Um ano atípico, este que está a correr. O relógio anda muito depressa e eu perco-me e deixo as lembranças importantes esfumarem-se.
À Maria João, uma mulher muito especial, pela sua sensiblidade, pelo seu sentido estético, pela sua vasta cultura, mas acima de tudo pela sua humanidade, deixo um beijinho de parabéns e faço votos para que tenha tido um dia muito feliz!
Botticelli, Coragem, Galleria del Uffizi, Florença
Sem palavras, só assim posso dedicar esta postagem à Cláudia, da Livraria Lumière, uma amiga especial de quem me esqueci. Aquela, precisamente, que não queria esquecer. Será possível?
Cláudia é com um beijinho que lhe ofereço estas obras de arte fabulosas que gostaria de poder oferecer na realidade, não hoje mas no dia 6 de Outubro. A si, como é obvio e para selar a nossa amizade, agora com a ferida de um esquecimento imperdoável, teria que lhe dar o coração da amizade.
"Codex Rotundus", c. 1480, escrito em latim e francês,
Livro de Horas com cenas da Natividade e da Ressurreição de Cristo,
último quartel do século XVI, Copenhaga, 6,1x6,1x2,2 cm,
Pinterest
Livro de horas, Livro das horas ou ainda Livro missal é um livro de devoção criado por devotos no final da Idade Média. Em geral, continha o calendário das festas e dos Santos, as Horas da Virgem, da Cruz, do Espírito Santo e dos mortos (Liturgia das Horas), as orações comuns e os salmos penitenciais. Estes livros eram ricamente ilustrado com iluminuras.
- É a vida que importa, nada senão a vida: o processo da descoberta - o processo eterno e constante (...), e não a própria descoberta.
Virginia Woolf, Noite e Dia ( 1919). Lisboa: Relógio d'Água, 2012 p.121.
Agradeço à Isabel que me ofereceu este livro.
A minha homenagem a Victor Hugo com a projecção do excerto do filme: Os Miseráveis, dirigido por Tom Hooper.
Num passeio à livraria de Miguel de Carvalho, com a Graça, conversou-se, viram-se livros e arte. Após essa viagem o Miguel Carvalho presenteou-nos com uma pequena brochura escrita por si, um pequeno ensaio sobre o livro-objecto.
O conceito estético da realização da brochura é bastante original e interessante. A capa é feita de radiografias por isso cada livrinho é um exemplar, per si, personalizado. A mim calhou-me uma coluna vertebral. Tal simbologia assoberbou por completo o meu sentido estético e literário.
A escrita de Miguel Carvalho não é fácil, ou não houvera escolhido Cesariny, mas é escorreita, e de lógica em lógica leva-nos ao propósito a que se propôs, o lugar do livro-objecto da poesia nos nossos dias.
A capa do meu livrinho
Começa com uma citação de Cesariny, na Pena Capital (1957)
«... o livro-objecto não se situa do lado do criador, nem do lado do observador/leitor (muito menos do lado dos marchands). Situa-se a meu entender, do lado da poesia adimensional, no espaço e no tempo de um verbo, entre a sua nascença e a sua ruína, como uma manifestação da resposta à questão cujo eco é o vazio que não o suporta. E a sua ocultação pela sociedade tem como equivalente o silêncio e o desprezo nos quais se encontram mergulhados toda a produção poética autêntica. [...]
Estes objectos poéticos reduzem-se à linguagem que lhes confere o poder que têm de nos impregnar com paisagens interiores e todo o seu interesse reside também e ainda mais além. São objectos inclassificáveis, que não "falam" uma linguagem universal mas comunicam duma forma particular que nada tem a ver com as esculturas e as assemblages tradicionais, suscitando "exaltações recíprocas" duma mise en scéne própria invasora do observador. No domínio do visível, o prazer do olhar, não obedece ao mesmo imperativo que no domínio do legível. A estética não está nos livros-objectos na ordem do logos, isto é, a título de exemplo; a sensação que nos é proporcionada pela contemplação de um quadro ou escultura, não é provocada pelo respeito duma regra semelhante àquela que rege um escrito. Mas a fusão dos dois sustenta-se de "beleza convulsiva" que tais objectos encerram...»
Para mim esta análise interessa-me como visão da arte: a palavra ou a imagem, qual delas tem mais força?
Vi um filme interessante que intersecciona as duas perspectivas.
Não há dúvida que na arte da escrita e, em particular da poesia, o aspecto psicológico é muito importante, isto é, o estado de alma, a abertura para, conta muito para a absorção da poesia. O mundo actual é o mundo da imagem, esta mais facilmente conquista o observador.
Não obstante, a palavra e a imagem cruzarem-se em planos e regras diferentes, elas têm a mesma finalidade: apaixonar e embelezar a vida.
