14/07/2010

A complexo mundo de Frida Khalo!

Frida Khalo foi uma pintora mexicana que teve uma vida atribulada por causa de um acidente grave. Passou muito tempo hospitalizada e foi sujeita a inúmeras cirúrgias. A sua arte manifesta muito da sua dor e insere-se no movimento "naíve art".
Casou-se com o pintor Diego Rivera por quem nutriu uma grande paixão.
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Frida Khalo, Moses (Nucleus of Creation) - 1945
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Oil on Masonite. 94 x 50.8 cm. Private collection

Esta pintura é de uma complexidade enorme pela simbologia e pelos numerosos retratados que compõem a história do quadro.

13/07/2010

Divagações...

Bola de sabão : a beleza do perecível.



A superficialidade mata...

Três sentidos sobre a imaginação.

René Magritte é um pintor belga ligado ao surrealismo, movimento artístico que aprecio sobremaneira. Tês sentidos da imaginação é o despertar da manhã cinzenta.
René Magritte, La Reproduction Interdicte, (A repropdução interdicta)1937
Óleo sobre tela, 81.3 cm × 65 cm, Museum Boijmans Van Beuningen, Roterdão

"O horror visível tem menos poder sobre a alma do que o horror imaginado".
William Shakespeare

"É mais fácil para a imaginação compor um inferno com a dor, que um paraíso com o prazer ".
Antoine Rivarol.

"A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo".
Blaise Pascal.
Citações retiradas do citador

12/07/2010

La fida ninfa, Vivaldi!

Sandrine Piau, "Il mio core a chi la diede", Vivaldi, La fida ninfa
dir. Jean-Christophe Spinosi, Ensemble Matheus


Beleza é Infinito!

Federic Cayley Robinson é um pintor e ilustrador britânico. Nesta pintura o que mais me agradou foi o luar tão radiante e os tons de azul.

Federic Cayley Robinson, Os Três Irmãos, c. 1897

1474

Allheio à Beleza - ninguém pode ser -
Pois a Beleza é Infinito -
E o poder de ser finito cessou
Antes de a Identidade ser alugada.

Emily Dickinson, Poemas e Cartas, Lisboa: Cotovia, 2000, p. 125

11/07/2010

Palavras leva-as o vento...

Ao falar com uma pessoa amiga sobre liberdade, dispus-me a discorrer sobre a palavra. Passei uns dias a acordar e a adormecer com ela. A que conclusões cheguei?

Barbara Powell, Crianças na Praia

Aguarela
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Liberdade é uma palavra vazia, já que ninguém consegue ser completamente livre. Não somos livres do passado nem dos elos criados ao longo da vida.

Igualdade, não somos iguais porque todos somos diferentes mas igualdade de direitos é também uma quimera!

Fraternidade, onde é que ela mora?

Crianças na Praia
Palavras leva-as o vento. Foi assim que este Domingo olhei para o sol!

A fisionomia da pintura!

E. M. Cioran é um filósofo céptico e amargo, irónico e solitário. Hoje escolhi a sua afirmação sobre a arte e o fim dela, anunciada pela falta de ânimo do homem, e por este ter esgotado "os meios de expressão". Não creio nesta sua ideia mas faz-nos pensar na mediania e lutar para ir mais além. Os poetas e os pintores renovam-se. Juntei-o a Max Ernst que também sofreu com o desespero das guerras e o revelou em algumas das suas obras.
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Max ERNST. Le Punching Ball ou l'Immortalité de Buonarroti
Colagem

A fisionomia da pintura, da poesia, da música, daqui a um século? Ninguém é capaz de a imaginar. Tal como após a queda de Atenas ou de Roma, uma longa pausa interpor-se-á, devido ao esgotamento dos meios de expressão, bem como ao esgotamento da própria consciência. A humanidade para se reconciliar com o passado, ver-se-á obrigada a inventar uma segunda inocência, sem a qual nunca conseguirá renovar as artes.

