08/06/2010

Uma camélia traiçoeira!

Onde uma camélia nos pode levar!
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Gosto imenso deste quadro de Caravaggio não só pelo esgar da expressão dorida do rapaz mas, também, por causa da camélia que exorta a beleza. Digamos que é a beleza com um espinho que encontramos muitas vezes no nosso quotidiano.

Caravaggio, Detalhe do Rapaz mordido por um lagarto
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Caravaggio, Boy Bitten by a Lizard, c.1593-1594.
x Oil on canvas, 66 x 49,5 cm The National Gallery, London

"Alfredo di quest core" , II acto da Traviata de Verdi

Coro e orquestra do Mariinsky Theatre , maestro Valery Gergiev, St. Petersburg, Mariinsky Theatre, Junho de 2003.
Anna Netrebko - Violeta Valery

07/06/2010

Lovely and Loyal Award!

Recebi de Margarida Elias, do blogue Memória e Imagens, um desafio que, por sua vez, recebera de Presépio com vista para o Canal.
Agradeço o simpático desafio e aqui está:

1.Porque que é que criou um blogue e, quando o criou, tinha expectativas de que fosse popular?

2. Em que data exacta iniciou o blogue?

3.Nomeie 5 seguidores leais.
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Respondendo:

1. O blogue nasceu depois da minha viagem a Itália onde estive a fazer uma investigação ligada aos meus estudos. Um amigo falou-me no mundo dos blogues e eu aderi à ideia. Foi por graça e nunca pensei que iria ser uma experiência enriquecedora como é. Não é popular e nunca pensei nessa possibilidade.

2. O primeiro post foi colocado a 9 de Agosto de 2008. Ainda não fez dois anos.

3. Entre os meus seguidores nomeio apenas dois para não correr o risco de repetições:

Pre Raphaelit Art
bibliofilia entre parênteses

In Memoriam Paul Gauguin!

A 7 de Junho de 1848 nasceu Gauguin. Gosto do seu traço e da expressividade das suas cores. Presto a minha homenagem com o retrato de M.Loulou que tem um enquadramento belíssimo.
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Paul Gauguin, M. Loulou, 1889
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Óleo sobre tela, (55 x 46.2 cm),Barnes Foundation, Merion, PA

Infância

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.

Carlos de Oliveira, in 'Cantata' (retirado do Citador)

06/06/2010

Angústia - Florbela Espanca.

A angústia nasce da impossibilidade de agir.
Louis Chéron, Hercules Slaying the Hydra, ca. 1690-1725
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V&A ( Victoria and Albert)Museum, Londres

Angústia

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar! ... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ...
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! –
O brilho duma estrela, com o vento! ...

E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...”

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas" (recolhi do citador)


Gente da minha terra - Mariza

05/06/2010

Viagem ao passado na terra da música III!

Na rubrica Viagem ao passado na terra da música não contemplo nenhum critério de preferência. São pequenos acasos que me levam até elas. Não há portanto, uma cronologia sistemática. Digamos que é uma viagem sem destino nem rota.
Gigliola Cinquetti aos 16 anos, canta a música "Non ho L' età"que ela ganhou em 1º lugar
no Festival de San Remo de 1964. Aqui é uma apresentação na TV francesa.
Em 1966 ela voltaria a ganhar novamente o festival de San Remo com
Dio Come Ti Amo...


The Caress - Simbolismo!

Fernand Khnopff, detail, The Caresses, 1896
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Oil on canvas, 50 × 150 cm, Musée Royaux des Beaux-Arts, Brussels, Belgian

Fernand Khnopff foi um pintor, escultor e desenhador belga cuja arte se identificou com o Simbolismo, movimento que remonta aos finais do século XIX. Fernand recebeu as influências dos seguintes pintores: Hunt, Watts, Rossetti, Brown e Burne-Jones nas viagens que fez a Londres e de Gustave Klimt na viagem que fez a Viena.

Gosto desta tela por causa das cores, do romantismo e do enquadramento paisagístico.

É tão fundo o silêncio!

Por vezes desejamos o silêncio e o céu cheio de estrelas...
outras que ele não se instale!
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Detalhe Van Gogh, Café Terrace at Night. September 1888
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Oil on canvas. Rijksmuseum Kröller-Müller, Netherland
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É tão fundo o silêncio

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
Nem o canto das aves milagrosas.
Mas lá, entre as estrelas, onde somos
Um astro recriado, é que se ouve
O íntimo rumor que abre as rosas.

