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09/11/2016

O ritmo antigo que há nos pés descalços

O ritmo antigo que há nos pés descalços

O ritmo antigo que há nos pés descal
ços
Esse ritmo das ninfas copiado
Quando sob arvoredos
Batem o som da dança —

Pelas praias às vezes, quando brincam
Ante onde a Apolo se Neptuno alia
As crianças maiores,
Têm semelhanças breves

Com versos já longínquos em que Horácio
Ou mais clássicos gregos aceitavam
A vida por dos deuses
Sem mais preces que a vida.

Por isso à beira deste mar, donzelas,
Conduzi vossa dança ao som de risos
Soberbamente antigas
Pelos pés nus e a dança

Enquanto sobre vós arqueia Apolo
Como um ramo alto o azul e a luz da hora
E há o rito primitivo
Do mar lavando as costas.

9-8-1914

Ricardo Reis, Odes (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor). Lisboa: Ática, 1946.


29/04/2015

A Dança e a alma

No Dia Mundial da Dança as minhas escolhas recaem em Degas, Semionova, Pina Baush e Roberto Bolle. Um dia terei uma caixa de música com uma bailarina.

Edgar Degas, "Pequena Dançarina de 14 anos", National Gallery of Art,Washington, D.C.
 (Wikicommons, Ny Carlsberg, Glyptotek, Copenhaga, Daderot).
 "Pequena Dançarina de 14 anos" (foto de Artshooter, Wikicommons). c. 1878-1881, Imagens daqui 18_La_Petite_Danseuse_Quatorze_Ans_Fotografia_Artshooter.jpg19_La_Petite_Danseuse_de_Quatorze_Ans_1881_Ny_Carlsberg_Glyptotek_Copenhagen_Daderot.jpg

A dança e a alma

A dança? Não é movimento
súbito gesto musical
É concentração,num momento,
da humana graça natural

No solo não,no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança-não vento nos ramos
seiva, força, perene estar
um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser
por sobre o mistério das fábulas


Carlos Drummond de Andrade, C. D. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964.

Julgo que já foi editado mas acho linda esta interpretação da dança.



Reedição do excerto do filme de Wim Wenders: PINA (cortesia do youtube)

12/05/2013

Carta

(Pierpont Morgan Library, New York(Museum of Fine Arts, Boston)



Carta a Deus 

Deus, Bem avisaste que eras um Deus invejoso e vingativo. 
Também sei que Job era um caso-limite: uma ameaça do que eras capaz.  Nem eu nem a Maria João temos um milésimo da obediência e da resignação de Job. E castigaste-nos menos. Mas foi de mais. 
De certeza absoluta que nos amamos mais um ao outro do que te amamos a Ti. Sabemos que isto não está certo. Mas foste Tu que nos fizeste assim. Admite: deste-nos liberdade de mais. Foste presunçoso: pensaste que Te escolheríamos sempre primeiro. Enganaste-Te. 
Quando inventaste o amor, esqueceste-te de que seria mais popular entre os seres humanos do que entre os seres humanos e Tu. Por uma questão de tangibilidade. E, desculpa lá, de feitio. 
Tu, Deus, tens o pior das arrogâncias feminina e masculina. Achas que só existes Tu. Como Deus, até é capaz de ser verdade. Mas, para quereres ser um Deus real e humanamente amado, tens de aprender a ser um amor secundário. 
Sabemos que és Tu que mandas e acreditamos que há uma razão para tudo o que fazes, mesmo quando toda a gente se lixa, porque não nos deste cabeça para Te compreender. Esta deficiência foi uma decisão tua: não quiseste dar-nos a inteligência necessária. Mas deste-nos cabeça suficiente para Te dizer, cara a cara, que nos preocupamos mais com os entes amados do que contigo. 
Ajuda a Maria João, se puderes. Se não puderes, não dificultes a vida a quem pode ajudar. Faz o que só um Deus pode fazer: reduz-te à tua significância. Que é tão grande. 

Miguel Esteves Cardoso, in jornal "Público" de 3 de Maio de 2012.

Miguel Esteves Cardoso, Como é Linda a Puta da Vida.  Porto Editora, 2013, p. 13.

01/05/2012

Dança numa caixa de vidro

Em especial para Myra.
Simón Díaz - Luna de margarita. PINA - Versöhnung / Reconciliation / Uzlaşma

Limpa-se o outono... 
árvores desnudadas refletem
luz e sombra, 
                 numa caixa de vidro...
                                           um corpo.


20/05/2011

Belo, belo, belo!

Henri Matisse, The Dance II, 1932. (The Barnes Foundation, Merion Station).



Obrigada Blue do blog A Linguagem dos Pássaros que me aconselhou a ir ver este filme. Já estava na lista de filmes a ver mas o incentivo tornou mais forte a vontade.

"Na tua fragilidade está a tua força"

Pina Bausch

"Dansez, dansez....

si non nous sommes perdus" , Pina Bausch



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Da juventude à velhice, a beleza de saber envelhecer

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