Vou no quarto post sobre As Minhas Visitas, o silêncio continua a romper-se, os sorrisos a transmitir-se as sensações e conhecimentos a dilatar-se. De cada um retirei o seu olhar no que me tocou particularmente. Espero que perdoem a minha ousadia. São quatro homens com vivências díspares (penso eu), cada pessoa é singular mas algo os une: a escrita e a humanidade que colocam através da pena e o papel. Falo de Manuel Poppe, AC, JPD e Mar Arável.
Agarra o Instante!
(De Manuel Poppe optei por esta escolha porque ando a ler os seus livros e colocarei alguns posts)
Fotografia de Manuel Poppe
O tempo come as horas...
"Ao morrer, cada um de nós deve dizer à Morte:
Deixe-me estar ainda um bocadinho. Esquecia-me por completo de viver..."
António Patrício, in Words..., Serão Inquieto, 1920
Interioridades
O Calor das Mãos
António Tapadinhas, Azul, azul
"... A pouco e pouco insinua-se a textura do barro, e o choro mistura-se com o riso. Aumenta a dimensão do olhar. A percepção do barro amaina o vento, mas não faz desaparecer a inquietude. São tantas as estrelas perante um pedaço de argila...! É então que se sente o desabrochar da flor, rompendo a ténue fronteira da solidão. As estrelas continuam longe, mas há um calor novo que renova o sentido das coisas. O calor das tuas mãos.
O Guizo e o Gato
Ciclotomia 2.
"(...) Este Verão, na praia, surpreendi-me a fechar na mão toda a areia que ela pudesse conter. Afinal, a vida é como este punhado de grãos de areia. Cada, um momento, um instante, uma alegria, uma angústia, uma desalento, uma tristeza. E, no entanto, se abrir a mão, assim, a maior parte dos grãos esvaiu-se. Desapareceu. É certo que eu senti um formigueiro na mão. Mas... A gente teme tanto os formigueiros. São tão maus prognósticos... E se tudo isso se tivesse passado no interior de uma ampulheta gigante? Quem me dera que o istmo, entre os dois balões, fosse insuficientemente apertado para eu poder passar, cair na almofada de areia que até ali me suportara e, alguém, até um animal de estimação, sei lá, virasse aquele contador de tempo para que se repetisse o efémero... Sísifo a exaurir na sua escalada.(...)"
Mar Arável
COMO TE VEJO
Ainda não aprenderam
os meus olhos
a verem-te como és
mas apenas como te vejo
Publicado no "Que fizeste das nossas flores"
Agradeço a partilha da beleza, das palavras e imagens.
ana