José Saramago,
In Provavelmente Alegria, Caminho, 1987, 3.ª edição; 1.ª edição, Livros Horizonte, 1970
Nick Kave and The Bad Seeds:

Where the Wild Roses Grow - Nick Cave & Kylie Minogue



04/06/2010

Quando a poesia vier!

Às vezes é difícil adaptarmo-nos e corremos o risco de não sermos compreendidos.
A poesia ajuda a ultrapassar todas as fronteiras!
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Carta de Vinicius de Moraes, para Rodrigo Melo Franco de Andrade, quando esteve em Oxford a estudar:
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"Estou longe da poesia, seco, estudando Anglo-Saxão e metido em grandes roupagens. Jantando no Hall em que jantou o Rei, vendo nomes penosos por toda a parte e monumentos belíssimos a cada passo. Mas sinto que só vou começar a viver mesmo quando ela vier, quando ela me trouxer de volta tudo o que eu deixei de mim – eu mesmo – nela, quando a aventura me obrigar a vir e sobretudo quando o segredo me fortificar as horas, e o cuidado, a ação".

Ler aqui

03/06/2010

Paul Celan

Rodin, Les Mains

Musée Rodin, Paris

o meu peso
nas tuas mãos a-
bertas:
a paciência in-
sombra do meu desespero.

Paul Celan, A Morte é uma Flor, Poemas do espólio Edição bilingue. Tradução, posfácio e notas de João Barrento. Lisboa: Cotovia, 1998

Viagem ao passado na terra da música II!

- Capri C'est Fini - Hervé Vilard!


O tempo ... as circunstâncias... os ventos

uma moeda deitada no ar

morre no fundo mar!

02/06/2010

Flora - Arcimboldo!

Giuseppe Arcimboldo, Flora,1591

Óleo sobre madeira. 73 x 56 cm, Colecção privada, Paris

As flores levam-nos a sorrir tal como o nonsense de Arcimboldo.

O sorriso




Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade, Série poemas de Além-Mar.
(retirado do youtube)

Angels - Dante Gabriel Rossetti!

Vi esta belíssima pintura no blogue Pre Raphaelite Art. O que mais me impressionou foi a ingenuidade dos anjos perante a coroa de espinhos que remete para a presença de Cristo. Outro pormenor que me tocou foi ser um quadro inacabado.
Dante Gabriel Rossetti, Anjos, 1848 (inacabado)

Thanks to Pre Raphaelite Art

01/06/2010

Philippe Jaroussky - Vedro con mio diletto - Vivaldi

Ária do I acto da ópera Justino de Vivaldi, libretto de Nicolò Beregan. O libretto encontra-se na Biblioteca Nazionale di Torino.




Italian libretto:

Vedrò con mio diletto
l´alma dell´alma mia
Il core del mio cor pien di contento.
E se dal caro oggetto
lungi convien che sia
Sospirerò penando ogni momento...


Informações retiradas da wikipedia.

The Raven, O Corvo, Edgar Allan Poe!

To The Dutchess with grateful thanks!

Gustave Doré, The Raven (Frederick Juengling)


Then into the chamber turning, all my soul within me burning.
Soon I heard again a tapping somewhat louder than before.
"Surely", said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is , and this mystery explore -
Let my heart be still a moment and this mystery explore;-
-------------- -----"This the wind, and nothing more!"


Gosto muito de corvos / I love so much ravens
são enigmáticos,/they are enigmatic,
curiosos / curious
e graciosos. / and graceful.


Edgar Allan Poe, The Raven/O corvo (ilustrações Gustave Doré, trad. Fernando Pessoa), Póvoa de Varzim: Manuel Caldas, 2009, p.32

Dia Mundial da Criança...

Jessie Wilcox Smith foi Educadora de Infância e ilustrou livros para crianças.
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Jessie Wilcox Smith, Ilustração

"Eram vinte e cinco soldados de chumbo, todos irmãos, por terem nascido da mesma colher de chumbo. Que atitude marcial, de espingarda ao ombro, olhar fixo, e ricos uniformes azuis e vermelhos! A primeira coisa que ouviram neste mundo, quando se levantou a tampa da caixa em que estavam, foi este grito:
- "Olha, soldadinhos de chumbo!"


Hans Christian Andersen Do Tesouro da Juventude, volume X .

No mais íntimo de nós temos uma criança, assim quero crer.

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TCHAIKOVSKY - QUEBRA-NOZES (Gran Pas de Deux),Adagio, Béjart Ballet Lausanne Cristine Blanc Domenico Levrè

31/05/2010

O tempo e a memória: a persistência da memória... 2

Retirei daqui
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A persistência da memória...

