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10/03/2011

Se isto é um homem

Ando a ler As Novas Crónicas Italianas de Manuel Poppe, um escritor e muito mais, que conheci há pouco tempo. Roma foi o ponto de contacto. Aprecio a sua sensibilidade e a sua maneira de ver e narrar a beleza. Mas não foi só ele que conheci, há outra voz com a mesma sensibilidade e beleza que também foi o ponto de contacto!
Estamos no século XXI, já com uma década passada, e é impressionante como esta viagem pelas Crónicas ao século XX é intemporal, nada evoluímos no que respeita à humanidade, à verdade do "ser".
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Albert Durer Lucas (1828-1918), Butterfly in the Heather
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Primo Levi: Se isto é um homem
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(...) Quando me bate nas costas Primo Levi, que não quer que eu esqueça, não penso só nos judeus que acabaram em Auschwitz, em Dachau: lembro-me de Pasolini, perseguido e assassinado; do emigrante turco; do negro; do árabe; e do homem que não aguenta mais e se suicida, porque a sociedade não está à sua altura, nem do seu sonho, nem da sua honestidade, nem do seu desejo de harmonia, de fraternidade. O que lhes apresentam é frio, calculado, desarmónico: é, para eles todos, turcos, negros, árabes, judeus, brancos e amarelos, a selva onde se apunhalam os sentimentos e as vontades simples de viver, as borboletas. É um sítio onde se deitou nitroglicerina. É um mundo morto, organizado, em que nada que seja rebelde - original, pessoal, novo - cabe.
Pode ser isso um homem? (...)
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Manuel Poppe,Novas Crónicas Italianas, Lisboa: Teorema, 1994, p.23-24.

Obrigada, Manuel Poppe!

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