardo também transmite as ideias de amor que sobrevive ao sofrimento e do trabalho que sobrevive às privações. O cardo é associado ao amor mundano de Afrodite bem como à amorosa compaixão da Virgem Maria. (...)
A Escócia, que tem o cardo como símbolo nacional, celebrava o carácter deste numa lenda do século X. Os invasores viquingues, esperando atacar  furtivamente o castelo de Staines, tiraram as botas. Mas os escoceses tinham enchido de cardos a fossa seca do castelo e os gritos do inimigo traíram a sua presença. Organicamente, as raízes do cardo dão origem a uma flor doce e a haste rude, pelo que se diz que essas raízes propagam a melancolia.

Marina Heilmeyer, The Language of Flowers: Symbols and Miths, Munique e Londres, 2001, p. 26.

Imagem e texto  retirado de O Livro dos Símbolos, Reflexões Sobre Imagens Arquetípicas, Taschen, Katthleen Martin, pp.166-167.

LÁGRIMAS DA PÁTRIA / ANNO 1636

Está tudo devastado e mais que devastado!
as hordas agressivas, a trombeta que arrasa,
A espada a beber sangue, a metralha que abrasa,
Consomem todo o esforço, trabalho e pão guardado.

As torres num braseiro, a igreja está no chão,
A Câmara em ruínas, os fortes já os não vemos,
Donzelas violentas - para onde quer que olhemos
Há fogo, peste e morte varrendo o coração.

Muralhas e cidade sempre em sangue ensopadas.
Três vezes já seis anos as ribeiras pejadas
De cadáveres que impedem a água correr.

Para não falar daquilo que é pior do que a morte,
Mais terrível que peste e fome e fogo forte:
Que os tesouros da alma se deitem a perder!

Andreas Gryphius, (1616-1664), in O Cardo e a Rosa, Poesia do Barroco Alemão
selecção, tradução e prefácio de João Barrento, Lisboa: Assírio & Alvim, 2002, p. 19

Auto-retrato de Albrecht.Dürer. Ele segura na mão planta do género Eryngium (cardo) - 1493

Ficheiro:Albrecht-self.jpg
Museu do Louvre Paris (wikipedia)


06/04/2013

igualdade...

Uma vitória numa questão política elementar: a igualdade de direitos. 

(...) "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei"
Artigo 13 da Constituição da República  (número 1).



O resultado da inconstitucionalidade do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional revela que ainda estamos num estado de direito cuja justiça social é equacionada.
Com o Tribunal Constitucional partilho o ramo de rosas que recebi de uma grande amiga, a quem aproveito para agradecer publicamente.

Moustaki recordado há uns dias no blogue Falcão de Jade fez-me lembrar a canção: Ma Liberté. 
[Uma liberdade que me tocou].

04/04/2013

Cartas Selectas

Um presente especialíssimo que me fez humedecer a vista.
Uma pérola 
arranjada pela Cláudia da Livraria Lumière.

Cartas Selectas do padre António Vieira (1608-1697).
Como amante deste jesuíta, que escreveu dos mais belos sermões do Barroco Português, estas cartas são rosas e pérolas - o tesouro dos tesouros.

A foto não está bem mas tirei-a depois de vir de uma palestra sobre O Espaço 
no Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho e não podia esperar para agradecer 

A quem mo ofereceu muito obrigada.


03/04/2013

Chinoiseries

 [Reflexão: a zombaria é baixeza. 
Devemos fazer bem a quem  nos faz bem]
A Myra é um bem que agradeço.

Beleza,
Movimento,
Dança e abraço
com traço de pincel.
Myra Landau, Chinoiseries



capturar as palavras
maravilhoso troféu
encher com elas 
minhas paredes
inventar com a sua parceria
mais e mais metáforas
fora deste mundo
mudo
sobretudo
surdo

Myra (daqui)

Obrigada, Myra.
Camélias para Myra, uma mulher que admiro.



01/04/2013

Horas e imagens

As horas são primordiais, 
cadenciam o dia, 
orientam o homem, 
marcam a História,
criam o tempo.
[Os sublinhados do texto são  meus].

