30/05/2012

"desenhou com o pincel ..."

 Parque Verde, Coimbra

Diz-se que, quando um dia o artista grego Appelles, ao ir visitar o seu rival Zeuxis, descobriu que ele não estava em casa, desenhou com o pincel uma linha na parede, para que Zeuxis pudesse adivinhar quem lá estivera na sua ausência. Zeuxis não ficou muito tempo em dívida para com o artista seu colega. Escolheu uma ocasião em que sabia que Apelles não estaria em casa, e deixou-lhe a sua marca, que veio a tornar-se o proverbial símbolo da arte. 

 in Boris Pasternak, Uma  Aventura em Ferrara, Lisboa: Editorial Inquérito, (trad. Morgado de Carvalho), s.d., p. 15

Curiosidade: o custo do livro assinalado era de 25$00. Comprei-o na Livraria Lumière das minhas amigas alfarrabistas Cláudia Ribeiro e Alexandra Ribeiro.

 Zeuxis  e Apelles  pintores gregos da Antiguidade Clássica. 

29/05/2012

"ser grande"

Obrigada Isabel estas flores são para ti!:)





Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande, 
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi. 

Alberto Caeiro 

Fernando Pessoa - o menino da sua mãe(coord. Amélia Pinto Pais, ilustrado por Rui Castro), Lisboa: Areal, 2011, p.92

Lendo o que profere Alberto Caeiro não quero "ser grande"..



26/05/2012

"Sê honesto na tua arte"

Na Feira do Livro de Coimbra estive com a minha amiga Cláudia Ribeiro da Livraria Lumière. Comprei o livro de Boris Pasternak: uma aventura em ferrara  e através dele soube que o pai era pintor.



Feira do Livro em Coimbra

"Sê honesto na tua arte, e os teus inimigos serão impotentes contra ti".

Leonid Pasternak

O vídeo não está em bom estado mas é belo.

24/05/2012

A vontade!

Julius Schnorr von Carolsfeld, Retrato de Frau Klara Bianka von Quandt mit Laute,1820, Alte Nationalegalerie, Berlim, daqui


O que depende mais de nós não é, em última instância a vontade?


  André Compte-Sponville, Jean Delumeau, Arlette Farge, A mais Bela História da Felicidade, Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2009, p. 29.

 

22/05/2012

Le motif


Toledo


Il  est impossible d'etablir des règles rigoureuses quant à la meilleure lumière requise pour faire apparaître  le motif dans le sujet. Certains motifs existent uniquement à cause des lignes des objets.


La Photographie Sans Probleme, Paris: Gründ, 1979, Adaptation française de Marie-Pierre et Nadine Touzet, p. 47.


Com o meu agradecimento a João Menéres por me ajudar a compreender a fotografia.







MR colocou no Prosimetron e eu lembrei-me de I Started a Joke, a música dos Bee Gees que eu mais gosto.
À memória de Robin Gibb 

20/05/2012

Jacques Joseph Tissot, Room with overwiew of de Harbour, c. 1876-78, Colecção privada.



La question (canção de Françoise Hardy)

Je ne sais pas qui tu peux être
Je ne sais pas qui tu espères

Je cherche toujours à te connaître
Et ton silence trouble mon silence

 Je ne sais pas d'où vient le mensonge
Est-ce de ta voix qui se tait

Les mondes où malgré moi je plonge
Sont comme un tunnel qui m'effraie

De ta distance à la mienne
On se perd bien trop souvent

Et chercher à te comprendre
C'est courir après le vent

Je ne sais pas pourquoi je reste
Dans une mer où je me noie

Je ne sais pas pourquoi je reste
Dans un air qui m'étouffera

Tu es le sang de ma blessure
Tu es le feu de ma brûlure
Tu es ma question sans réponse
Mon cri muet et mon silence 

Cedar Lake Contemporary Ballet, New York City,choreography by Benoit-Swan Pouffer

18/05/2012

Dia dos Museus - Máximas pessoais

No dia dos Museus escolho um que já não visito há muito tempo: o Museu do Prado.
E porque os museus servem para educar o gosto, beber a beleza, fazer pensar e provocar - objectivos quanto a mim essenciais - aqui fica uma peça bastante irreverente.

Máximas pessoais:
- Foge:     

1. Do fel;
2. Da sobranceria;
3. Da fraternidade casual.



Hieronymus Bosch, Mesa dos Pecados Capitais , Museu do Prado, Madrid, daqui 

 Tenho alguns dos pecados que estão pintados nesta bela mesa* . Gostava de me focar no centro do universo dela:
"Cuidado, cuidado, Deus vê"!

*[avareza, soberba, gula, ira, inveja, preguiça e luxúria]

16/05/2012

Dança a quatro luzes

Dança a quatro luzes ou uma instalação na Plaza Mayor, Madrid


Eros 

Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água
 - como podíamos morrer,
 tão próximos
e nus e inocentes?

