17/05/2014

Gesto - Sophia

Amanhecer


GESTO

Eu em tudo te vi amanhecer
Mas nenhuma presença Te cumpriu,
Só me ficou o gesto que subiu
às minhas longínquas fontes do meu ser.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética I. Lisboa: Caminho, 1990, p. 142.

15/05/2014

Aprazíveis diálogos II

Ainda centrada geograficamente no Porto, chegou-me um texto que a todos tocará certamente. Identifico-me com ele embora não estabeleça uma relação profissional directa.
A minha amiga Cláudia, da Livraria Lumière, teve a gentileza de participar nos Aprazíveis diálogos. Obrigada.

Recentemente li um texto, com o qual me identifiquei particularmente. Parecia que tinha sido escrito para mim! Partilho um excerto e, estou certa, que outras pessoas vão, igualmente, identificar-se com ele. Apenas substitui as palavra "Biblioteca" por "Livraria", Bibliotecária por Alfarrabista e a inicial do nome próprio I. por C. 

Giuseppe Arcimboldo, Library, 
Skokloster Slott, Balsta, Sweden (Wikart)
The Librarian - Giuseppe Arcimboldo


Cláudia tive que mudar a imagem porque às vezes desaparecia.

(...) o livro tem sido o amigo leal e sempre presente nas horas boas e más fazendo rir, chorar, pensar e reflectir, ensinando, desvendando os segredos do universo, revelando um pouco da vida de cada um de nós. 
Na Livraria passa a maior parte do seu dia, escasso, contudo, para dedicar ao livro o tempo que ele merece. Diariamente, na Livraria, trava consigo própria uma luta titânica para manter com ele uma relação puramente profissional; ocasionalmente distrai-se, C. não resiste à tentação e lê, aqui e além, algumas passagens de alguns dos livros que, às dezenas, todos os dias lhe passam pelas mãos. Descobre-os, folheia-os, consulta os sumários, os índices, por vezes, lê os prefácios e as introduções, conhece-lhes a cor das capas, identifica-lhes o conteúdo, atribui-lhes a localização, divulga-os, publicita-os, dá-os a ler. Os milhares e milhares de livros, arrumados e alinhados em estantes e prateleiras, num infindável jogo de cores, são o seu mundo; conhece-os, acarinha-os, protege-os, mas infelizmente, na Livraria, não lhes pode oferecer aquilo por que eles mais anseiam: o prazer de os ler - C. é Alfarrabista

Da Memória do Mundo / Biblioteca Central da FLUP - Porto: Faculdade de Letras, 1996, p. 43 e 44. Texto de João Leite.

13/05/2014

(...) algo de autêntico...

A Melhor Oferta é um filme de Giuseppe Tornatore e conta com a brilhante interpretação de Geoffrey Rush.
Um filme com vários sabores e fragrâncias, tem como cenário várias cidades italianas, em particular ,a piu bella Roma, um ambiente sublime, o melhor e o pior da essência humana.

Obteve os seguintes prémios: o David di Donatello Award para o melhor filme, realização, decoração, guarda-roupa e a melhor música (Ennio Morricone); o Silver Ribard Awards para o melhor: filme, realização, produção, cenografia, guarda-roupa, editor e a melhor música. Por último, recebeu o European Film Awards para a melhor musica.

Existe sempre algo de autêntico numa falsificação. 
Será o amor uma obra de arte?

Mulheres, Retratos, Daqui


11/05/2014

What Do You See?

Tudo parece vazio...
a folha que cai,
a água que corre.

Nostalgia...          

Sophie Calle nasceu em França em 1953. Sophie é escritora, fotógrafa e autora de instalações e de arte conceptual. Para além da sua arte, tem uma carreira universitária. Na literatura está ligada ao grupo Oulipo (Ouvroir de littérature potentielle) no qual se insere Italo Calvino.

Sophie Calle, What Do You See?, 2013.
© Sophie Calle / Artists Rights Society (ARS), New York / ADAGP, 
Paris; courtesy the artist and Paula Cooper Gallery, New York


Sophie Calle, The Clairvoyant, from What Do You See?, 2013.
 © Sophie Calle / Artists Rights Society (ARS), New York / ADAGP, 
Paris; courtesy the artist and Paula Cooper Gallery, New York

Salvador Dalí, Detalhe, Persistência da Memória, 1932
MoMa, Nova Iorque, cortesia do Google

Filme e música de Fabrizio Ferri e coreografia de Marco Pelle
Roberto Bolle e Polina Semionova

08/05/2014

Varandas no Rossio

Varandas no Rossio


10 de Novembro [1942]

Cheguei ontem à noite a Lisboa, depois de nove dias passados em Espanha. Segundo o meu hábito, vivi tão totalmente a paisagem, a língua e a cultura do país em que estive, que me sinto um estranho no regresso. Tenho de fazer novamente um esforço para reencontrar o eu Portugal.