As Horas* (título meu)
Palácio Atlântico (cerâmica de Jorge Barradas) 
fotografia [do livro] de João Menéres, 


Horas de todos os tempos*
fotografia [do livro] de João Menéres 



[Um belo]  encontro com o Porto, livro de João Menéres 
(27-03-2013)
Obrigada João.

(...)
Na Arte há um encanto que não se sabe.
Procura-se a razão e não sabemos continuar.
A fotografia é uma das Artes mais novas. Arte do Homem moderno.
Um desejado princípio técnico e científico: o registo da impressão
luminosa. Não demorou que o Homem entendesse aí outro processo 
de Arte. O Homem é assim.

A certeza da Arte do João Menéres vem de uma experiência
contínua, de exaltação e enlevo de imaginação.
João Menéres sabe transmitir o fascínio da fotografia.
O seu mundo, perspectivas de sonho, irrepreensíveis e inesperadas.
 A sua obra, como uma continuaão de si próprio.
Fernando Lanhas

* In, João Menéres, encontro com o Porto, 2001, 1ª edição, s/nº p.

31/03/2013

Uma passagem na rua

Budapeste, uma passagem na rua 

SEM TI

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
oiço a música das tuas.

 Eugénio de Andrade, In Até Amanhã (Banco de Poesia Casa Fernando Pessoa)

30/03/2013

Páscoa Feliz

A todos uma Páscoa Feliz!

Alguém sabe quem é a Santa que chora aos pés de Cristo?

Sandro Botticelli, Detalhe "Lamentação da morte de Cristo, c. 1495, Museo Poldi Pezzoli

A história do Filho de Deus-Homem, que morreu pelos homens, é uma história bela e incontornável também, no mundo da poesia e da Arte.

De um livro que comecei a ler, e ao qual fui buscar o trecho que apresento, 
por o interligar à imagem embora, nada tenha a ver uma história com a outra. 

«Gritaram. Lançaram nomes. Dir-se-ia um leilão. As propostas choviam: O Homem Sonhado, O Outro Homem, Aquele que gostaríamos de ser, Aquele que já não esperávamos, ...»

Eric-Emmanuel Schmitt, Quando eu era uma obra de arte, Porto: Ambar, 2002

A quem mo ofereceu: MUITO OBRIGADA.

29/03/2013

Janela ao longe

A luz é mais intensa.
O Astro-Rei parecendo mais próximo continua, porém, distante.

Janela rasgada nas muralhas do Castelo de Óbidos.

Ah, a Música

Quem terá deixado esquecida
esta música ouvida num canto da rua?
Ninguém de quem passa nela repara
No entanto— é ela — faltava no dia de chuva
No meu dia de chuva?
Meu seria decerto este dia
pois por mais precário que eu seja
nenhuma chuva fora podia cair
se acaso em mim não caísse
Cai chuva e há música em meu coração
Era mera ilusão o dia de chuva

Ruy belo, in Aquele Grande Rio Eufrates (banco de poesia Casa Fernando Pessoa).


Mozart, A Flauta Mágica

27/03/2013

Doutores da Igreja

Pier Francesco Sacchi - Doutores da Igreja - ca. 1516, Museu do Louvre, Paris*
S. Gregório Magno (Papa) Ambrósio (cardeal), Agostinho e Jerónimo (bispos)



O caminho da perfeição é o mais árduo porque nunca tem um fim.

* Acrescentado a 29 de março depois de perceber que não tinha o autor nem o destino da obra

25/03/2013

Se Nada Há de Novo

Se Nada Há de Novo



Se nada há de novo
e tudo o que há já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?

Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.

Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
Mas disto estou seguro: antigos textos
louvaram mais com bem menores pretextos.

William Shakespeare, in "Sonetos"
Tradução de Carlos de Oliveira (Citador)                                  Louise Élisabeth Vigée Le Brun, 

23/03/2013

Obrigada

Obrigada João pela gentileza.

Pequena mola

A nossa Pátria pode ser doce.

