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30/03/2019

Sob a luz do poente

Sob a luz do poente, Panteão, Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha



A um Poeta

Longe do estéril turbilhão da rua, 
Beneditino, escreve! No aconchego 
Do claustro, na paciência e no sossego, 
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! 
Mas que na forma de disfarce o emprego 
Do esforço; e a trama viva se construa 
De tal modo, que a imagem fique nua, 
Rica mas sóbria, como um templo grego. 
Não se mostre na fábrica o suplício 
Do mestre. E, natural, o efeito agrade, 
Sem lembrar os andaimes do edifício: 
Porque a Beleza, gêmea da Verdade, 
Arte pura, inimiga do artifício, 
É a força e a graça na simplicidade. 


Olavo Bilac, in "Poesias"  (poema retirado do Citador)

David Fray, Jacques Rouvier, Emmanuel Christien & Audrey Vigoureux, pianos String ensemble of the Orchestre National du Capitole de Toulouse

31/05/2015

Janelas com feridas

Sigam as andorinhas e encontram algumas janelas feridas, no canto superior esquerdo,
Rua das Oliveiras (?), na Cedofeita.


Rua dos Clérigos

Com a ajuda do João Menéres e da Cláudia os 50 anos evocam as memórias da UNICEPE – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto.
Largo da Universidade, Praça de Gomes Teixeira, mais conhecida por Praça dos Leões.


Van Gogh, A Pork-Butcher's Shop Seen from a Window, Arles, 1888, 
Museu Van Gogh, Amesterdão

Será  a língua portuguesa este constante desleixo pelo património?

LÍNGUA  PORTUGUESA

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te ó rude e doloroso idioma

Em que da voz materna ouvi: «Meu filho!»,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!

as mais belas poesia de Olavo Bilac escolhidas por José Régio, Artis, 1966, p. 40.

Desta edição fez-se uma tiragem com 120 exemplares, em papel Arte, numerados e assinados por José Régio, sendo os últimos vinte, (I a XX) fora do mercado.
Ilustrações de Manuel Lapa, Maria Keil, Rogério Ribeiro e Sá Nogueira.


01/09/2011

Leitura de férias - 2 , Olavo Bilac

A arte ilustra bem a poesia. É neste contexto que apresento Benjamín Palencia, um pintor espanhol que nasceu em Albacete em 1894 e faleceu em Madrid em 1980. Vi esta tela no Museu de Santa Cruz, em Toledo, numa exposição sobre a obra e vida do pintor.

Benjamín Palencia, Paisaje de Montaña, c. 1925

Óleo sobre lienzo, Colección particular, Madrid

Todas as árvores me maravilham mas aquelas que vivem várias centenas de anos têm o condão de me silenciarem como o poema de Olavo Bilac, poeta e jornalista brasileiro, que viveu entre 1865 e 1918.

Árvore da borracha, Alicante, Espanha.



Velhas árvores

Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo”! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

Olavo Bilac, Antologia: Poesias. São Paulo : Martin Claret, 2002. Alma Inquieta. (Coleção a obra-prima de cada autor), p.34 in A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro

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