Mircea Eliade, Diário Português [1941-1945]. Lisboa: Guerra e Paz Editores, 2008, p. 83.


06/05/2014

Despojos do dia: fuga no seio da beleza


Detalhe*

Visto e revisto [5 vezes] Os Despojos do Dia é um filme de James Ivory (1993) com Anthony Hopkins  e Emma Thompson nos principais papéis. A beleza da paisagem associa-se à beleza das palavras e à sensibilidade dos sentimentos escondidos. Julgo que já foi focado no blog mas a fuga no seio da beleza nunca peca por ser repetida.
A beleza torna-se imperativa quando vivemos num mundo de desigualdades.

Do áureo albergue com a aurora à entrada
o sol tão lesto em seus raios cingido
vinha, e diríeis:«Vénia adiantada»

Estrofe 3 do Triunfo do Tempo (Petrarca) 

Vasco Graça Moura Os Triunfos de Petrarca. Lisboa: Bertrand, 2004, p.193.

 Dyrham Park, Chippenham, near Bath, Somerset 

The English landscape at its finest - such as I saw this morning - possesses a quality that the landscapes of other nations, however more superficially dramatic, inevitably fail to possess. It is, I believe, a quality that will mark out the English landscape to any objective observer as the most deeply satisfying in the world, and this quality is probably best summed up by the term 'greatness.' ... And yet what precisely is this greatness? … I would say that it is the very lack of obvious drama or spectacle that sets the beauty of our land apart. What is pertinent is the calmness of that beauty, its sense of restraint. It is as though the land knows of its own beauty, of its own greatness, and feels no need to shout it.

Stevens, in The remains of the day. (link) [argumento baseado no romance de Kazuo Ishiguro].

*Samuel van Hoogstraten, 1662, at Dyrham Park.  
©National Trust, image supplied by the Public Catalogue Foundation
A view through a house by Samuel van Hoogstraten, 1662, at Dyrham Park. William Blathwayt liked to keep exotic and song birds, like the one shown in this painting. ©National Trust, image supplied by the Public Catalogue Foundation


04/05/2014

Aprazíveis diálogos I

Inicia-se hoje uma nova rubrica: aprazíveis diálogos. Partindo do Norte, o João, do Grifo Planante, enviou a belíssima fotografia acompanhada com o texto da sua lavra.
Obrigada, João!
À(s) mãe(s) um dia feliz repleto de rosas!*

João Menéres, Noite de S. João


Tranquilamente a grande noite de S. João cai sobre a Cidade.
Nas margens o burburinho  da multidão entusiasmada já se fazia sentir.
O tabuleiro superior da Ponte Luiz I enchia-se de gente, indiferente à passagem do Metro.
Eu, num rabelo transformado em barco de turismo, também indiferente ao jantar que se estava já a servir, só queria viver de forma diferente essa noite tão distinta de outra noite qualquer.
Olhava extasiado para as margens que me abraçavam.
Do lado do Porto, tinha o recorte denteado da muralha fernandina, a cúpula do Paço Episcopal...
Ao fundo, já adivinhava a clarabóia do Palácio da Bolsa e a Igreja de S. Francisco.
As gaivotas, ignorando que era a grande noite, a noite que só teria fim de madrugada quando os rapazes e as moçoilas mergulhassem nas águas da Atlântico, lá para a Foz do Douro, as gaivotas, dizia, recolhiam aos seus habituais poisos nocturnos.
A noite estava cálida : tinha dispensado o habitual orvalho.

Os ranchos cantavam

Por ti meus olhos andaram
Durante a noite perdidos,
De manhã fui dar com eles
Dentro dos teus...escondidos

S. João fica contente
Ao escutar as cantigas...
Que são a alma da gente
Na boca das raparigas...

João Menéres
(Texto e fotografia)
Exultate, jubilate* Mãe: exultação


Stabat Mater dolorosa* Mãe: dor

03/05/2014

Hino ao entardecer

Nostalgia...
Hino ao entardecer

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via. 
s.d.
Bernardo Soares, Livro do Desassossego. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982, p. 266.


01/05/2014

Os meus tenores - Lawrence Brownlee

No dia do Trabalhador
Una furtiva lagrima para todos os que vêem os seus direitos desrespeitados. 
Outra lágrima para todos os que se encontram desempregados. 
Ainda outra para os que são obrigados a partir. 
Tornámos-nos num país de fuga. 