E. M. Cioran, Do Inconveniente de Ter Nascido, Lisboa: Letra Livre, 2010, p. 43

Max Ernst, Aquis submersis 1919

54 cm × 43.8 cm
Städelsches Kunstinstitut und Städtische Galerie, Frankfurt

Escolhi Satie para trazer tranquilidade e serenidade.

Erik Satie - Gymnopédie No.1


10/07/2010

Camille Pissarro

Vi o auto-retrato de Camille Pissarro no Museu D'Orsay e gostei imenso.
Camille Pissarro nasceu a 10 de Julho de 1830 em Charlotte Amalie, Ilhas Virginia e foi para Paris aos 12 anos. Frequentou várias escolas de pintura deixo aqui apenas as que tiveram maior importância na sua obra: a École des Beaux-Arts e Academie Suisse.
Conheceu Jean-Baptiste-Camille Corot, Gustave Courbet e Charles-François Daubigny que influenciaram a sua obra.
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Camille Pissarro, Auto-retrato, 1873

Óleo sobre tela, 55x 46 cm, Museu D'Orsay, Paris

Two Women, Chating by the sea, St Thomas, 1856

Oil on canvas, 27, 7 x 41 cm, National Gallery of Art, Washintgon DC

09/07/2010

Vinheta 5 - José Rodrigues

A vinheta desta semana é em memória de um pintor português, José Rodrigues que nasceu em Lisboa a 16 de Julho de 1828. O dramatismo da cena e o conjunto formado por uma criança, um jovem e um homem parece representar três idades: a infância, a juventude e a idade adulta, impressionou-me.
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José Rodrigues (de Carvalho), Cego Rabequista, 1855
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Óleo sobre tela 170 X 122 cm, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa

O cego rabequista foi considerada a sua obra mais famosa, pintada em 1855, foi exibida na Exposição Universal de Paris em 1855 e na Exposição Internacional do Porto em 1865, conquistando o segundo lugar. (wikipedia)


Tempestade

O Vento enchia o Mundo.
Mal deixava lugar para a tremenda voz das ondas.

Mas era o Mar apenas que se ouvia.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho É Que Vamos, Lisboa: Ática,1992,p. 67.

Vinicius/Amália

Vinicius Moraes e a guitarra portuguesa. Lembrar Vinicius no dia em que partiu e foi ao encontro da sua Eurídice.
(19, Outubro, 1913- 9 Julho 1980)

A partir de uma gravação em casa de Amália Rodrigues num serão com Vinicius de Moraes, Natália Correia, David Mourão-Ferreira e José Carlos Ary dos Santos, em 1968

08/07/2010

Nina Simone e Chagall

O poema desta canção é lindo como é a paisagem azul de Chagall.
Feeling Good!


Chagall, Blue Landscape (1949)



Birds flying high
You know how I feel
Sun in the sky
You know how I feel
Reeds driftin' on by
You know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea
You know how I feel
River running free
You know how I feel
Blossom in the tree
You know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when the day is done, that's what I mean
And this old world is a new world
And a bold world
For me
Fooor me

Stars when you shine
You know how I feel
Scent of the pine
You know how I feel
Yeah freedom is mine
And I know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
hu
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
It's a new life
For me

And I'm feeling good

O sal da língua!

As palavras podem ser sal se não forem bem temperadas. Associei o poema de Eugénio de Andrade a Lewis Carrol porque as suas palavras estão para lá do que aparentam. Lisbeth Zwerger é uma ilustradora austríaca que aprecio.
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Lisbeth Zwerger, A Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas.


O sal da língua

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Eugénio de Andrade, O sal da língua

O mundo é um livro...

Chris Peters é um pintor que vive em Los Angeles, Califórnia. Gostei desta tela por causa da sua simbologia:
- Os livros dão frutos e os frutos podem ser proibidos. Aprendi que não podemos saber todos os segredos do mundo.
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Chris Peters, Cobra, Maçãs e Livros


"O mundo é um livro onde o juízo eterno escreve os seus conceitos".

