30/04/2012

Viver das flores

Viver das flores, Goa

BALANÇA

 No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.

 Eugénio de Andrade, In Ofício de Paciência 

29/04/2012

A rosa... e a Índia, "O exótico Hotel Marigold"

A minha rosa, quase perdida, está a florir!



Cláudia, obrigada pelo poema manuscrito de Pessoa.


A flor sentiu a mão que lhe dei.

E porque a flor e o poema têm ligação com o filme que fui ver esta noite, deixo uma  impressão.
 O Exótico Hotel Marigold é um filme de John Madden que recomendo vivamente.
O filme foca o amor e os sonhos, a tristeza e a alegria, o fracasso e a vitória. Centra-se, sobretudo, na humanidade que se deve ter para com os outros. Em suma, é um filme profundo com leveza que basta e encanta.

Tenho um sonho, Mummyji. Criar um lar para idosos tão maravilhoso que eles se recusem a morrer . (Dev Patel)

O elenco é composto por Bill Nighy, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Judi Dench, Dev Patel, Penelope Wilton, Celia Imrie, Ronald Pickup, Tena Desae.

27/04/2012

TREVO

Chegou por mão de uma amiga um trevo de quatro folhas. Muito obrigada!
Na primeira folha escrevo - Amizade;
Na segunda folha - Sabedoria;
Na terceira folha - Perseverança;
Na quarta folha - Amor.

Breviário da Condessa de Bertiandos, Academia de Ciências de Lisboa
(Fotografei da Revista Oceanos*, p. 21. fotografado por Laura Castro Caldas e Paulo Cintra)

Garcia de Resende, Miscelânea  - Ontem e hoje a Misericórdia, teve e tem um papel importante no auxílio dos que mais necessitam. 

Fotografado da revista Oceanos, A Luz do Mundo, Iluminura Portuguesa Quinhentista, nº 26 Abril/Junho  1996 (Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses).

25/04/2012

A liberdade sob a pena do sacrifício!

Carta de pai para uma filha censurada em 24 de Julho de 1956.
Exposta no Parlatório, Prisão Política do Forte de Peniche,
Peniche, doação de Júlio da Cruz Paour.
Feliz dia da Liberdade, dia 25 de Abril!
É preciso recordar para que possamos manter a LIBERDADE.

23/04/2012

Chama Dupla

Chama dupla

No dia do Livro, o Livro do Amor

Livro do Amor

 É o Livro do Amor; 
 Li-o com toda a atenção: 
 Poucas folhas de alegrias, 
 De dores cadernos inteiros. 
 Apartamento faz uma secção. 
 Reencontro! um breve capítulo, 
 Fragmentário. 
Volumes de mágoas 
 Alongados de comentários, 
 Infinitos, sem medida. 
 Ó Nisami! — mas no fim 
 Achaste o justo caminho; 
 O insolúvel, quem o resolve? 
 Os amantes que tornam a encontrar-se. 

 Johann Wolfgang von Goethe, in "Divã Ocidental-Oriental" Tradução de Paulo Quintela  (citador)

22/04/2012

Janelas floridas num dia com algum sol!

Mudei para o google chrome para acompanhar as novas mudanças impostas na blogosfera. Encontrei possibilidades que resolvi experimentar e é com contentamento que partilho as janelas floridas.

 

 Olhos postos na terra, 
tu virás no ritmo da própria primavera, 
 e como as flores e os animais 
 abrirás as mãos de quem te espera. 

 Eugénio de Andrade 
(cortesia do google)

20/04/2012

O prazer da leitura - Nijinsky


- É o ser humano mais simétrico que alguma vez vi!
- Como te chamas, meu rapaz?
Uma vozinha mal segura, porque uma experiência precoce ensinou à criança o efeito desastroso que a sua forte pronúncia polaca vai produzir, responde:


- Waslaw Nijinsky.

Françoise Reiss, A vida de Nijinsky, Lisboa: Editorial Estúdios Cor, 1958, p.12-13* (trad. José Saramago)


Em Paris, 1909


*Nijinsky nasceu em Kiev, a 28 de Fevereiro de 1890, segundo o calendário Russo, ou seja a 15 de Fevereiro, segundo o calendário Gregoriano.


João Menéres, obrigada pelo prazer desta leitura.

18/04/2012

Oh, mia patria si bella e perduta!

Oh, mia patria si bella e perduta!


