O cansaço também leva à procura da beleza.
A beleza será então a fuga possível.
Autor desconhecido, detalhe, Devaneio, século XIX


Óleo sobre tábua, 82 x 54 cm, National Gallery, Londres Junto a estes retratos o agradecimento a dois visitantes menos regulares mas que contribuíram na partilha e para o enriquecimento deste espaço levando-me até Cioran, e estou a falar do Luís e de c.a.
Agradeço a partilha da beleza.
ana
Agarra o Instante!
(De Manuel Poppe optei por esta escolha porque ando a ler os seus livros e colocarei alguns posts)
Fotografia de Manuel Poppe
O tempo come as horas...
"Ao morrer, cada um de nós deve dizer à Morte:
Deixe-me estar ainda um bocadinho. Esquecia-me por completo de viver..."
António Patrício, in Words..., Serão Inquieto, 1920
O Calor das Mãos
António Tapadinhas, Azul, azul
"... A pouco e pouco insinua-se a textura do barro, e o choro mistura-se com o riso. Aumenta a dimensão do olhar. A percepção do barro amaina o vento, mas não faz desaparecer a inquietude. São tantas as estrelas perante um pedaço de argila...! É então que se sente o desabrochar da flor, rompendo a ténue fronteira da solidão. As estrelas continuam longe, mas há um calor novo que renova o sentido das coisas. O calor das tuas mãos.
Ciclotomia 2.
"(...) Este Verão, na praia, surpreendi-me a fechar na mão toda a areia que ela pudesse conter. Afinal, a vida é como este punhado de grãos de areia. Cada, um momento, um instante, uma alegria, uma angústia, uma desalento, uma tristeza. E, no entanto, se abrir a mão, assim, a maior parte dos grãos esvaiu-se. Desapareceu. É certo que eu senti um formigueiro na mão. Mas... A gente teme tanto os formigueiros. São tão maus prognósticos... E se tudo isso se tivesse passado no interior de uma ampulheta gigante? Quem me dera que o istmo, entre os dois balões, fosse insuficientemente apertado para eu poder passar, cair na almofada de areia que até ali me suportara e, alguém, até um animal de estimação, sei lá, virasse aquele contador de tempo para que se repetisse o efémero... Sísifo a exaurir na sua escalada.(...)"
COMO TE VEJO
Ainda não aprenderam
os meus olhos
a verem-te como és
mas apenas como te vejo
Publicado no "Que fizeste das nossas flores"
Agradeço a partilha da beleza, das palavras e imagens.
ana
Primavera à vista (21 /03/2011)
O dia abre os olhos/ e penetra numa primavera antecipada./ Tudo o que as minhas mãos tocam voa. /O mundo está cheio de pássaros.
Etnografia de Circunstância(s)
Magnólias
Fotografia de Sara (24/2/2011)
Mostram-se em profusão floral por esta altura do ano, desafiando um Inverno ainda plenamente instalado. Contrariando uma certa lógica, lançam a flor antes da folha. Como se não conseguissem esperar. Como se essa mesma urgência fosse a expressão concreta e esplendorosa da nossa própria ânsia de Primavera.
- Agrada-lhe?/ - As chaves por favor. /- Não deseja ver mais nada?/ - Já vi. /- É só para uma pessoa? /- Sim. /- Está a sentir-se bem, minha senhora? /- Melhor é impossivel. Não quero ser incomodada. /- Precisa de mais alguma coisa? /- Sim, dormir. Apenas isso.
Lou Andréas-Salomé (22/03/2011)
(...) Mas, do mesmo modo que uma série de acontecimentos que se afastam da mediania permitem que se faça com mais clareza a clarificação das normas do que é considerado como regra, esta história levou-me a compreender o sentimento amoroso em geral, na medida em que no amor, o outro - mesmo que não represente como neste caso Deus - é enaltecido de uma maneira quase mística tornando-se o símbolo de toda a maravilha. Lou Andréas-Salomé, A Minha Vida, Livros do Brasil, 1991.
Agradeço a partilha da beleza, das palavras e imagens.
ana
"Portraits..."
Fotografia de Luísa do blog Beira-Tejo, tirada em S. Vicente de Fora (21/03/2011)

"A Primavera não é só a renovação da natureza – e, nesta minha redoma urbana, como gosto de dar pela agitação namoradeira dos pombos e pela eclosão da flores! "
"Duas vezes a mesma vida"
(20/03/2011)
"No vácuo de mim eu me despenco. Porque seria preciso também abdicar de mim mesmo para novamente reconstruir-me. Tornar a escolher os gestos, as palavras, em cada momento decidir qual dos meus eus assumir. (...)"
Caio Fernando Abreu, in O Inventário do Ir-remediável
Agradeço a partilha da beleza, das palavras e imagens.
ana
Arthur Hacker, Les Fleurs du Printemps
«Spring is sooner recognized by plants than by men».
Provérbio chinês. (19/3/2011)
O Meu Pai e os Figos de Setembro
Fotografia de MJ Falcão, O Falcão de Jade
"Na manhã fria, que surgira bela e indiferente, colhera as flores que levava: as rosas de toucar, um ramo do medronheiro, as flores humildes da azinhaga..."
MJ Falcão, O Meu Pai e os Figos de Setembro . 18 /03/2011
Conversas na Cozinha dos Vurdóns
QUAL A DIFERENÇA ENTRE ESSAS CRIANÇAS, QUE SEJA CAPAZ DE DETERMINAR QUE UMA MERECE VIVER E A OUTRA NÃO?
Se algum desavisado disser: É A RAÇA.
LAMENTAMOS INFORMAR: TODOS, SEM EXCESSÃO SOMOS DA
RAÇA HUMANA.
NÃO HÁ DIVISÃO. O que existe é ignorância, preconceito e racismo. (22/3/2011)
Agradeço a partilha da beleza, das palavras e imagens.
ana