Tommaso Campanella in Italo Calvino, Porquê Ler os Clássicos?, Porto: Teorema, p. 81

07/07/2010

O espelho do filósofo...

Leonardo da Vinci, with the cited passage in da Vinci’s mirror script from the Codex Leicester in: The Notebooks of Leonardo Da Vinci, vol. ii, p. 179 (Jean Paul Richter ed. 1883)Retirado daqui


O filósofo observa e medita. É um espelho que pensa.

Guerra Junqueiro.
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Guerra Junqueiro faleceu a 7 de Julho de 1923.

Retirado do Citador

06/07/2010

Matilde Rosa Araújo

Rododendros

Li nos blogues Da Literatura e no Ler esta triste notícia: faleceu Rosa Matilde de Araújo. Resta dizer que foi num dia lindo de Verão.

HISTÓRIA DO SR. MAR

Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...

E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe...

Matilde Rosa Araújo, O Livro da Tila

Um quadro para fazer sonhar...

Gosto muito desta tela de Böcklin pela atmosfera misteriosa e romântica; pela luz que a atravessa e pela espiritualidade oferecida pelos ciprestes!
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Arnold Böcklin, A Ilha dos Mortos, 1880
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Têmpera envernizada sobre tela, 111 x 155cm, Kunstmuseum Basel, Basileia

Esta pintura teve cinco versões, tendo uma delas, a terceira, pertencido a Hitler .
A obra pretende dar uma visão do passado e do futuro. Ela nasceu do pedido de uma senhora de Frankfurt que encomendou um "quadro para fazer sonhar". Böcklin cumpriu o desejo.
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"Uma pequena ilha brilha sob os raios dourados do pôr-do-sol. Tem rochedos altos e sublimes, que cercam e protegem um pequeno bosque de ciprestes. Em frente aos rochedos vemos muros de mármore branco liso e brilhante, que se assemelham a campas de cemitério, entradas para um mundo subterrâneo dos mortos. (...) Naquela tranquilidade, com a superfície do mar como um espelho, aproxima-se um pequeno barco, com uma figura a remar, (...) por trás desta figura (...) vê-se uma pessoa vestida de branco de pé em frente a um sarcófago, coberta com um traje pálido."
Walter Schurian, Arte Fantástica, Lisboa: Taschen Público, p.26.

05/07/2010

Em torno da verdade.

Hoje li esta frase que me ficou a ecoar na cabeça:

Há verdades que se sentem mas que não se exprimem.

Deu-me uma vontade de gritar:
- Como é que é possível sentir e não se conseguir exprimir... se o caminho tende para a luz?
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M.C. Escher, Olho, 1946

04/07/2010

Gianmaria Ortes

Barahona Possolo, Alma Cativa


Era uma vez um homem que pretendia calcular tudo. Prazeres, dores, virtudes, vícios, verdades, erros: para cada aspecto do sentir e do agir humanos este homem estava convencido de que podia estabelecer uma fórmula algébrica e um sistema de quantificação numérica. Combatia a desordem da existência e a indeterminação do pensamento com a arma da «exactidão geométrica», ou seja, de um estilo intelectual todo contraposições claras e consequências lógicas irrefutáveis. O desejo do prazer e o temor da força eram para ele as únicas certezas das quais se pode partir para penetrar no conhecimento do mundo humano: só por esta via podia chegar a estabelecer que até valores como a justiça e a abnegação tinham qualquer fundamento.
O mundo era um mecanismo de forças impiedosas; «o valor das opiniões são as riquezas, sendo manifesto que estas permutam e compram opiniões»; «o Homem é um feixe de ossos ligados entre si por meio de tendões, músculos e outras membranas». É natural que o autor destas máximas tenha vivido no século XVIII. (...) Giammaria Ortes, assim se chamava, era um padre seco e escorbútico, que opunha a espinhosa couraça da sua lógica aos prenúncios dos terramotos que serpenteavam pela Europa e que também se repercutiam nos alicerces da sua Veneza.

