Giorgio De Chirico, Composição Metafísica, 1914. Vendido pela Christie's Daqui
Teremos de descer até ao fundo da lava
E sentir a frigidez da sombra que está no fundo de tudo
Teremos então num incerto vaivém
De subir e descer e do abismo ao solo solar
Da lucidez inebriante à viscosa agonia
Tecer a intermédia melodia da ascensão e da queda
Na sucessão dos instantes na sequência das palavras
Para que possamos viver no equilíbrio ténue
Como numa torre transparente mas de obscuros veios
E consagrar o luminoso mercúrio
Que liga a cinza futura e já pretérita
À ingénua insurreição da nossa inocência original
António Ramos Rosa e Robert Bréchon, Meditações Metapoéticas / Méditations Métapoétiques. Lisboa: Caminho, 2003, p. 94.