22/03/2013

A Primavera

A Primavera bateu levemente à minha porta.
Deixei-a entrar...
para depositar no meu regaço
pétalas de uma rosa que ainda não nasceu.

[Hino (atrasado) à Primavera e ao Dia da Poesia]

John William Waterhouse, Ofélia, 1894 [Wikimedia Commons]


De Caeiro, o heterónimo predilecto caiu esta pétala:

Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo. 

 Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo.

Apanho-te do chão e, de perto, contemplo-te de longe. 

Não há rosas no meu quintal: que vento te trouxe? 
Mas chego de longe de repente. Estive doente um momento. 
Nenhum vento te trouxe agora. Agora estás aqui. 
O que foste não és tu, se não toda a rosa estava aqui. 

12-4-1919
Alberto Caeiro, “Poemas Inconjuntos”. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994. p. 115.

De Eugénio de Andrade todas as rosas:

Hoje roubei todas as rosas dos jardins

Hoje roubei todas as rosas dos jardins 
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

Eugénio de Andrade (cortesia do Google)

19/03/2013

Sabes, Pai


Albrecht Dürer, Mãos ou as mãos de um pai.

Sabes, Pai

sabes, pai o cachecol bege nos muros da foz
cobria as árvores com o seu pêlo, ao vento 
o boné azul, marinheiro nos cabelos louros 
sussurrava pequenas frases às silentes águas 
o teu sorriso tão leve, enternecia o rosto 
 esses óculos, teu cabelo nas tardes de sol 

 ou o barco encalhado na areia breve 
 junto ao castelo onde nos passeávamos 
 eu tu a mãe, duas ou três falas e o meu corpo 
 que se chegava a vós junto à estrada 

 nestes muros da foz, abertos 
ao mar que voava 

 Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"
(Retirado do Citador)

Ao meu pai in memoriam
 

17/03/2013

"Estas Águas"

Saudades do mar...

Joaquín Sorolla y Bastida, Detalhe: Passeio na Praia
(Cortesia do Google)
Poema de Vieira Calado, in Algarve ontem,
Obrigada.


15/03/2013

"A figura mais perfeita"

  A harmonia das formas, Lisboa, Parque das Nações

A figura mais perfeita e mais capaz de quantas inventou a natureza e conhece a geometria é o círculo. Circular é o globo da terra, circulares as esferas celestes, circular toda esta máquina do universo, que por isso se chama orbe, e até o mesmo Deus, se sendo espírito pudera ter figura, não havia de ter outra, senão a circular.

Padre António Vieira, "Sermão de Nossa Senhora do Ó Na Igreja de Nosssa Senhora da Ajuda, Bahia (1640)", in Obras Completas, Sermões, vol. II - tomos IV, V e VI, Porto, Lello &; Irmão, 1959, págs. 435 – 450.

Após o anúncio do novo Papa, Francisco, apeteceu-me ler um outro jesuíta, célebre na sua oratória. Deixo um trecho do padre António Vieira associado a esta fotografia na qual a água se movimenta como se da terra brotasse naturalmente, sem mão humana, como o novo Papa.


12/03/2013

Um Inverno em Marraquexe

Winston Churchill Marrocos


Manuel Poppe. 
Não sei de quem é a fotografia mas gosto dela.
Com o escritor comungo a paixão por Itália, em particular, Roma e o Panteão.


O livro que ando a ler ...
(Grata à Cláudia, Livraria Lumière)


Sabe que o Atlas se cobre de neve, no Inverno? O crepúsculo doura a crista da montanha, por detrás do minarete, que se ilumina. Fica uma luzinha, a cintilar. Mouna sorria e eu nunca percebi o sorriso. Nem esse, nem outros.

Manuel Poppe, Um Inverno em Marraquexe. Lisboa: Edições Teorema, 2004, p.36.

