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27/12/2015

Uma pequena roseira

Uma pequena roseira, uma porta verde, um candeeiro, um arranjo nada tradicional. Contudo, teve o condão de me tocar quando passeava pelas ruelas do castelo de Ourém. Parei, contemplei. A pequena roseira levou-me até ao livro que ando a ler. O livro é um relato de viagens, uma viagem à Ásia realizada por Maugham. Nele, o escritor foca uma personagem que regressa a sua casa em Inglaterra, a um jardim com rosas.
O meu pequeno passeio nada tem a ver com a viagem ao Oriente mas é também uma viagem; a coincidência entre a viagem à paisagem circundante e ao interior de nós próprios é um acaso feliz. 
A vida acaba por ser isto um conjunto de acasos, coincidências, desvios, caminhos percorridos, uns felizes, outros menos felizes... 


«Muito havia para dizer a mim mesmo sobre a arte e a vida, mas as minhas ideias estavam todas misturadas, como os objectos de uma velha loja de quinquilharias, e nunca sabia onde encontrá-las quando precisava delas. Estavam nos recantos da minha cabeça como bugigangas arrumadas no fundo das gavetas de uma cómoda, e eu sabia apenas que elas lá se encontravam. (...) Seria agradável limpar o pó, arrumar tudo em prateleiras, ordenado e catalogado de modo que eu soubesse em que consistiam as minhas existências. Decidi que, enquanto percorria aquela região, faria uma limpeza profunda de todas as minhas ideias.»

Somerset Maugham, Um Gentleman na Ásia, Relato de uma Viagem de Rangum a Haiphong [editado. 1930], (trad. Raquel Mouta). Lisboa: Tinta da China, 2013, p. 64-65.



A todos agradeço o afecto que deixaram nesta quadra Natalícia.

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