The Night of Enitharmon's Joy (formerly called 'Hecate'),c. 1795




Nabucco de Verdi com libreto de Temistocle Solera.


Va, pensiero, sull'ali dorate;
Va, ti posa sui clivi, sui colli,
Ove olezzano tepide e molli
L'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,

Di Sïonne le torri atterrate...
Oh mia patria sì bella e perduta!
Oh membranza sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,

Perché muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto riaccendi,
Ci favella del tempo che fu!
O simile di Solima ai fati

Traggi un suono di crudo lamento,
O t'ispiri il Signore un concento
Che ne infonda al patire virtù!


Em especial para Manuel Poppe do blog Sobre o Risco que incansavelmente luta contra a falta de humanidade dos nossos políticos.

16/04/2012

Sobre os elementos...disse Camões

Debaixo do céu, Galleria Vittorio Emanuele II, Milão




XLIV

Pelos raros extremos que mostrou
Em sábia Palas, Vénus em formosa,
Diana em casta, Juno em animosa,
África, Europa e Ásia as adorou.

Aquele saber grande que juntou
Espírito e corpo em liga generosa,
Esta mundana máquina lustrosa
De só quatro elementos fabricou.

Mas fez maior milagre a natureza
Em vós, Senhoras, pondo em cada ũa
O que por todas quatro repartiu.

A vós seu resplendor deu Sol e Lũa:
A vós com viva luz, graça e pureza,
Ar, Fogo, Terra e Água vos serviu.
Luís Vaz de Camões, Sonetos

14/04/2012

Sardinheiras à janela...


Uma janela portuguesa, com certeza!

Sardinheiras* à janela, cortina de renda e uns olhos que a atravessam.
Como gostava de ter
uma casa assim...
e
nada mais importar...
senão os *gerâneos.


Óbidos, vista para o casario



11/04/2012

"interior de uma circunferência".

Noite, da minha janela



Posso mudar. A minha sorte, essa não se altera. Toda a figura pode ser inscrita no interior de uma circunferência.


Marguerite Yourcenar, Fogos, Lisboa: Relógio de Água, 1988, p. 40, (trad. de Manuel Alberto).



Existe uma gravação melhor neste link http://youtu.be/5PK5c6ntpm8 , só pode ser ouvida no youtube

10/04/2012

"O poder do chá"

O chá é uma das minhas bebidas preferidas. Tudo o que rodeia o seu ritual me atrai, sejam as chávenas, o chá propriamente dito, ou o que o pode acompanhar, por exemplo scones com doce de amora ou manteiga.
Uma mão amiga, sabe deste meu amor, fez chegar até mim uma caixinha cheia de chá. Obrigada!

A caixinha trazia este poema sobre o poder do chá.

O poder do chá
É tão bom e suave
Que a nossa mente relaxa

Ficamos medicados...
É tão calmo o seu sabor
Como o seu aroma,
que inalamos enquanto ferve!

São ervas de tantos paladares
Que se cruzam por este Mundo fora,
e se misturam em sitiações diversas
capazes de muita coisa alterar.

Bebemos e saboreamos...
Dá-nos tranquilidade
com todo o seu poder mágico
na sua infusão que se alimenta em nós!

Vence-nos e convence-nos com a sua alma!

É uma bebida espiritual
E de fins terapêuticos
Que nos ajuda a livrar do mal!

Blossom Dearie - Tea for Two


08/04/2012

O Caminho...





Nos céus, algures entre Milão e Budapeste





Santiago de Compostela onde irei logo que possa! Um filme visto nas festividades da Páscoa.




Música composta por Tyler Bates para o filme de Emilio Estevez, O Caminho (a Santiago de Compostela)


05/04/2012

Em torno das "Tentações"

Ando a ler o livro de Tabucchi, Requiem. Perguntei-me porque será que o autor escolheu este quadro para a capa?

Ao abrir na página 67, comecei a ler a história e estava tudo explicado. A tela de Bosch: Tentações de Santo Antão era a história que se ia contar.

Com grande desapontamento meu vi que não estava só, em frente das "Tentações" havia um copiador, com cavalete e tela, que estava a trabalhar. Não sei porquê, mas desagradava-me estar em companhia, teria gostado de ver o quadro sozinho. sem outros olhos que olhassem ao mesmo tempo que os meus, sem a presença ligeiramente incomodativa de um desconhecido. (...)

