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03/03/2014

Diavoli

Máscara, Exposição de máscaras 
do Museu do Oriente no Centro Cultural Adriano Moreira, Bragança.

De' diavoli iscacciati di cielo

Già fummo, or non siam più,
spirti beati; per la superbia nostra
siàno stati dal ciel tutti scacciati;
E in questa città vostra
abbiàn preso il governo,
perché qui si dimostra
confusion, dolor più che in inferno.

E fame e guerra e sangue e diaccio e foco,
sopra ciascun mortale,
abbiàn messo nel mondo a poco a poco;
E ’n questo carnovale
vegnàno a star con voi,
perché di ciascun male
fatti siàno e saren principio noi.

Plutone è questo, e Proserpina è quella
ch’a lato se gli posa;
Donna sopra ogni donna al mondo bella.
Amor vince ogni cosa;
Però vinse costui,
che mai non si riposa,
perch’ognun faccia quel ch’ha fatto lui.

Ogni contento e scontento d’amore
da noi è generato,
e ’l pianto e ’l riso e ’l diletto e ’l dolore,
chi fussi innamorato,
segua il nostro volere
e sarà contentato;
Perché d’ogni mal far pigliàn piacere.

Poema de Nicolau Maquiavel para uma música de Alessandro Cappinus feita para o Carnaval de Veneza, em 1502. (Daqui)

Agradeço ao meu amigo Manuel Poppe a tradução do poema de Maquiavel.
Tradução colocada a 9 de Março, 19:35 h]

Dos diabos expulsos do céu

Já fomos, agora já não somos
 espíritos felizes.
Pela nossa soberba
fomos do expulsos  do céu.
E nesta vossa cidade
Conquistámos o governo,
Pois aqui reina a confusão,
dor mais forte do que a do inferno.

E fome e guerra e sangue e aço e fogo,
Sobre os mortais
lançámos nós no mundo, pouco a pouco.
E partilhamos convosco este Carnaval:
de cada mal feito, somos e seremos o princípio.

Este é Plutão, aquela Proserpina
que se senta ao seu lado,
mulher mais bela do que todas as outras  mulheres belas.
O Amor tudo vence.
Mas venceu aquele que não tem repouso,
para que cada um faça como ele fez.

Todo o contentamento e o descontentamento do amor
é por nós gerado,
tal qual o pranto e o riso e o prazer e a dor,
Quem esteja enamorado
 Siga o nosso querer
E será contentado.
De todo o mal, nós tiramos prazer.

Manuel Poppe
«A 9 de Janeiro de 1975 foi nomeado Conselheiro Cultural junto da embaixada portuguesa em Roma. E, a partir dessa data, iniciou a sua «peregrinação» pelo mundo: visitou 4 países e 3 continentes. A sua primeira estadia em Roma, durante quinze anos, marcou profundamente Manuel Poppe, sobretudo, pelo facto de «deixar Portugal ainda ferido de quase cinquenta anos de obscurantismo e chegar a Itália», que vivia outras condições políticas. Durante essa passagem por Itália que o escritor português considera como «miscelânea, soma de sensações, de leituras e de encontros». Além de obter o título académico de “Dottore in Lingue e Leterature Straniere”, pela Universidade “La Sapienza”, com uma tese sobre Régio, escreveu Crónicas Italianas (1984), publicada com apoio do Instituto Italiano de Cultura em Portugal. Nessa passagem, conheceu personagens importantes, quer no campo da cultura quer no campo da política, entre os quais podemos destacar: o socialista De Martino e os comunistas Berlinguer e Giancarlo Pajetta, o democrata-cristão Enzo Scotti, escritores como Giorgio Bassani, Moravia e Claudio Magris, com os quais manteve relações estreitas e atrizes como Ingrid Thulin. Foi distinguido pelo antigo italiano presidente italiano Sandro Pertini com a comenda da Ordem de Mérito e pelas cidades de Florença e Veneza com as respetivas Medalhas de Ouro.»
A sua gentileza nesta difícil tradução leva-me a deixar aqui um beijinho especial.