Alexander Mann (1853-1908) Artificial Flower Workers, s.d
 

                      Elixir de Amor , daqui                                        


Lawrence Brownlee
Fotografia de Larrynx, Cortesia do Google




Para ouvir no caso do primeiro vídeo ter problemas.


Agradeço a Xilre que me deu a conhecer este tenor.

27/04/2014

soneto do amor e da morte - Homenagem

Em homenagem a Vasco Graça Moura. 

José Coelho/Lusa, 
A 31 de janeiro deste ano, Vasco Graça Moura foi homenageado pela Gulbenkian, 
Expresso



soneto do amor e da morte


quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.


quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não


tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"


26/04/2014

Em amena cavaqueira

Jovens em amena cavaqueira no rescaldo das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril 1974.


Ainda somos livres mas menos livres do que há uns anos atrás. 
Falta o sentido patriótico de quem zela pelo povo.

Tive pena de não estar no Terreiro do Paço quando, desta vez, os militares atiraram os cravos.

25/04/2014

25 de Abril

Salgueiro Maia, o homem da revolução dos cravos.


Em sua memória o meu agradecimento.
Arco da Rua Augusta

Trecho de uma redacção da Guidinha: O Chefe do meu pai era um democrata e ninguém sabia...
Documento retirado do Centro de Documentação do 25 de Abril da Universidade de Coimbra, o link mostra o documento completo . 
O dia 25 de Abril de 1974 narrado pela Guidinha, personagem de Luís de Sttau Monteiro


23/04/2014

"O livro aberto..."

No dia do livro, um muito especial:

Agustina Bessa-Luís, O Apocalipse de Albrecht Dürer. Guimarães Editora, 1986, p. 64-65
(Exemplar nº 1473, assinado pela autora)

«Vai, toma o livro aberto da mão do anjo que está de pé sobre o mar e sobre a terra». Aproximei-me do anjo e pedi-lhe  para me entregar o livrinho. Ele disse-me: «Toma e come-o. Ele vai amargar-te nas entranhas, mas na tua boca, será doce como mel». Tomei o livrinho das mãos do anjo e comi-o: na minha boca era doce como mel; mas depois de o comer, as minhas entranhas encheram-se de amargura.                             (X-8-10) Nova Bíblia dos Capuchinhos.

São João devora o Livro
Apocalipse, X. 1-11
O livro aberto na mão do anjo que estava de pé sobre o mar e sobre a terra, João comeu-o, e ele pareceu- lhe doce ao paladar, ainda que fosse amargo nas suas entranhas. 

Agustina Bessa-Luís, O Apocalipse de Albrecht Dürer. Guimarães Editora, 1986, p. 67.


21/04/2014

"... asas enormes"

O voo de García Márquez levou-me a ler: Um senhor muito velho com umas asas enormes, história encontrada numa grande superfície. Custou-me 2 euros. A colecção de histórias para criança já se encontrava à venda antes da morte do escritor. Apenas tenho este livro e congratulo-me por o ter lido em jeito de homenagem. As ilustrações são muito bonitas.

"Asas enormes" 




Carme Solé Vendrell, ilustrou a história GM.         Gabriel García Márquez nasceu a 6-03-1921,       Fotografia do Diario de Léon                                 faleceu a 17-04-2014 (Foto daqui )
La ilustradora catalana Carme Solé Vendrell. - Foto: EL PERIÓDICOWhy the Death of Gabriel Garcia Marquez is a Loss for the World of Film, Gabriel Garcia Marquez, Gabriel Garcia, Why, Death, Gabriel, Garcia, Marquez, Loss, World, Film, One


19/04/2014

"A vida roda?"

Páscoa Feliz!

O círculo fecha-se e mais uma vez se vive a paixão, um momento de beleza na nossa cultura ocidental.

Sandro Botticelli, Christ as the Man of Sorrows with a Halo of Angels, c. 1495-1505, 
 Private Collection - Daqui



Myra Landau, Vida roda? Parole

Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não-cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados. Este diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para os cristãos e também para outras comunidades religiosas.

Papa Francisco, "A Alegria do Evangelho, Exortação Apostólica Evagelii Gaudium". Prior Velho: Edições Paulinas, 2013, p. 157 [cap. IV - O diálogo Social como contribuição para a paz], p. 164.


