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01/04/2015

Leituras, livros e anotações

Acabei de ler "O Miniaturista" de Jessie Burton. O livro teve o condão de me cativar e surpreender. Não apreciei a tradução; contudo a história é tão interessante que se esquece esse pormenor.
O miniaturista, Editorial Presença, Jessie Burton














O ambiente narrado reporta-se ao século XVII, localiza-se em Amesterdão e gravita à volta de uma família de mercadores. As personagens são ricas, intensas, ... barrocas. As mulheres têm um papel preponderante.

A casa de bonecas, de Petronella Oortman que está no Rijksmuseum é o ponto fulcral da narrativa.
O início da história levou-me a realizar um projecto: construir uma casa de bonecas. Comecei esse hobbie no pouco tempo que disponho para lazer. Em tempo próprio exporei essa minha prosápia. 
Confesso que o livro me afectou que as circunstâncias narradas expondo a alma humana me entristeceram. Todavia, uma certeza ficou: é que as mulheres - a quem no século XVII não se reconhece poder - são dotadas de uma força que lhes dá poder. A ficção está bem concretizada e os ambientes retratados estão documentados.

Amesterdão, Passeei pelas ruas da cidade, agora através do livro.


As fotografias do livro são cortesia do google. As outras são minhas.

Na minha visita ao Rijksmuseum encontrei a casa de bonecas.

Anónimo c. 1686-c.1710, Casa de Bonecas de Petronella Oortman, Rijksmuseum



Jacob Appel, Casa de Bonecas de Petronella Oortman, 1710, Rijksmuseum


«A vida dela tem de ser o que ela fizer dela»
Jessie Burton, O Miniaturista. (Trad.Catarina F. Almeida). Lisboa: Editorial Presença, 2014, p. 394.


18/10/2014

Táctica y estrategia

Guerra é a pior invenção do Homem. 

Avião no
Xadrez Nazi, II Guerra Mundial, c. 1940, 
Rijksmuseum, Amesterdão


Táctica y estrategia

Mi táctica es 
mirarte 
aprender como sos 
quererte como sos 

mi táctica es 
hablarte 
y escucharte 
construir con palabras 
un puente indestructible 

mi táctica es 
quedarme en tu recuerdo 
no sé cómo ni sé 
con qué pretexto 
pero quedarme en vos 

mi táctica es 
ser franco 
y saber que sos franca 
y que no nos vendamos 
simulacros 
para que entre los dos 
no haya telón 
ni abismos 

mi estrategia es 
en cambio 
más profunda y más 
simple 

mi estrategia es 
que un día cualquiera 
no sé cómo ni sé 
con qué pretexto 
por fin me necesites.

 Mario Benedetti, El Amor, Las Mujeres y la Vida. Buenos Aires: Ediciones La Cueva, s.d. p.83-84.

Para o Manuel [Talvez assim se apazigue um pouco com Wagner]

09/08/2014

Rosas



A filha do destino, de Benazir Bhutto, é um registo na primeira pessoa, a narração de uma vida inteira de luta pela democracia e liberdade no Paquistão.   


Quando a minha mãe e eu iniciamos o nosso segundo mês de detenção em Al -Murtaza os jardins estão a morrer. Antes da prisão e morte do meu pai [Zulfikar Ali Bhutto], precisávamos de dez empregados para manter os grandes jardins e cuidar dos exteriores. Porém, desde que Al-Murtaza foi convertida numa subprisão para a minha mãe e para mim, o regime de Zia só permite a entrada de três jardineiros. Eu junto-me à luta para manter os jardins vivos.
Não  sou capaz de observar as flores a murchar, especialmente as rosas do meu pai. Sempre que ele viajava para o estrangeiro, trazia variedades novas e exóticas para plantar no nosso jardim - rosas violeta, rosas cor de tangerina, rosas que nem sequer se assemelhavam a rosas mas eram tão perfeitamente esculpidas que pareciam ter sido criadas a partir de barro. Agora as roseiras começam a murchar e a ficar castanhas por falta de cuidados.
Durante o calor forte do Verão, eu estou diariamente no jardim às sete da manhã, a ajudar os jardineiros a levar as pesadas mangueiras de lona de canteiro em canteiro. (...) 
As horas mais felizes da minha vida foram passadas no meio das rosas e à sombra fresca das árvores de fruto em Al-Murtaza.

Benazir Bhutto, A filha do destino. Lisboa: Dom Quixote, 2009, p. 75.

Rosas e um relógio, ode ao tempo, em dia de aniversário do (In)Cultura

Willem Van Aeslt, Detalhe Floral Still Life with Pocket Watch, 1668,
Rijksmuseum, Amesterdão






03/10/2013

O vazio político

Mapa da Península Ibérica numa bandeja atribuída a Wenzel Jamnitzer, c. 1553, Rijksmuseum *

A abstenção, o voto em branco e o voto nulo, três formas de actuação que acentuam o vazio que a política tem cultivado nos últimos tempos.
A aridez das ideias e das soluções encontradas para fazer face à crise anunciam a descrença na governação e no arquétipo do político português.

Um cansaço interiorizado, um despegar da cidadania, um mar revolto sem rumo.
Portugal é um penhasco sem farol.
Os argonautas partem sem vontade de regressar.
Um dia,  talvez se volte a dar valor à polis e a retórica se torne numa linguagem corrente. Sim, talvez os cidadãos regressem e participem no governo da "cidade".

A oligarquia banqueira em que vivemos acabará por definhar quando a palavra humanidade triunfar. Então o liberalismo selvático terá os dias contados. Não chegaremos à Cidade do Sol mas a iluminação chegará para alimentar os homens bons e trazer de novo sentido à palavra democracia.

A ampulheta, no rotativismo que lhe é próprio, fará com que os regimes se renovem.

*



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