Jordi Savall, viola da gamba, Rolf Lislevand, guitarra barroca, Arianna Savall, arpa, Pedro Estevan, percussão, Adela Gonzalez-Campa, castanholas.

06/06/2011

Da Dignidade - a queda de um Príncipe

"Os homens são sempre contrários aos empreendimentos onde exista dificuldade".

Nicolau Maquiavel, O Príncipe, Lisboa: Publicações Europa América, 1972, p. 42

O povo é soberano e exprimiu a sua vontade.


O príncipe caiu mas entregou a sua coroa com dignidade.


A minha vénia.

10/05/2011

Da polis e de príncipes

Maquette pour Moïse, Décor de l'acte IV, 1863
(Ópera em 4 actos de Rossini)



Carton découpé, encre et aquarelle, Museu D'Orsay, Paris

A vida é um teatro com vários palcos. Os espectadores estão cansados das penas que os ventos trazem.


"Todos sabem quão louvável é um príncipe ser fiel à sua palavra e proceder com integridade e não com astúcia"
Maquiavel, O Príncipe, Lisboa: Europa América, 1972 (Com anotações de Napoleão Bonaparte), p. 93

Não foi esta realidade que encontrei no frente a frente de Sócrates e Portas, os príncipes não procuraram a integridade, optaram antes pela astúcia pois, como refere Maquiavel é mais favorável ao Príncipe. As máscaras gregas faziam parte do cenário, quer a tragédia quer a comédia. A primeira, chega de imediato ao espectador, a segunda só o observador mais atento a vislumbra. O pano caiu, não houve palmas, instalou-se um silêncio gélido, prenúncio do porvir onde, o passado pesa, e o nevoeiro se impõe.

Quando é que teremos a Terra Prometida
?



03/05/2011

...do teu valor


Niccolò Machiavelli nasceu em Florença, a 3 de Maio de 1469 e faleceu na mesma cidade a 21 de Junho de 1527. Foi um historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento.


Só são boas, certas e duráveis as defesas que provêm propriamente de ti e do teu valor.


Nicolau Maquiavel, O Príncipe, Lisboa: Publicações Europa América, 1972, p. 128


E porque às vezes o Príncipe é um tirano, a ópera Rodelinda de Handel

Andreas Scholl: ária - Vivi Tiranno. Conductor: William Christie. Glyndebourne, 1998.

09/03/2011

"Todos vêem o que pareces..." Um rei não pode ser frágil!

«Todos vêem o que pareces, poucos percebem o que és
Maquiavel, O príncipe

O Discurso do Rei foi um dos filmes notáveis que vi nos últimos tempos. O rigor histórico não foi, ao que parece, uma opção do argumentista e do realizador. Apesar de romanceado, e com a devida distanciação, a necessidade de transpor o drama do rei de Inglaterra, Jorge VI*, para o drama de um homem comum torna a história mais aliciante.
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A um rei exige-se determinação, sageza e sentido de estado que é desmistificado nos bastidores por Colin Firth, cuja gaguez o torna volúvel. Um rei não pode ser frágil.
A gaguez é o fio condutor da história, o que nos leva a compreender a ansiedade, o medo, a angústia de quem tem de vencer a deficiência para proferir um dos discursos mais importantes da Grã-Bretanha: o início da II Guerra Mundial. Daí a procura de um terapeuta da fala para combater a fragilidade.
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A personagem que mais me seduziu foi, precisamente, a do terapeuta, que a meu ver, transcende o papel de Firth. Geoffrey Rush deu força ao personagem pela forma como procedeu, pela ortodoxia da terapia, pela humanidade com que olha para o rei e pela forma sapiente com que o desafia. A ligação entre estes dois homens no combate a uma deficiência é descrita de uma forma ligeira e bela. O enredo do filme é valorizado pela caracterização das duas personagens.


* Jorge VI tornou-se monarca após o seu irmão Eduardo VIII ter abdicado do trono.

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