Sandro Botticelli, Lamentação sobre o Cristo morto,  1490-1492,  (detalhe Maria Madalena e o Cristo). Alemanha, Alte Pinakotheck, Munique. Daqui


17/04/2014

Visite Alfama... com um livro na algibeira

Visite Alfama no dia 18 de Abril, 
dia Internacional dos Sítios e Monumentos

Sente-se num banco do miradouro de Santa Luzia e leia um livro. 


Ando a ler o livro de Benhard Schlink, O Regresso. Recomendo. 
Do autor tinha lido "O Leitor" que também me agradou. Todavia, este é mais íntimista... há sempre um regresso que toca a qualquer leitor.

Não se mima alguém sem pedir nada em troca. 
Bernhard Schlink, O Regresso. Porto: Asa, 2008, p. 117.

15/04/2014

Justiça?

A justiça não é bem o que poderemos esperar dela mesmo a que vem de espíritos mais pragmáticos. Esta foi a ideia com que fiquei após ter visto o filme de Joaquim Leitão: 
Quarta Divisão.
Um filme que foca a violência doméstica. 

Rostos femininos, expressões, o que fica por dizer...
Jean-Marc Nattier (1685-1766), 
Portrait of a young woman Painter                                Sílvia Patricio,  Detalhe, O Laço Verde,                                                                                                                                          2011
(wikimedia commons)

File:Jean-Marc Nattier - Portrait of a Young Woman Painter - WGA16461.jpg

13/04/2014

Os meus tenores - Jonas Kaufmann

Pavarotti, Placido Domingo, Caruso, Jaroussky, Andreas Scholl e Klaus Nomi são algumas vozes incontornáveis. Porém há outros que vou conhecendo, cujo registo se torna uma forma de reconhecimento.
Há três árias que gosto especialmente de ouvir e se tornam uma espécie de prova para acolher novos tenores. São elas: E Lucevan le Stelle (Tosca, Puccini), Una Furtiva Lagrima (Elixir de Amor, Donizetti) e Vesti la Giubba (Palhaço, Leoncavallo). Pela tela que a seguir se apresenta é fácil compreender qual das três árias foi a escolhida.

Caspar Van Wittel (1653-1736), Castel Sant'Angelo, 1690, wikipedia
[Observem a maravilha dos pormenores: Jano simboliza a entrada/saída da margem esquerda do Tibre e  ainda o passado e o futuro]




Silvestr Fedosievich Shchedrin (1791-1830), Castel Sant'Angelo, 1825
[O rio e os pescadores]

As telas coloco-as em especial para o Manuel Poppe

Jonas Kaufmann nasceu em Munique em 1969 e começou a sua carreira em 1994.



Libretto de Tosca 1899, wikipedia
File:Tosca libretto cover.jpg


11/04/2014

Pujança primaveril

silêncio só raramente é vazio
 diz alguma coisa 
 diz o que não é

José Tolentino Mendonça, in A Papoila e o Monge

A Primavera em toda a sua pujança.
As primeiras papoilas 

Por dentro da flor, estames 

Georgia O'Keeffe, Papoilas
poppies

Diáfanas

A ária "Je crois entendre encore", da ópera Les pêcheurs de perles, é triste embora a Primavera seja alegria.
Contrastes do dia: manhã com passeio matinal exuberante de sol
e a noite escura  com "Je crois entendre encore".

09/04/2014

Sete triângulos pretos - sete mares

Sete é um dos números simbólicos que mais gosto.

Detalhe do Mosaico do Oceanus, datado do século II/III, estaria integrado num edifício público ligado às actividades marítimas, talvez sede de uma corporação profissional (schola). 
Museu Municipal de Faro


SETE MARES

Tem mil anos uma história
De viver
Há mil anos de memória a contar
Ai, cidade à beira-mar
Azul

Se os mares são só sete
Há mais terra do que mar ...
Voltarei amor com a força da maré
Ai, cidade à beira-mar
Ao sul

Hoje
Num vento do norte
Fogo de outra sorte
Sigo para o sul
Sete mares

Foram tantas as tormentas
Que tivemos de enfrentar...
Chegarei amor na volta da maré
Ai, troquei-te por um mar
Sete Mares

Hoje
Num vento do norte
Fogo de outra sorte
Sigo para o sul
Sete Mares

Música e letra do grupo Sétima Legião (nome da legião romana que veio para a Lusitânia)

07/04/2014

O meu lírio - ... Esperança



Vincent Van Gogh, detalhe de Lírios, 1890,
Museu Van Gogh, Amesterdão


POEMA DE CANÇÃO SOBRE A ESPERANÇA
               I
Dá-me lírios, lírios,
E rosas também.
Mas se não tens lírios
Nem rosas a dar-me,
Tem vontade ao menos
De me dar os lírios
E também as rosas.
Basta-me a vontade,
Que tens, se a tiveres,
De me dar os lírios
E as rosas também,
E terei os lírios —
Os melhores lírios —
E as melhores rosas
Sem receber nada.
A não ser a prenda
Da tua vontade
De me dares lírios
E rosas também.