 Eugénio de Andrade, In Mar de Setembro (Casa Fernando Pessoa)

14/05/2012

"Beaucoup de mes amis sont venus des nuages"

Não tenho palavras para descrever o que me ofereceu o filme: Amigos Improváveis de Olivier Nakache e Éric Toledano. Os dois protagonistas, François Cluzet (Philipe, o aristocrata) e Omar Sy (Driss, o marginal) foram simplesmente divinais na interiorização dos seus papéis. 

Jacques Mandelba escreveu no jornal Le Monde:
" ... le film file une métaphore sociale généreuse, qui montre tout l'intérêt de l'association entre la Vieille France paralysée sur ses privilèges et la force vitale de la jeunesse issue de l'immigration".

 

O filme fez-me recordar uma canção de Françoise Hardy:
L'amitié 

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras

Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

 Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois

Françoise Hardy (Paroles: Jean-Max Rivière. Musique: Gérard Bourgeois 1965 © 1965 - Disque vogue)

11/05/2012

Sem sentido...

As horas passam ... o relógio não se compadece e por vezes pára sem fazer sentido!
(Sassetti pereceu aos 41 anos)

 A TARDE VULGAR E CHEIA

A tarde vulgar e cheia
 De gente que anda na rua,
 Escurece, azul e alheia,
 E a brisa nova flutua.

 Havia verão com o dia,
 Mas agora, Deus louvado,
 Primaverou de outonia
 Sob o largo céu parado.

 Palavras! Nenhuma cor,
 Que o céu finge, ou bisa aqui,
 Torna real esta dor
 Que tive porque a senti.

 4 - 9 - 1930

Fernando Pessoa, Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005

10/05/2012

Dom ou do amor ...

Há livros que nos prendem, que nos fazem sonhar, sorrir e impressionar. A beleza através da música é um dom inexplicável de uma personagem ficcional que marca o que pode ser e não ser a felicidade, essa pedra imperfeita. 
O Coleccionador de Sons é tudo isto, cria a melancolia de não entendermos porque não poderemos ser perfeitos. 

Tristão e Isolda daqui.codex Manesse (Grosse Heidelberger Liederhandschriftt, Cod. Pal. germ.848) 
Agradeço a informação a 玉,( post alterado a 13 de Maio)
 

A minha excitação ampliou-se ao infinito. O grande mestre extraíra o elixir do amor do elixir da morte. Maravilhei-me  ao descobrir como Wagner conseguiu captar a dualidade do amor eterno, como fora capaz de interpretar a verdadeira natureza dos herdeiros de Tristão. A tese dos poemas de génio era metafisicamente perfeita, digna de um tratado de Shopenhauer: só na morte pode encontrar-se o amor eterno.
E não era exactamente isso que sucedia comigo? O elixir celeste da minha voz guiava as mulheres até ao filtro mortal do meu corpo.
Depois havia a música. E que música Padre, que música! Todas as obras devem estar escritas numa tonalidade, Sabe o que isto significa? Sabe o que são as 24 tonalidades? São o universo, Padre, são o universo dos sons: as 24 dimensões a que nenhum músico pode escapar, os únicos 24 pontos de referência em que uma composição se pode mover, as alcovas pelas quais, e em quais, qualquer compositor é obrigado a entrar, sair ou permanecer.

Fernando Triés de Bes, O Coleccionador de Sons, Porto: Porto Editora, 2008, p. 187.

08/05/2012

Almoço português com certeza!

Almoço português com certeza!



Compras carapaus ao cento

Compras carapaus ao cento,
Sardinhas ao quarteirão.
Só tenho no pensamento
Que me disseste que não.

s.d.
Fernando Pessoa,  Quadras ao Gosto Popular. . (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973).p. 59. 

06/05/2012

Cordão umbilical

A todas as mães.
Rosa Vitoriosa  (Sigur Ros)
Desenho da capa do CD de Gotti Bernhöft

Cordão,
eterno,
frágil,
incontornável,
herança
sem pedidos, nem acordos,
és o elo a que chamam
umbilical.

05/05/2012

"As Suplicantes", Ésquilo revisitado

Ontem fui ver a peça: As Suplicantes, de Ésquilo, realizada pelo grupo de teatro Thíasos, do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 
A peça estreou no Museu Machado de Castro. 
Entre o  público havia muitos jovens, deu-me imenso prazer saber que se preserva o gosto pelo teatro clássico.  