Um episódio que me marcou em Marrocos foi quando, de mochila às costas, dentro de um carro, subimos um bocadinho o Atlas e fomos apanhados numa tempestade de areia. Perdidos no meio do deserto, eis que apareceu uma caravana de tuaregs que, montados em cavalos, transportavam mercadoria. Nos pulsos traziam relógios digitais e nas albardas coca-colas, o mundo americano numa terra sem o tio Sam.
De Marrocos só tenho slides ainda da era do celuloide (1985). Encontrei no Google uma fotografia da Medina de Marraquexe, de Bouchot, que me encantou. Visitei a Medina com amigos, sem guia e, apesar de labiríntica, não nos perdemos. Encontrámos um mundo estranho, acolhedor e a comprová-lo estavam as sardinhas albardadas que comemos num souk, sentados com marroquinos, numa refeição sem talheres e onde se partilhava a mesma água (tal proeza não foi para mim) ao som do muezzin que chamava para as orações.

Obrigada Manuel Poppe por esta viagem de regresso a um país hoje de certeza diferente.

De uma forma sumária: Manuel Poppe (escritor e jornalista) nasceu em Lisboa, viveu a adolescência na Guarda, regressou à capital para se licenciar. Foi Conselheiro Cultural na embaixada portuguesa em Roma, cidade onde obteve o título académico de "Dottore in Lingue e Leterature Straniere pela Universidade La Sapienza"com uma tese sobre José Régio. De Roma partiu para S.Tomé com a mesma missão que mais tarde o levaria a Telavive e finalmente a Marrocos.  

Medina de Marraquexe, fotografia de Emmanuel Bouchot


09/03/2013

Da crise ,,,.

Lisboa numa rua próxima ao Largo do Carmo


Não é feio um homem chorar, feio é fazê-lo Chorar.
Um manifestante.


Subjugados ao poder do
desamor, não importa:
a fome,
a tristeza,
a precariedade,
a fragilidade...
Os portugueses estão cada vez mais com o coração nas mãos.


08/03/2013

"Onde mora a plenitude"


No dia da mulher  deixo a rosa para todas as mulheres que por aqui passam.
Zayasaikhan Sambuu, Sem título

AS FONTES

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia I              

[O sublinhado é meu].

06/03/2013

Ir

Sandro Botticelli, detalhe de Madona com o Menino Rodeada por Cinco Anjos, Museu do Louvre, Paris


Santos de Roca, Museu de S. Roque, Lisboa

Ir
Esta é a hora
em que a existência se constrói
nos passos de um deus que chega para me levar nos braços.

Esta é a hora
do espinho arrancar do pensamento.
Partir, nos rios nas aves ou no vento.

Natália Correia, In Inéditos, 1976-1979

04/03/2013

Liebster...

Para a Margarida -  girassóis que encontrei no fim do Verão. 




A Margarida do blogue Memórias e Imagens ofereceu-me a nomeação de Liebster Award. 
Agradeço muito esta distinção.


Tenho que atribuir a nomeação a outros blogs. A escolha é para mim muito difícil uma vez que só posso escolher cinco. :(  Vou correr o risco de repetir escolhas já efetuadas. 
Assim, dos cinco que me cabe escolher vão para:

- http://aarteemportugal.blogspot.pt/
- http://falcaodejade.blogspot.pt/
- http://myra-parole.blogspot.pt/
- http://sobreorisco.blogspot.pt/
- http://cozinhadosvurdons.blogspot.pt/


«O Sol é o grande Pintor realista.» 

Teixeira de Pascoaes, Obras Completas de Teixeira de Pascoaes, VIII volume, Prosa II. O Bailado, Lisboa Livraria Bertrand, 1973, p.301.

02/03/2013

A Corda

A Corda é um filme de Alfred Hitchcock,  um dos que apreciei bastante dado o ambiente em que decorre.
Ainda  não vi o filme sobre a vida do realizador mas será um dos próximos a ver.

A Corda

XV
O homem é um sim e um não coincidindo; a morte e a vida coincidindo.

Teixeira de Pascoaes, Obras Completas de Teixeira de Pascoaes, VIII volume, Prosa II. O Bailado, Lisboa Livraria Bertrand, 1973, p.63

Trecho retirado do livro que ando a ler e que a Cláudia (Livraria Lumière) me arranjou.

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