O tempo
esfuma as circunstâncias,
cria sombras, apaga os pormenores...
mas deixa para sempre uma marca

... que jamais se apaga


Time - Pink Floyd

O tempo e a memória...

Gosto deste quadro de Dalí, embora seja melancólico! (Não é o meu favorito, mas faz parte)
Salvador Dalí, A persistência da memoria, 1931

óleo sobre tela, 24 x 33 cm, Museum of Modern Art, Nova Iorque
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O tempo é uma medida estranha...
queremos agarrá-lo
mas ele foge entre os nossos dedos.
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Este foi o meu pensamento de domingo!

30/05/2010

Viagem ao passado na terra da música I!

para o céu em voo rasante

"There's a lady who's sure
All that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven"

More lyrics: http://www.lyricsfreak.com/l/led+zeppelin/#share


Num tom calmo: "Jardin d'hiver" - Jim Tomlinson & Stacy Kent

Chove...

Claude Monet, Water Lilies, c. 1920.

Oil on canvas, Museum of Modern Art (MoMA), New York

Chove ininterruptamente
no jardim
os nenúfares
jazem.

Amamos, tão-somente, a ideia...

Albrecht Dürer, Study of a Drapery, 1508

Museu do Louvre, Paris

Não concordo inteiramente com este texto do heterónimo de Fernando Pessoa mas dá que pensar.
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INTERVALO DOLOROSO - Autobiografia sem factos
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112.
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Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanismo é abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade.
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Bernardo Soares, O Livro do Desassossego, Lisboa: Assírio & Alvim, 1998, p. 137.

29/05/2010

Sombra!

Max Ernst, "Arbre solitaire et arbres conjugaux", 1940.
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Huile sur toile, 81.5 x 100.5 cm. Thyssen-Bornemisza, Madrid.
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O quotidiano mata...

a insatisfação tem o sabor amargo

dos dias sem espuma.

Sombra.

28/05/2010

Dante Alighieri!

Dante é o meu escritor favorito, já li e reli a Divinia Comédia porque é um livro que me deslumbra!
Como as almas ilustres, belas e profundas não morrem: Parabéns Dante.
Estou a homenagear Dante depois de ter lido o comentário de APS no Prosimetron. Obrigada APS, não gostaria de deixar de agraciar Dante no dia de aniversário.
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John William Watherhouse, Dante e Beatrice, 1915

Private Collection


Paraíso, Canto XXV

Se acontecer que o poema sagrado,
em que céu e terra puseram mão,
(magro me fez, de tanto ano passado)
Vencer a crueldade que em prisão
me exila do redil onde, cordeiro,
dormi, oposto aos lobos que o atacam;
Voz e pêlo distinto do primeiro
terei, chegando poeta, e me façam
a testa ornar com folha de loureiro …

(Retirado da wikipedia)


Una Furtiva Lagrima - Elisir d'Amore, Gaetano Donizetti

"Una Furtiva lagrima" Rolando Villazon!



Act II de Elisir d'Amore

À saudade de ver beleza,
Roma cidade eterna!

Músicos - Caravaggio !

"Repouso durante a Fuga para o Egipto" levou-me a consultar o catálogo que remeto no link.
Caravaggio, Musici,1594-95
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Olio su tela / 92,1 x 118,4 cm, Metropolitan Museum of Art,New York

Caravaggio amava la musica. Nei suoi dipinti compaiono suonatori, spartiti, strumenti come liuti, violini e flauti. Il cardinale Del Monte, al cui servizio il pittore entra nel 1595, fa costruire un salone per la musica con libri e strumenti, oltre ad alcuni dipinti. Caravaggio dipinge per il cardinale “una musica di alcuni giovani ritratti al naturale, assai bene” (Concerto di musici), oggi conservato al Metropolitan di New York, che testimonia l’ambiente musicale della Roma di fine secolo. La sua grande precisione ha permesso di identificare alcuni dei brani copiati nelle partiture. Nel Riposo durante la fuga in Egitto, un angelo suona un motivetto del compositore fiammingo Noel Bauldwijn. Nelle due versioni del Giovane che suona il liuto compaiono flauto, arco, violino e spinetta, oltre ad alcuni libri di musica. Più difficile la lettura dello spartito di Omnia vincit Amor, dove il fanciullo con ali da Cupido travolge anche liuto e violino.

Joseph Haydn, London Trio No. 1 in C major. Hob. IV 1.


Flute: Jean-Pierre Rampal (1922 ~ 2000).
Violin: Isaac Stern (1920 ~ 2001)
Cello: Mstislav Rostropovich (1927 ~ 2007)

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