A Cozinha dos Vurdóns convidou-me a focar o problema da fome, as Cinco Mulheres do blogue citado e O Falcão de Jade contribuíram com as suas ideias, acreditam que, apesar da utopia, podemos lutar contra as marés. Juntando esforços talvez consigamos um cordão humano que a pouco e pouco traga algum sustento aos países onde as crianças famintas não sabem sorrir.
Hayk Matsakyan, Hunger

daqui

daquiTommaso de Campanella escreveu A Cidade do Sol em 1623. Na obra, o autor sugere um arquétipo de cidade ideal, livre dos males, da prepotência, da intolerância e da perseguição religiosa. Pressupõe a existência do poder político, entretanto exercido com sabedoria e amor, com base na contribuição da colectividade, que se expressa nas “decisões comuns de todos para todos”. A obra contempla as ideias de filósofos como Aristóteles, Platão, Sócrates e vários teólogos do cristianismo.
A Cidade de Campanella integra-se na literatura utópica é um pouco mais tardia que a Utopia (1516) de Thomas More e contemporânea da A Nova Atlântida de Francis Bacon (1623).
Ora numa sociedade ideal não há fome, guerra, desamor, ódio e violência. É esta utopia que defendemos.
Ora numa sociedade ideal não há fome, guerra, desamor, ódio e violência. É esta utopia que defendemos.
A Cidade do Sol
(...) ao construírem a cidade, trataram de ter propícias as quatro constelações de cada um dos quatro ângulos do mundo, as quais, como já se disse, se observam também na concepção de cada indivíduo, porque dizem que Deus atribuiu causas a todas as coisas, devendo o sábio conhecê-las, usá-las e não abusar delas.
Nutrem-se de carnes, manteiga, mel, queijo, tâmaras e legumes de diferentes espécies. Houve uma época em que não queriam matar os animais, parecendo-lhes isso uma ação bárbara, mas, ao considerarem que também é crueldade extinguir plantas que gozam de sentido e vida própria, para não morrerem de fome, concluíram que as coisas ignóbeis foram criadas para beneficiar as mais nobres. E é assim que, no presente, se alimentam de todos os animais, mas, na medida do possível, poupam os mais úteis, como os bois e os cavalos. Fazem distinção entre alimentos sãos e nocivos, e, quanto à escolha, deixam-se dirigir pelo médico. A alimentação é continuamente mudada por três vezes: primeiro, comem carne; depois, peixe; por fim, legumes. Então, recomeçam com a carne, de forma que o hábito não
enfraqueça as forças naturais. Os alimentos de fácil digestão são dados aos velhos. Estes comem três vezes ao dia e parcamente; duas vezes, a comunidade; e quatro, as crianças, segundo ordena o médico.
Em geral, vivem cem anos, sendo que não poucos também duzentos.
Nutrem-se de carnes, manteiga, mel, queijo, tâmaras e legumes de diferentes espécies. Houve uma época em que não queriam matar os animais, parecendo-lhes isso uma ação bárbara, mas, ao considerarem que também é crueldade extinguir plantas que gozam de sentido e vida própria, para não morrerem de fome, concluíram que as coisas ignóbeis foram criadas para beneficiar as mais nobres. E é assim que, no presente, se alimentam de todos os animais, mas, na medida do possível, poupam os mais úteis, como os bois e os cavalos. Fazem distinção entre alimentos sãos e nocivos, e, quanto à escolha, deixam-se dirigir pelo médico. A alimentação é continuamente mudada por três vezes: primeiro, comem carne; depois, peixe; por fim, legumes. Então, recomeçam com a carne, de forma que o hábito não
enfraqueça as forças naturais. Os alimentos de fácil digestão são dados aos velhos. Estes comem três vezes ao dia e parcamente; duas vezes, a comunidade; e quatro, as crianças, segundo ordena o médico.
Em geral, vivem cem anos, sendo que não poucos também duzentos.
A Cidade do Sol de Tommaso Campanella
Notas - Li este livro no tempo da Faculdade, tenho-o mas foi mais fácil tirar estas notas do livro em pdf cujo link está assinalado.
Notas - Li este livro no tempo da Faculdade, tenho-o mas foi mais fácil tirar estas notas do livro em pdf cujo link está assinalado.
Para embarcarmos na cidade da Utopia deixo Barcarolle in F sharp, Op. 60 de Chopin, tocado por Dang Thai Son que ouvi ontem no 3º Festival de Artes de Coimbra