No amor o que se quer é parar o amor. No momento em que mais se ama ou quando não se pode ser amado. “Quero parar aqui”. O tempo mata. O corpo quando se move já está a morrer. A fugir. A passar para outro corpo. “Quero parar-te agora, assim”. O tempo é um movimento dentro das coisas.
[Introdução.]
Miguel Esteves Cardoso (texto), Gérard Castello Lopes (fotografia) – “As Lorelei de João Cutileiro”. Porto: Editora, Porto, 1989.
Esculturas de João Cutileiro *
Vê-se na água escura de
onde vem. Vê-se feliz, de
corpo inteiro, em todas as
posições, com todas as
idades, menina mais uma
vez, sorrindo na água-mãe.
[s/n p.]
O coração não chega para
o que sente. Desfaz-se
em lágrimas e parecem-lhe
poucas. O corpo inteiro
é uma lembrança de um
outro que já teve.
[s/n p.]
[s/n p.]
Perto dos olhos pára uma
parecença de verdade.
Ninguém tem os olhos
errados.
Olhos de amor são olhos
de quem tem medo de
[s/n p.]
*As fotografias são minhas, do livro, e não fazem justiça às fotografias de Gérard Castello Lopes.