Italo Calvino, Porquê ler os Clássicos?, Lisboa: Teorema, 1991, p.111-112.

Jessye Norman - Je vivrai sans toi (Michel Legrand)

Sei de um rio


Sei de um rio e de um sonho. Hoje, vestiu-se o sonho nas cordas dedilhadas de uma guitarra.


O milagre das rosas - Lima de Freitas

Lima de Freitas, O milagre das Rosas, 1987.
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Ave Rosa Speciosa, Ave Mater Humilium
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Acrílico sobre madeira 1987

Milagre das Rosas, in "Mensagem" de Luis Vidal Lopes


"São rosas Senhor"

02/07/2010

Vinheta 4 - Rainha Santa Isabel de Portugal

Esta semana o mote da vinheta vai ser a Rainha Santa Isabel de Portugal.
A festa de Coimbra e da Rainha Santa celebra-se no dia 4 de Julho, dia em que morreu D. Isabel.
Santa Isabel de Portugal era filha do rei D. Pere III, de Aragão, e D. Constança, de Navarra, e casou-se com o rei D Dinis, em 1282. Terá nascido em 1269(?) e morreu a 4 Julho de 1336 em Estremoz. Recebeu o nome da tia-avó, Santa Isabel da Hungria.
O episódio sobejamente conhecido sobre a Rainha é o milagre das rosas. Todavia, este milagre foi originalmente atribuído à sua tia-avó Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original, e pelo facto de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e a mesma bondade perdura a ideia do milagre. Foi canonizada em 1626 pelo Papa Urbano VIII.

Notas retiradas do Dicionário de Santos Donald Attwater Pub Europa América 1983


Túmulo antigo mandado construir pela Rainha Santa onde esteve sepultada muito tempo. Hoje o seu corpo incorrupto encontra-se num túmulo relicário de prata e cristal no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.

Excerto do Sermão Panegírico da Rainha Santa, do Padre António Vieira


Impresso em Lisboa na Oficina Miguel Deslandes em 1682.

01/07/2010

...a meio caminho entre o cansaço e a beleza.

Li esta pequena história de Ondina Braga escrita em 3 páginas que não ousei transcrever na totalidade e estou em consonância perfeita com ela. Senti que a autora penetrou até ao interior dos meus pensamentos.
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Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra

Nunca penetrei numa clausura. Nunca desejei ser freira. Mas os conventos, os hábitos das monjas, o tilintar das campainhas que regulam os passos da comunidade, aquela ciência que cada religiosa guarda no olhar recatado ou no sorriso singularmente contente, tudo o que lhes diz respeito me impressiona.

Altos os muros dos conventos. Os tectos das salas, altos também. (Diz le Corbusier que os tectos baixos favorecem as paixões.) E um frio irremediável da casa, um frio que vem dos sobrados luzidios e nus, das cadeiras de espaldar duro, dos napperons e das flores de plástico. Um frio de escrupolosas limpezas, de manuais, de virtude. (...)
Inesquecíveis a penumbra do locutório, o relógio de tempo sempre errado, o desadorno das paredes, a ausência total de espelhos. Maus impulsos, se os havia, estavam emparedados, mal aflorando em gestos ou expressões. Para essas vidas de renúncia, a Natureza, talvez, o único refrigério: o mar e o monte em frente das janelas do convento, a obra do Altíssimo que se conservou pura porque não entrou na revolta dos anjos nem na dos homens. E tudo o mais a «porta estreita»: a obediência, a regra, o equilíbrio de quem julgou ter encontrado Deus a meio caminho entre o cansaço e a beleza.

Maria Ondina Braga, Estátua de Sal, Lisboa: Editor José Ribeiro, 1983, p.41

In memoriam - Amália Rodrigues.

Homenagem a Amália Rodrigues 1 de Julho de 1920
(data que a fadista escolheu para o seu aniversário/ registada a 23 de Julho 1920)
O Grito!


O Medo!

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