Elenco: José Ribeiro Ferreira (Dânao), Rodolfo Lopes (Pelasgo), Pedro Sobral (Arauto), Ana Seiça, Andrea Seiça, Carla Coimbra, Cátia Gouveia, Carina Fernandes, Cláudia Sousa, Daniela Pereira, Elisabete Cação, Iolanda Mendes, Marta Bizarro, Margarida Cardoso, Tânia Mendes (Suplicantes)

"Apresentadas pela primeira vez em data insegura, mas por certo na década de 60 do século V a.C., As Suplicantes são a primeira de três tragédias que Ésquilo dedicou à saga das Danaides, trilogia da qual fariam parte os dramas perdidos Egípcios e Danaides. As cinquenta filhas de Dânao, posto que as desejam para casar os cinquenta primos, filhos de Egito, fogem do Nilo onde habitam para pedir asilo político e religioso em Argos. Perante o rei dessa terra, portanto, suplicam por proteção, apresentando como argumento maior a descendência de ambos de uma mesma mulher, Io, num passado mitológico ainda mais remoto. Chegadas à Grécia por mar, estas mulheres são o paradigma antigo de um grupo de exiladas – auto-exiladas, no seu caso – que reclama a proteção de outro povo, de outra cultura. A viagem é um motivo marcante em toda a peça, porquanto as Danaides estão ainda em trânsito entre dois países, entre duas nações. Recusam uma pátria que era a sua, de cuja linhagem real eram descendentes, e advogam a ancestralidade da sua origem grega para aí serem recebidas e protegidas dos primos que as perseguem, prometendo, mais do que um casamento nobre, a violência de umas bodas que lhes retirará os privilégios da sua nobreza e a autonomia de decisão. Estão em causa, como é natural, diversos condicionalismos políticos. Mas o drama destas mulheres – que, nas peças seguintes, seriam as assassinas dos primos, por ordem do pai – é facilmente identificável com o de tantas outras mulheres que, na linha do tempo que no essencial não muda, fogem a qualquer espécie de violência que lhes é imposta. Bárbaras, chegam a uma terra que dizem ser a sua, mas quem as vê não consegue identificá-las como gregas. Apátridas, apavoradas pela hoste masculina de inimigos que sabe vir no seu encalce, este grupo procura nos altares dos deuses da nova cidade um refúgio que grego algum pode recusar. E os primos, “falcões no encalce das pombas de semelhante plumagem”, chegam ávidos de sangue e vingança. No ar fica, para Gregos e Egípcios, a promessa de uma guerra pela posse das jovens. O sangue derramado, no campo de batalha e nos leitos nupciais nos quais havia de consumar-se o himeneu, fica desde cedo tragicamente indiciado". 
  Carlos Jesus, tradutor

Do espectáculo destaco a frase que era qualquer coisa como:

Demora um certo tempo para se apreciar um estranho!

03/05/2012

«Sou um louco que ama as pessoas» - Nijinsky

«Sou um louco que ama as pessoas», «a minha loucura é o amor pela humanidade». (…) «Não posso chorar tanto que as lágrimas me caiam em cima dos cadernos. Choro dentro de mim.» daquiNijinski, «Cadernos – O Sentimento», Assírio & Alvim, 2004.

Dança da Eleita no "Rito da Primavera", desenho de Valentino Hugo (1913)*

* Françoise Reiss, A Vida de Nijinsky, Lisboa: Editorial Estúdio Cor, p. 161, (Trad. José Saramago)

Não é o Palhaço de Nijinsky mas é uma música que gosto muito e porque não ligá-la ao bailarino?
The Irrepressibles -In This Shirt

01/05/2012

Dança numa caixa de vidro

Em especial para Myra.
Simón Díaz - Luna de margarita. PINA - Versöhnung / Reconciliation / Uzlaşma

Limpa-se o outono... 
árvores desnudadas refletem
luz e sombra, 
                 numa caixa de vidro...
                                           um corpo.


30/04/2012

Viver das flores

Viver das flores, Goa

BALANÇA

 No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.

 Eugénio de Andrade, In Ofício de Paciência 

29/04/2012

A rosa... e a Índia, "O exótico Hotel Marigold"

A minha rosa, quase perdida, está a florir!



Cláudia, obrigada pelo poema manuscrito de Pessoa.


A flor sentiu a mão que lhe dei.

E porque a flor e o poema têm ligação com o filme que fui ver esta noite, deixo uma  impressão.
 O Exótico Hotel Marigold é um filme de John Madden que recomendo vivamente.
O filme foca o amor e os sonhos, a tristeza e a alegria, o fracasso e a vitória. Centra-se, sobretudo, na humanidade que se deve ter para com os outros. Em suma, é um filme profundo com leveza que basta e encanta.

Tenho um sonho, Mummyji. Criar um lar para idosos tão maravilhoso que eles se recusem a morrer . (Dev Patel)

O elenco é composto por Bill Nighy, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Judi Dench, Dev Patel, Penelope Wilton, Celia Imrie, Ronald Pickup, Tena Desae.

