Com o meu agradecimento a MR que me ofereceu estes belos postais com ilustrações de Maria Keil para o livro de Irene Lisboa: Começa uma vida, 1ª edição 1940.
Maria Keil, ilustrações
Edição do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro e Maria Keil
«o amor das realidades simples domina-me, subjuga-me e talvez me enfraqueça»
in João Falco [Irene Lisboa], Começa uma vida,1940. Daqui.
Maria Keil nasceu em Silves a 9 de Agosto de 1914 e pereceu a 10 de Junho de 2012. Frequentou o Curso Preparatório da Escola de Belas Artes de Lisboa e depois o curso de pintura que não chegou a terminar.
Aqui é onde vivo agora e é quasi primavera.
Vê-se.
Antigamente, isto é, antes, as coisas deste lugar,
as pedras, as plantas, os sons, tomavam-me como se de
passagem.
Agora vivo aqui. Perceberam que vivo aqui.
Viver num lugar obriga a certas atitudes conjugadas com
esse lugar.
Tenho que estar atenta.
Há aqui uma velha glicínia que se finge morta.
Dos velhos troncos da glicínia espreitam-me uma infinidade de olhos e eu tenho que estar atenta.
Eu sei que subitamente, julgando-me desprevenida, ela vai estalar de riso para me perturbar.
Pela manha estará cheia de flores abertas, feliz por me ter enganado fingindo-se morta.
Porque nunca vivi aqui antes e ela floriu para outros cada ano e eu não sei os seus costumes, nem sei como os outros para quem ela floriu antes aceitavam o seu jogo de florir e se ela se fingiu morta cada ano para eles como este ano se fingiu morta para mim, não sei se deva mostrar-lhe espanto.
É uma velha glicínia...
Maria Keil, Árvores de Domingo, Livros Horizonte. Daqui
Homenagem do Município de Silves com música dos Cold Play
Ao Gilson agradeço ter-me dado a conhecer esta bela música tocada por Paola Requena: Sonata Heróica.





.jpg)


.jpg)