O pintor copiador só pintava detalhes e há dez anos que pintava "detalhes da Tentação". A solidão que o narrador pretendia não a teve mas aprendeu mais sobre o quadro do que todas as vezes que o revisitava sozinho.

Só aprendemos porque vivemos com os outros?
Ou nem sempre a solidão é a melhor forma de vermos o que pensamos que queremos ver?

Há sempre mestres mesmo quando pensamos que eles não estão presentes...

Agradeço à Cláudia, da Livraria Lumière, que me arranjou a 1ª edição deste livro. :)


Hyeronimus Bosch, Tentações de Santo Antão, 1505-1506 (MNAA)


Volante esquerdo

Radiografia de um detalhe da tela Outro detalhe radiografado

e mais outro.

Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa



03/04/2012

"Fizeste molhos de flores"

Fizeste molhos de flores



Fizeste molhos de flores
Para não dar a ninguém.
São como os molhos de amores
Que foras fazer a alguém.




s.d.



Fernando Pessoa, Quadras ao Gosto Popular, Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973), p. 91.



O lilás da glícinia é exuberante e muito perfumado.



Simetrias ao acaso



A minha rosa não é exuberante como a glicínia mas já a tenho há uns tempos, ia morrendo duas vezes. Contudo, a minha persistência em salvá-la, o carinho que lhe dou, vai permitir que este ano nasça uma rosa. Vale a pena a perseverança.

01/04/2012

Duas palavras inconciliáveis

Lima, de Freitas, Árvore da Vida
A vida é um facto


A realidade e o sonho


são duas palavras inconciliáveis.




You know what's wrong with you, Miss Whoever-You-Are? You're chicken, you've got no guts. You're afraid to stick out your chin and say, "Okay, life's a fact, people do fall in love, people do belong to each other, because that's the only chance anybody's got for real happiness." You call yourself a free spirit, a wild thing, and you're terrified somebody's going to stick you in a cage. Well, baby, you're already in that cage. You built it yourself. And it's not bounded in the west by Tulip, Texas, or in the east by Somaliland. It's wherever you go. Because no matter where you run, you just end up running into yourself.


31/03/2012

Pedro I




Com o coro grego (personificado pelo povo) a peça Pedro I, de Manuel Poppe, solta-se do papel e transmuta-se, como o amor a Inês, em três dimensões.


Túmulos de Pedro e Inês, Mosteiro de Alcobaça


Cena X


1361 Passa o cortejo, mar de círios, que acompanha o cadáver de Inês, em esquife aberto. Exumado da sepultura original no Mosteiro Velho de Santa Clara, de Coimbra, vai a caminho do novo túmulo, mandado construir por Pedro I, no Mosteiro de Alcobaça. Pedro e o pajem assistem. Ouvem-se cantos religiosos, música, lamentos, rezas...etc.


Pedro - Vês, João? É a Rainha! Coroada depois de morta! Os que a perseguiram curvam-se, os que a amaram ajoelham e rezam!

Manuel Poppe, Pedro I, Lisboa: teorema, 2007, p. 67.


Andreas Scholl singing a 'Liebeslied' by the medieval composer Oswald von Wolkenstein (1376 or 1377 - 1445)

30/03/2012

Pior...



«Pior a emenda que o soneto»


Sabedoria popular






Moinho de vento,

Areias

"Toldam-se os ares, murcham-se as flores"

Inês de Castro e o eterno amor. Ontem estive com Inês. Lima de Freitas, Inês*




«Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores;
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.

Mísero esposo,
Desata o pranto,
Que o teu encanto
Já não é teu.

Sua alma pura
Nos Céus se encerra;
Triste da Terra,
Porque a perdeu.

Contra a cruenta
Raiva íerina,
Face divina
Não lhe valeu.

Tem roto o seio
Tesoiro oculto,
Bárbaro insulto
Se lhe atreveu.

De dor e espanto
No carro de oiro
O Númen loiro
Desfaleceu.

Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

Toldam-se os ares,
Murcham-se as flores:
Morrei, Amores,
Que Inês morreu.»

Bocage




Lima de Freitas, Até ao fim do Mundo, Pedro e Inês
*Retirado daqui.




Três Canções de Inês compostas por Reinaldo Miranda com poemas de Inês Cavalcanti. Interpretação de Manuelai Camargo; viola Cyro Delvizio

28/03/2012

Pessoanas III - numa simples caixa de areia: "Louco"

O último apontamento sobre a exposição na Gulbenkian, em torno de Fernando Pessoa intitulada Plural como o Universo, é para partilhar a surpresa que foi ver a escrita nascer numa caixa de areia como se fosse a maré a trazer as letras.