17-6-1929 

Álvaro de Campos, Livro de Versos. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993, p. 106.

05/04/2014

A Flor, Redacções da Guidinha

Um regresso ao passado devido à nostálgica chuva persistente. 
Guidinha, um nome que me é caro. Assim se regista esta homenagem a Luís de Sttau Monteiro que nasceu a 3 de Abril de 1926 e faleceu a 23 de Julho de 1993. Foi escritor, jornalista e dramaturgo. Tinha um notável sentido de humor.

Redacções da Guidinha, ilustração de Luís Osório
A Flor
As flores não se comem e é por isso que elas não têm medo de crescer nos caminhos e nos parques porque se as flores fossem de comer já havia grémio das flores e outras coisas iguais e vai de vez em quando a gente ficava a vê-las por um óculo como acontece ao bacalhau que não é flor e que se come mas as flores têm graça porque não se comem mas bebem-se quando a Vovó começa a falar alto ao jantar e a dizer mal de um senhor que se chama Kaiser e que parece que já morreu mas ela não acredita e diz que a culpa de tudo é dele a minha Mãe dá-lhe chá de flor de laranjeira e manda-a para a cama e às vezes não é preciso chamar o doutor mas às vezes é aqui ao lado mora uma senhora chamada D. Lisabete que tem flores num caixote à janela e rega-as todos os dias com uma cafeteira que comprou com tampas de detergente e mais cinco escudos que é o preço da cafeteira mesmo para quem não tem tampas de detergente e a água cai por um buraquinho que há no caixote em cima das pessoas que passam na rua e elas ficam danadas e gritam cá para cima a mandar a D Lisabete fazer chichi para casa do Diabo o que é muito mal criado e indecente porque a D. Lisabete faz muito pouco chichi porque tem uma doença coitadinha que se chama retenção e às vezes tem de ir fazer ao médico mas não se pode falar nisso porque eu uma vez vi-a chegar a casa e perguntei-lhe se ela tinha feito uma boa chicha no médico que sabe tão bem e ia levando com uma galheta sabe-se lá porquê o que também tem graça nas flores são os bilhetes que vêm com elas uma vez um rapaz que trabalha na florista da esquina trouxe um ramo à menina Odette e no meio havia um bilhete que dizia aqui vão amores-perfeitos para celebrar um amor-perfeito mas é mentira que lá em casa  da menina Odette não estavam a celebrar nada...

Luís de Sttau Monteiro, Redacções da Guidinha. (Ilustradas por Luís Osório) Lisboa: Ática, 1971, p. 127-128.
(Crónicas publicadas no Diário de Lisboa entre 1969 e 1970)

03/04/2014

Une Comédie au printemps

Odette Toulemonde é um filme francês, uma comédia realizada por Éric-Emmanuel Schmitt. Estreou em 2007. Um filme leve, despretensioso e que nos faz sorrir. Só o vi agora. Os críticos atribuíram desde duas estrelas e meia a quatro estrelas, uma crítica diversificada. Pessoalmente, não o colocaria na minha lista mas é engraçado. Um filme para a Primavera. 
Escolhi os dois pintores, pai e filho, Pieter Brueghel, o Velho, e Pieter Brueghel, o Novo/Jovem, por causa dos seus quotidianos riquíssimos.
Não é a vida um retalho de quotidianos?

Pieter Brueghel, o Novo, Primavera

File:Pieter Brueghel the Younger, Spring, oil on panel, Sotheby's.jpg

Pieter Brueghel, o Velho, Primavera, 1565

01/04/2014

"Ce matin les premières roses"

A todos deixo estas flores com o meu agradecimento.
Logo que possa visitarei todos.

Detalhe de um Poisson d'Avril - 1 de Abril

Un poisson d’avril est une plaisanterie, voire un canular, que l’on fait le 1er avril à ses connaissances ou à ses amis. Il est aussi de coutume de faire des canulars dans les médias, aussi bien presse écrite, radio, télévision que sur Internet.
Pour les enfants, il consiste à accrocher un poisson de papier dans le dos de personnes dont on veut se gausser. « Poisson d’avril ! » est aussi l’exclamation que l’on pousse une fois qu’une des plaisanteries est découverte.
Poisson d'Avril


Maria Callas A Voce poco fa

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