27/04/2012

TREVO

Chegou por mão de uma amiga um trevo de quatro folhas. Muito obrigada!
Na primeira folha escrevo - Amizade;
Na segunda folha - Sabedoria;
Na terceira folha - Perseverança;
Na quarta folha - Amor.

Breviário da Condessa de Bertiandos, Academia de Ciências de Lisboa
(Fotografei da Revista Oceanos*, p. 21. fotografado por Laura Castro Caldas e Paulo Cintra)

Garcia de Resende, Miscelânea  - Ontem e hoje a Misericórdia, teve e tem um papel importante no auxílio dos que mais necessitam. 

Fotografado da revista Oceanos, A Luz do Mundo, Iluminura Portuguesa Quinhentista, nº 26 Abril/Junho  1996 (Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses).

25/04/2012

A liberdade sob a pena do sacrifício!

Carta de pai para uma filha censurada em 24 de Julho de 1956.
Exposta no Parlatório, Prisão Política do Forte de Peniche,
Peniche, doação de Júlio da Cruz Paour.
Feliz dia da Liberdade, dia 25 de Abril!
É preciso recordar para que possamos manter a LIBERDADE.

23/04/2012

Chama Dupla

Chama dupla

No dia do Livro, o Livro do Amor

Livro do Amor

 É o Livro do Amor; 
 Li-o com toda a atenção: 
 Poucas folhas de alegrias, 
 De dores cadernos inteiros. 
 Apartamento faz uma secção. 
 Reencontro! um breve capítulo, 
 Fragmentário. 
Volumes de mágoas 
 Alongados de comentários, 
 Infinitos, sem medida. 
 Ó Nisami! — mas no fim 
 Achaste o justo caminho; 
 O insolúvel, quem o resolve? 
 Os amantes que tornam a encontrar-se. 

 Johann Wolfgang von Goethe, in "Divã Ocidental-Oriental" Tradução de Paulo Quintela  (citador)

22/04/2012

Janelas floridas num dia com algum sol!

Mudei para o google chrome para acompanhar as novas mudanças impostas na blogosfera. Encontrei possibilidades que resolvi experimentar e é com contentamento que partilho as janelas floridas.

 

 Olhos postos na terra, 
tu virás no ritmo da própria primavera, 
 e como as flores e os animais 
 abrirás as mãos de quem te espera. 

 Eugénio de Andrade 
(cortesia do google)

20/04/2012

O prazer da leitura - Nijinsky


- É o ser humano mais simétrico que alguma vez vi!
- Como te chamas, meu rapaz?
Uma vozinha mal segura, porque uma experiência precoce ensinou à criança o efeito desastroso que a sua forte pronúncia polaca vai produzir, responde:


- Waslaw Nijinsky.

Françoise Reiss, A vida de Nijinsky, Lisboa: Editorial Estúdios Cor, 1958, p.12-13* (trad. José Saramago)


Em Paris, 1909


*Nijinsky nasceu em Kiev, a 28 de Fevereiro de 1890, segundo o calendário Russo, ou seja a 15 de Fevereiro, segundo o calendário Gregoriano.


João Menéres, obrigada pelo prazer desta leitura.

18/04/2012

Oh, mia patria si bella e perduta!

Oh, mia patria si bella e perduta!


The Night of Enitharmon's Joy (formerly called 'Hecate'),c. 1795




Nabucco de Verdi com libreto de Temistocle Solera.


Va, pensiero, sull'ali dorate;
Va, ti posa sui clivi, sui colli,
Ove olezzano tepide e molli
L'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,

Di Sïonne le torri atterrate...
Oh mia patria sì bella e perduta!
Oh membranza sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,

Perché muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto riaccendi,
Ci favella del tempo che fu!
O simile di Solima ai fati

Traggi un suono di crudo lamento,
O t'ispiri il Signore un concento
Che ne infonda al patire virtù!


Em especial para Manuel Poppe do blog Sobre o Risco que incansavelmente luta contra a falta de humanidade dos nossos políticos.

16/04/2012

Sobre os elementos...disse Camões

Debaixo do céu, Galleria Vittorio Emanuele II, Milão




XLIV

Pelos raros extremos que mostrou
Em sábia Palas, Vénus em formosa,
Diana em casta, Juno em animosa,
África, Europa e Ásia as adorou.

Aquele saber grande que juntou
Espírito e corpo em liga generosa,
Esta mundana máquina lustrosa
De só quatro elementos fabricou.

Mas fez maior milagre a natureza
Em vós, Senhoras, pondo em cada ũa
O que por todas quatro repartiu.

A vós seu resplendor deu Sol e Lũa:
A vós com viva luz, graça e pureza,
Ar, Fogo, Terra e Água vos serviu.
Luís Vaz de Camões, Sonetos

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