27/03/2012

A folha torna-se flor e a flor morre...

Jacques Tissot (1836-1902), Spring

Julgo que vi esta tela em primeira mão no blogue Memórias e Imagens de Margarida Elias.






A folha quando ama,
torna-se flor.
A flor torna-se fruto
quando adora.

Tagore, Aforismos, in
O Coração da Primavera, Braga: Editorial A. O.,1984, (trad.Manuel Simões), p. 105.

A Primavera é fecunda na Natureza e na escrita. Tagore fala na Primavera tecendo a poesia, misturando as palavras, juntando as letras, percepcionando o amor fugaz ou o amor eterno. Dizem que o amor é perfumado como as flores, a capa deste livro sugere-nos o cheiro do amor.

Da Livraria Lumière, um título a reter.

A Primavera e a morte um tema aparentemente inconciliável. Ontem vi o filme de Javier Fesser, Camino, uma película de 2008 que arrecadou seis prémios Goya no festival de San Sebastian.
A história baseia-se em factos reais: a morte de uma menina de 14 anos, Camino (Alexia González Barros em processo de canonização) com um cancro, cuja família estava ligada à Opus Dei.
O filme coloca imensas questões:
- Quem comanda o destino?
- Como é que alguém pode mudar o rumo dos acontecimentos levando a vida a passar ao lado do traço inicial?
- Como pode Deus deixar morrer quem não teve tempo de viver?
- Como aceitar uma morte antecipada?
- Porquê tanto infortúnio debaixo do mesmo tecto?
- O que é a religiosidade (fanatismo) e qual o contraste com o poder religioso?
O tema forte do filme é a realidade e o que se fabrica a partir dela. No final apareceu-me, teimosa, una furtiva lagrima. Faltou a Camino o trevo de Tagore.

25/03/2012

Tabucchi morreu na Primavera!

A vontade e o acaso levaram-me a transformar esta janela colocando um tom primaveril. Escolhi uma fotografia que tirei do castelo de Sant'Angelo em Roma. Há pouco soube que Antonio Tabucchi morreu. Hoje, o pássaro que se vislumbra a voar é Tabucchi.

A palavra, a nossa língua, é verdadeiramente a nossa pátria, dentro da qual nós vivemos, vivemos dentro desta linguagem, desta língua que é o nosso italiano, e se este invólucro que é a mesma coisa que placenta se rompesse não saberiamos mais nada....


Antonio Tabucchi (tradução livre)

Retirado daqui - http://youtu.be/G6UnhMu5z24



Em memória do homem que estudou e traduziu Fernando Pessoa.
Lacrimosa, Requiem de Mozart

Extinção II - Armanda Passos

Armanda Passos teve o condão de me fazer voltar à infância e foi uma viagem deliciosa. Gostei imenso das suas telas e das suas histórias. A pintora não esteve presente na inauguração mas Dr. Telo de Morais* sugeriu a sua ligação a Paula Rêgo. Não concordo de todo, talvez o Dr. Morais se refira à forma como a autora desenha as figuras, todavia, não vejo o traço de Paula Rêgo. Armanda Passos transmite, através do olhar das personagens, algo doce e provocador.


Exposição de Armanda Passos intitulada Extinção II foi inaugurada ontem (24 de Março) e vai ficar patente ao público até 19 de Maio no Museu Municipal de Coimbra, Edifício do Chiado.


Armanda Passos, Chimpanzé duas fotos possíveis.


Museu Municipal, Edifício Chiado, Coimbra


A tela do lado esquerdo intítula-se Chimpanzé e a do lado direito Arara


(170 x 200 cm)


A tela que mais me fascinou mas que não fotografei porque à sua frente estavam várias pessoas é Leopardo que para mim designo de a Máscara.

Armanda Passos, Leopardo (catálogo)



Armanda Passos fez-me recordar Mozart e Fantasia in D Minor, julgo que liga muito bem.




Actualizei o post às 13:00 h para direccionar um link biográfico da pintora e para agradecer ao João Menéres do Grifo Planante a dica para a exposição.


Muito grata João.

*Igualmente agradeço a Abreu de Sousa que desfez o meu engano. Post alterado às 18:43 h de dia 26 de Março.

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