Agradeço ao Miguel o livrinho e à Graça e ao Miguel a companhia matinal.
Words and Pictures, foca a questão abordada de uma forma mais leve; é um filme realizado por Fred Schepisi com a participação de Clive Owen e Juliette Binoche
Um presente da minha amiga Graça, "pastinhas" da Casa de Infância Doutor Elísio de Moura com poemas que são vendidos na altura da queima das fitas. O dinheiro reverte para a casa que acolhe meninas desde a infância até aos 20 anos. O poema é da Graça.
Flores do campo
da minha janela vejo o vento
que tu não vês
gosto de navegar
no baloiço dos teus olhos
na liquidez das suas palavras
e rio-me
como uma criança inocente
à descoberta do mundo por abrir
sinto o aroma das searas
a entrar-me pelos poros
e escrevo a beleza dos dias tristes
recuso a calmaria das marés
sem gritos e sem pressas
a solidão disfarçada
esse andar devagar
o meu corpo é uma chama ardente
a clamar desesperos poéticos
a poesia é coração
o amor são rosas
Graça Alves
*Ainda lhe quis colocar um título mas achei que era um abuso.
Uma viagem pela arte da Índia desde 1570 a 1660, sob a égide de quatro imperadores, Akbar (1555), Jahângir (1605), Shâh Jahân (1627) e Aurangzeb (1658).
15 x 10,5 cm
DanseusesKathak (c.1675), Victoria and Albert Museum, Londres
Danseuses
Conformément à une très ancienne tradition des Indes, la danse, plus que toutte autre forme d'art, connut une nouvelle ère de succès. Mais, sous la dynastie moghole, elle tomba dans le mépris parce qu'étrotement associée aux moeurs des femmes légères.
George Lawrence, Artes des Indes. Paris: Fernand Hazan. 1963,s/nº p.
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Prince trônant choisissant un fruit, Asie centrale, 1550-1575; Institut du Monde Arabe
Khamsah de Nizami, Layla et ses compagnes dans un jardin, Inde moghole, vers 1640-1645; Institut du Monde Arabe
Detalhe do mosaico que representa a Virgem Maria e Jesus no trono, na Basílica de Santa Sofia, em Istambul, antiga Constantinopla.
No reverso vê-se o mosaico completo, o imperador Constantino apresenta o modelo da cidade murada (direita), e o imperador Justiniano oferece a Basílica de Santa Sofia (esquerda).
Só pontualmente é que gosto de chuva. Serve esse apontamento para transformar o cheiro da terra seca em terra húmida. As primeiras chuvas são belas pela novidade e pela necessidade da Terra. Todavia, a persistência do efeito torna-me melancólica. Reparei que não tenho em arquivo fotos com chuva e há belas fotos com esse cenário. Houve quem me roubasse o momento...
Ainda não tinha trazido aqui uma das bandas que ouvia na adolescência.:))
Rompia a aurora a assinalar o início do dia, entrelaçada com o perfume da manhã, para enaltecer os malmequeres. Colhi-os com delicadeza para com eles fazer uma coroa. Não era uma coroa qualquer, era uma coroa para coroar uma amiga.
O menu manuscrito ou impresso, em cartão ou em papel de Bristol, mais raramente em tecido, foi algo próprio do século XIX,que se inscreveu num contexto de valorização do requinte e das boas maneiras.
Isabel M.R. Mendes Drummond Braga, Os Menus em Portugal, Para uma História das Artes de Servir à Mesa. Porto: Chaves Ferreira, Publicações SA., p. 25, *imagem p. 81.
Começo por agradecer as palavras de Boas Festas de que os cartões são mensageiros.
Talvez seja vaidade mostrar alguns dos presentes que me tocaram; porém, o que me levou a fazê-lo foi a forma de agradecer o afecto e a lembrança. Começando da esquerda para a direita: nunca bebi um chá de jasmim tão bom; o calendário de Yara Kono tem ilustrações lindíssimas; o Porto de Resende tem o seu traço e cores inconfundíveis; 36 desenhos de Chagall chegaram com uma gaivota e nada mais é preciso dizer; seguem-se os lindíssimos menús reunidos numa "História das Artes de Servir à Mesa"; a que se juntam a "biografia de Ilse Losa" por quem tenho especial curiosidade e as "Dicas para tudo e mais alguma coisa" numa fabulosa edição retro. Para último, deixei de propósito duas figuras em miniatura oferecidas para a minha casa de bonecas. O anjinho, em particular, emocionou-me pois chegou o Natal à dita casa que um dia trarei aqui.
Coloquei as peças ao lado da chávena para poder-se observar a escala
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Este ano a minha árvore de Natal esteve quase sempre inclinada. As decorações foram caindo e não tentei acender as gambiarras. Porque será?